Desesperança

Nesse texto, pretendo escrever um brevíssimo relato de uma pequena parte de meu estágio de observação no Ensino Fundamental II e no Ensino Médio. O que vou escrever aqui não é novidade para os docentes que já trabalham há muito tempo nas nossas escolas públicas. Também não é nenhuma novidade para quem acompanha notícias e tem um olhar crítico sobre a situação do nosso país, porém ainda assim, quis escrever algumas de minhas impressões, mesmo que elas não sejam nenhuma novidade e talvez seja como chover no molhado. Apesar de tudo isso, escrever faz com que eu me sinta mais leve porque eu preciso imprimir quase tudo o que sinto.
O que eu tenho visto são professores cansados e desmotivados. Muitos precisam trabalhar em 2-3 escolas e em dois ou três turnos, para conseguir pagar suas contas, realizar seus projetos e ter uma vida digna.
O que eu vejo é uma escola muito pautada pelo modelo tradicional que parece não atender às necessidades cada vez maiores da sociedade. Quando digo modelo tradicional, falo daquelas aulas muito expositivas e com pouca participação dos alunos.
E eu também vejo alunos desmotivados, sem sonhos e sem entender o motivo de estarem ali na escola. Estão ali somente porque foram matriculados, pois não se sentem pertencentes àquele lugar. Vejo alunos muito distraídos com o celular, navegando em redes sociais e aplicativos de conversas. Eu não vejo muito foco ou interesse em coisas importantes e saudáveis. Há muito consumo de material de influencers, são instigados ao consumismo de um modo geral e são inundados por opções de entretenimento de qualidade questionável.
Vejo uma escola com uma infraestrutura que precisa melhorar bastante. O prédio e os recursos físicos em geral precisam de melhorias, mas o que eu vejo na prática é um sistema que não valoriza o ser humano. Há o esforço dedicado e casando de profissionais que enxergam potencial em seus alunos e fazem o melhor trabalho dentro de suas limitações, mas o sistema massacra alunos e professores de modo que os esforços sempre parecem insuficientes.
Hoje é realmente um daqueles dias que me sinto muito desmotivada e até arrependida de ter me embrenhado nessa nova seara. Eu me sinto como uma pessoa tola e talvez ingênua. Certamente, idealista. Talvez eu me arrependa de ter escrito esse texto quando eu estiver mais motivada. Mas é como me sinto agora. Acho que vivemos a era da desesperança generalizada.
