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Das coisas que a gente pensa quando está lavando a louça

Uma das coisas sobre a qual refleti quando li O cavaleiro preso na armadura, foi sobre ficar sozinha consigo mesma. Há um momento na fábula em que o cavaleiro é confrontado com a solitude, o que é novo para ele.

Eu estive pensando sobre os ruídos que preenchem nosso dia. Há quem goste de cuidar da casa ouvindo música, outros ouvem podcasts. Outros deixam a TV ligada sem prestar atenção, com ela servindo apenas como fonte de ruído, de ‘vida’.

É comum vermos isso até em parques! Nos recostamos em árvores com fones no ouvido, sem prestar atenção ao vento ou aos pássaros. Será que temos medo da solidão? Será que não sabemos o que fazer com os pensamentos que chegam em nossas mentes quando estamos completamente sozinhos e sem estímulos?

Será que temos medo da angústia e dos pensamentos que chegam quando estamos com a mente livre de estímulos externos? Eu não gosto dessa sensação da angústia e eu acredito que ela me faz querer inundar meus dias com ruídos, como se eles pudessem atuar como uma barreira para que essas ondas de angústia não me desestabilizem.

Acha-se num dos contos de Grimm uma narrativa sobre um moço que saiu a aventurar-se pelo mundo para aprender a angustiar-se. Deixemos esse aventureiro seguir o seu caminho, sem nos preocuparmos em saber se encontrou ou não o terrível. Ao invés disso, quero afirmar que essa é uma aventura pela qual todos tem de passar: a de aprender a angustiar-se, para que não venham a perder, nem por jamais terem estado angustiados nem por afundarem na angústia; por isso, aquele que aprender a angustiar-se corretamente, aprendeu o que há de mais elevado

Soren Kierkegaard – O conceito de Angústia

A essa altura da minha vida estou me permitindo viver a angústia para compreendê-la. Não deixo que ela chegue de uma vez, eu ainda tenho medo. Se esse sentimento chegou até mim, ele precisa ser entendido e dissecado. Eu preciso saber vivê-lo.

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