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Estrela do Sul – MG: a cidade dos diamantes e o último lar de Dona Beja

A história de Estrela do Sul, pequena cidade mineira de 8 mil habitantes, tem mais de 300 anos. Em 1722, o bandeirante João Leite da Silva Ortiz (genro do Anhanguera) fundou o assentamento que logo virou point pros aventureiros em busca de diamantes.

O rio que corta a cidade é o Rio Bagagem e por muito tempo a cidade era chamada Bagagem Diamantina. Em meados do século XIX, a lenda conta que uma mulher escravizada chamada Rosa descobriu um diamante de beleza rara, que ficou conhecido como Estrela do Sul. A história que ouvi é que ela entregou o diamante para o proprietário das terras que a recompensou com alforria por sua honestidade.

Havia presença de povos originários na cidade, antes da chegada dos bandeirantes e sua ganância por pedras preciosas. Há uma informação muito breve sobre esse fato no site da Prefeitura, mas encontrei um material muito bom sobre a presença de povos indígenas e sua luta pela terra no estado de Minas Gerais.

Outra figura histórica famosa na cidade é a afamada Dona Beja, mulher que viveu no século XIX. Sim, meus caros leitores, a mesma mulher afamada que inspirou até série na Manchete e na TV Globo (Dona Beija). Ela era super rica, inteligente e possuía ligações com pessoas da nobreza. A estátua que fotografei, no centro da cidade, é uma representação dessa mulher que movimentou a cidade e está ligada ao apogeu da localidade. Ela veio de Araxá e passou os últimos dias de sua vida em Estrela do Sul, trabalhando com o comércio de pedras preciosas. Esse apogeu se deu fim no finalzinho do século XIX, quando a corrida pelos diamantes teve declínio.

Em 1901, a cidade foi oficialmente nomeada Estrela do Sul como uma homenagem ao afamado diamante. Mas por onde anda o diamante Estrela do Sul? Bem, ele passou de mão em mão e em um certo momento no começo do século XXI foi adquirido pela Cartier. Foi visto pela última vez em 2023, sendo usado por uma integrante da realeza catari, Sheikha Mozah (que é mãe do atual emir do Catar).

Gosto de ir em Estrela do Sul porque é uma cidade muito próxima da minha. Costumo ir ao pesqueiro, tem cachoeiras bonitas e belas paisagens com essas construções antigas, algumas do período colonial. Também gosto muito de um restaurante que tem na cidade, que faz um feijão tropeiro muito gostoso. Esse restaurante funciona nas instalações de uma antiga usina hidrelétrica. Nos últimos anos eu tenho observado alguns esforços em manter a história da cidade viva, com ações como a restauração de construções antigas.

Não é uma cidade com infraestrutura hoteleira e percebo que é necessário um maior investimento em turismo para de fato conseguirem torná-la uma cidade turística, caso os moradores queiram. Tenho a impressão que eles preferem o sossego e apenas visitas de eventuais vizinhos, como meu caso.

Fontes

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