Céu “dividido ao meio” intriga curitibanos

A imagem acima mostra um céu dramaticamente dividido: metade do céu, próximo ao horizonte, está coberto por um lençol de nuvens que parecem ser do tipo Stratocumulus. A outra metade, mais alta em relação ao ponto de vista de quem tirou a foto, está completamente azul, com exceção de alguns contrails (Cirrus homogenitus) — aqueles riscos finos que surgem no céu após a passagem de aeronaves, quando há um pouco de umidade nas camadas mais altas da atmosfera.
Hoje vamos explicar o que causa esse fenômeno do “céu partido”. Mas antes, gostaria de compartilhar uma lembrança da época em que trabalhei na Estação Meteorológica do IAG-USP. Um dos procedimentos realizados pelos técnicos em observação meteorológica era observar o céu e anotar os tipos e a quantidade de nuvens presentes em cada quadrante (norte, sul, leste e oeste). Como a presença de nuvens pode indicar a aproximação de uma frente fria ou a formação de tempestades — dependendo do tipo de nuvem —, esse procedimento é fundamental para entender as mudanças nas condições meteorológicas locais.
Contei essa história para mostrar que observar e quantificar a nebulosidade é uma prática recorrente em muitas estações meteorológicas. No entanto, um céu “partido” como o da imagem chama bastante atenção e pode até assustar algumas pessoas.
Esse tipo de formação ocorre em determinadas situações e, no caso de Curitiba, foi causado pela aproximação de uma frente fria que avançava sobre a região. A massa de ar frio que se aproximava era mais úmida, contrastando com a massa de ar mais quente e seca que já estava presente. A faixa onde essas duas massas se encontram forma essa espécie de “muralha de nuvens”, como explicaram os meteorologistas do Simepar.
Embora visualmente impressionante, o fenômeno é natural e não representa perigo. Ele reflete as mudanças típicas da transição entre estações, especialmente no outono, quando frentes frias começam a se tornar mais frequentes no sul do Brasil.
