| | |

Contrails: eles apareceram antes do OVNI paranaense

Eu escrevi um post sobre contrails em 2011 e foram um dos primeiros textos do blog. Já faz 15 anos! O tempo realmente passa muito rápido e eu quero acreditar que meu conteúdo melhorou desde então, apesar dos altos e baixos de minha vida.

Contrails são aquelas trilhas de condensação que permanecem no céu quando passa um avião. Esses riscos não acontecem a todo momento. Se você é um ávido observador do céu, deve ter reparado que em muitas situações os aviões passam e não fazem esses riscos. Eu já vou explicar mais sobre isso, mas antes quero falar do caso do OVNI do Paraná.

O OVNI do Paraná foi um suposto caso de avistamento alienígena que aconteceu nos últimos dias. Um rapaz começou a observar acontecimentos que ele considerou estranhos em sua propriedade rural em Campo Largo, região metropolitana de Curitiba. Foram sons estranhos, comportamento incomum dos animais e excesso de contrails. Já de noite, essas coisas estranhas culminaram na observação de luzes coloridas na mata. O canal Matheus e Guigo Show contou todo o caso e recomendo a cobertura deles porque facilita a compreensão do caso. Eles mostram os stories que o rapaz publicou e comentam notícias relacionadas.

Bom, vocês já devem ter sacado que é desse suposto excesso de contrails que eu quero falar. Essas trilhas de condensação não se formam sempre. Sua ocorrência e persistência na atmosfera (por tempo suficiente para que a gente consiga vê-las) dependem das condições de temperatura e umidade do ar. Nos últimos dias, uma frente fria vem atuando na Região Sul do Brasil, aumentando a umidade em diferentes níveis da atmosfera e favorecendo a formação e a permanência dessas trilhas no céu. Possivelmente é por isso que o Mayk Leão lá de Campo Largo – PR conseguiu ver um excesso de contrails.

Como os contrails se formam?

As trilhas de condensação (contrails) se formam quando o vapor d’água presente nos gases eliminados pelos motores de uma aeronave se mistura ao ar extremamente frio da alta troposfera. Essa mistura pode levar a uma rápida saturação do ar, fazendo com que o vapor d’água se condense e congele, formando nuvens compostas por minúsculos cristais de gelo. A palavra contrail é uma abreviação da expressão inglesa condensation trail.

Embora seja fácil imaginar que os contrails sejam apenas rastros de poluição deixados pelos aviões enquanto cruzam o céu (chemtrails, já falo disso na sequência), eles são compostos principalmente por cristais de gelo. O vapor d’água já está naturalmente presente na atmosfera, mas os motores das aeronaves adicionam mais vapor d’água e partículas que atuam como núcleos de condensação. Quando esses gases quentes se misturam ao ar muito frio e suficientemente úmido das grandes altitudes, ocorre a formação dos cristais de gelo que constituem as trilhas visíveis.

Para que os contrails se formem e persistam, as temperaturas precisam ser extremamente baixas e a umidade relativa do ar em relação ao gelo deve ser suficientemente elevada. A maioria dos aviões comerciais voa acima de 8.000 metros de altitude (cerca de 26.000 pés), onde as temperaturas frequentemente ficam abaixo de −40 °C. Nessas condições, o vapor d’água pode se transformar rapidamente em cristais de gelo.

Em dias de céu limpo, a luz solar atravessa livremente a atmosfera e alcança a superfície terrestre. Conseguimos enxergar os contrails porque os cristais de gelo refletem e espalham a luz solar, tornando essas trilhas visíveis contra o fundo azul do céu. Os cientistas estudam os contrails porque, assim como as nuvens naturais do tipo Ci (cirrus), eles podem influenciar o balanço radiativo da Terra. Dependendo de suas características e das condições atmosféricas, essas trilhas podem contribuir tanto para o aquecimento quanto para o resfriamento da atmosfera.

Recomendo muito esse recurso didático da NOAA, onde você pode mudar a bolinha vermelha de lugar no gráfico de Temperatura e Pressão de Vapor. Ao fazer isso, a animação mostra se o contrail se forma e se ele persiste na atmosfera. Se um avião passa por uma atmosfera mais seca e com temperatura um pouco mais elevada, o contrail que se formaria rapidamente se dissipa e a animação deixa isso bem claro.

E o que são chemtrails?

Eu não vou me alongar muito sobre esse assunto porque percebi que o post está ficando longo. Leia mais sobre a teoria da conspiração dos chemtrails aqui. E eu recomendo muito (muito mesmo) o episódio 3 da primeira temporada de Conspiracies & Coverups. Nesse episódio, intitulado Weather Weapons, a produção do programa fala com pessoas que acreditam nessa teoria da conspiração, falam com cientistas, fazem experimentos e etc. Gostei muito porque os que acreditam na teoria da conspiração não são desrespeitados ou ‘zoados’, mas sim levados a compreender através de evidências de que estão equivocados.

Minha opinião sobre o caso do OVNI do Paraná

Acredito que o Myke pode ter visto alguém testando um drone agrícola ou para fins de pesquisa científica. Além disso, há a possibilidade de alguém da região deliberadamente ter pregado uma peça nele, aproveitando o cenário de credulidade diante das coisas estranhas que ele estava observando ao longo do dia e postando na internet em tempo real. Também há a possibilidade do próprio Myke ter criado todo um enredo para fazer seus seguidores entrarem nessa atmosfera de credulidade para então culminar na suposta aparição do OVNI. Ou seja, teria sido apenas uma brincadeira.

Eu realmente acredito que deve existir vida alienígena por aí. Parte dessa vida pode ter desenvolvido inteligência e tecnologia suficientes para criar foguetes, sondas ou naves, assim como nós estamos fazendo no último século. No entanto, as enormes distâncias entre as estrelas tornam qualquer viagem interestelar um enorme desafio. Para se ter uma ideia, a estrela mais próxima do Sol é a Proxima Centauri, localizada a pouco mais de 4 anos-luz da Terra. Um dos planetas que orbitam essa estrela é Proxima Centauri b, um planeta rochoso situado na chamada zona habitável, região onde as condições podem permitir a existência de água líquida na superfície.

Será que existe vida por lá? E, se existir, será que ela é inteligente? Caso seja, haveria civilizações em um estágio tecnológico capaz de iniciar uma corrida espacial semelhante à nossa?

Mesmo que existam, ainda restam muitas perguntas. Conseguiriam chegar até nós viajando a velocidades próximas à da luz? Seria possível utilizar tecnologias que hoje pertencem apenas ao campo teórico, como buracos de minhoca ou dobras espaciais? E a questão mais importante de todas: eles teriam algum interesse em vir até aqui? Costumamos imaginar civilizações extraterrestres explorando o espaço e procurando outras formas de vida, mas isso pode ser apenas uma projeção dos nossos próprios interesses. Eu imagino exatamente isso, porque sou muito fã de Star Trek. Só que talvez eles estejam ocupados com seus próprios desafios, culturas, artes, ciências ou passatempos. Quem sabe gostem de algo equivalente aos junk journals e considerem isso mais interessante do que atravessar anos-luz para visitar um planeta distante.

Essa é uma das reflexões por trás do chamado Paradoxo de Fermi: se a vida inteligente pode ser relativamente comum no Universo, por que ainda não encontramos evidências claras de sua existência? Talvez a resposta não esteja na impossibilidade da vida extraterrestre, mas simplesmente no fato de que outras civilizações tenham prioridades muito diferentes das nossas. Afinal, o Universo é imenso. Talvez existam mundos muito mais interessantes para explorar do que um pequeno planeta azul orbitando uma estrela comum nos arredores da Via Láctea.

Imagem que abre o post: Contrails no pôr-do-sol. Imagem de andromeda08 por Pixabay

Posts Similares

Comente