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Ética da Convicção x Ética da Responsabilidade: Gravidez e campanha contra o aborto nas redes sociais

Texto originalmente publicado em minha página no Facebook, mas optei por editá-lo e publicá-lo aqui também. Dessa forma, quem não é meu amigo no Facebook pode também ler esse texto. Espero que gostem e que gere uma discussão positiva.

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Recentemente observei que muitas mulheres grávidas se manifestavam sobre o aborto nas redes sociais. Como também estou grávida, quero dar minha humilde contribuição.

Acredito que nessas discussões, temos que separar o que é ética da responsabilidade e ética da convicção. E infelizmente tem se falhado muito nessa separação.
Por exemplo, de acordo com minha ÉTICA DA CONVICÇÃO (o PRIVADO, minha opinião): eu não faria um aborto, exceto nos casos já previstos pela lei atual (estou escrevendo esse texto em fevereiro de 2015). Essa é minha opinião, minha ética, moldada pelo tempo que vivo, pela sociedade que vivo e construída pelo meu histórico familiar e pela minha fé.

Mas essa opinião é IRRELEVANTE para a sociedade, porque as outras pessoas não são necessariamente como eu. Para a sociedade funcionar de maneira livre e em respeito a todas as pessoas, o que precisa funcionar é a ÉTICA DA RESPONSABILIDADE, que diz respeito ao PÚBLICO. Dessa forma, acredito no direito de escolha. As mulheres que escolherem interromper sua gestação deveriam ter o direito de fazê-lo de maneira segura (fisicamente e psicologicamente). É inaceitável saber que mulheres morrem diariamente ao interromperem a gestação em clínicas clandestinas. Por isso, acredito na regulamentação do aborto como melhor solução para a sociedade, como já é feito em outros países do mundo.

Eu não sou ninguém para julgar outras mulheres usando como base a minha ÉTICA DA CONVICÇÃO. Não sou ninguém para julgar os motivos das outras mulheres (só sei no que diz respeito aos MEUS motivos). Não acho que minha opinião esteja em dissonância de minha fé, que se aproxima bastante da fé cristã.

Minha gravidez não tem nada a ver com essa questão do aborto. E certamente as gestações das mulheres que participaram da campanha contra o aborto também não tenham nada a ver com isso. Certamente são gravidezes planejadas e/ou desejadas, como é o caso da minha, o que não é o caso da gravidez de uma mulher que cogita a interrupção. Pode ser que em algum caso, alguma mulher participante dessa campanha possa ter tido a possibilidade de realizar um aborto nos casos previstos por lei, mas decidiu continuar a gestação. Veja bem, foi uma decisão da mulher! É injusto não permitir que outras mulheres não possam decidir o contrário.

É provável que meu filho tenha uma ÉTICA DA CONVICÇÃO diferente da minha, talvez com influência da minha e de meu marido, mas diferente. Ele vai ser uma pessoa diferente, que vai viver em um tempo diferente e sob influências diferentes. Mas se eu conseguir fazê-lo compreender que se deve separar as duas éticas, eu me sentirei satisfeita como mãe.

Alguns acreditam que quando a mulher fica grávida ela muda. Claro que a gente muda, pois pensar que você está gerando outro ser dentro de você realmente mexe com nossos sentimentos. Falando por mim: algumas convicções mudam, outras não. Não sou uma moça de 15 anos grávida, sou uma mulher de mais de 30 anos. Acho que há grande diferença nisso também, mas não há nenhum tipo de regra ou sequência de comportamento. Mas ainda assim eu não posso deixar de separar essas duas éticas (CONVICÇÃO x RESPONSABILIDADE), pois acredito que quando se faz mistura dessas duas coisas, retrocedemos bastante como sociedade.

Com esse texto também quero mostrar que você deve e pode ter suas convicções, mas deve entender que não é responsável desejar que suas convicções representem a sociedade como um todo. E é exatamente isso que membros da chamada bancada evangélica pretendem: transformar em lei opiniões e convicções de um determinado segmento da sociedade.

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Os termos ética da convicção e ética da responsabilidade são baseados no pensamento de Max Weber em A Política como Vocação

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9 Comentários

  1. Se muitas mulheres morrem diariamente em clínicas clandestinas, é muito bom, pois pra cada ação, uma reação.
    Querem matar um ser indefeso, então arquem com as consequências. Existe informação em abundância sobre métodos contraceptivos, mesmo porque o povão adora falar de sexo. Depois que engravida quer voltar no tempo? Assim seria muito bom. Fugir das responsabilidades é um grande desejo de algumas pessoas.
    Podem achar que meu pensamento é grosseiro. Achar normal a morte dessas mulheres. Ora, digamos que um assaltante trocou tiros com a polícia, e então morreu. O que eu deveria dizer? Ele mesmo procurou a morte. Pode ser clichê, mas é verdade que quem semeia o bem, dificilmente colhe frutos podres.

    Argumentos falhos dos abortistas:

    “O corpo é da mulher e por isso ela faz o que quiser”.

    O feto não faz parte do corpo da grávida. É uma nova vida. Se fizesse parte, certamente ela não pensaria em matá-lo. Nunca ouvi alguém dizer: “Não gosto das minhas pernas. Vou amputar as duas e ninguém vai me impedir. O corpo é meu”.
    Justamente por se tratar de um bebê em formação, não do corpo da gestante, é de competência dela resguardar o próprio filho. Pelo menos até ele nascer.

    “Não devemos nos intrometer nas escolhas alheias”

    Quer dizer que se eu vir um pai espancando um menino, devo achar normal? Se a resposta fosse positiva, fugiria até do instinto da espécie humana defender os seres da própria espécie. A empatia é fundamental na sobrevivência. Até animais se importam uns com os outros.

    “Diz na lei que até o “n” mês de gestação…”

    Nem tudo que está na lei deve ser obedecido ou é correto. Um exemplo é a obrigatoridade do voto. Numa democracia verdadeira, ninguém pode ser obrigado a votar. Isso, sim, é uma escolha. Se o indivíduo não quer votar, não quer um representante, não gostou de nenhum, é um direito que ele tem. Ou teria, se a lei brasileira fosse justa.

    “Quem é homem não tem nada a ver com isso. É muito fácil aparecer homem condenando o aborto, já que ele não fica “grávido” “.

    Antes de ser homem, sou ser humano. Tenho aquele instinto mencionado ali em cima. Depois, pra uma mulher engravidar, precisa da participação masculina.

    “A grávida pode não ter condições de criar”.

    Tenha o filho e doe.

    “O mundo é muito violento. É melhor abortar. A criança pode virar marginal”.

    Assim como pode ser uma criança educada, estudiosa e ‘virar’ um ser humano trabalhador.

  2. Aprovei seu comentário, mas achei machista e irrelevante. E achei de uma falta de empatia enorme. Não argumento com pró-vida e com outros que julgam a vida DOS OUTROS de acordo com suas próprias opiniões e sua própria realidade.

  3. Machista por quê? Se eu não tivesse empatia, não defenderia um bebê.

  4. Impressionante como “pró-vida”, ou melhor ANTI-MULHER mantém sempre os mesmíssimos argumentos vazios, slut shammer, misóginos e ausentes de completa empatia.

    Porque se fosse o homem que engravidasse, vocês fariam aborto no caixa-eletrônico, mas como são as mulheres que carregam bebês, você “acha muito bom” que elas morram. Ou seja, não somos seres humanos para você, certo? Porque o direito à vida é para seres humanos e, lamento, um embrião não é considerado um até ter cérebro. E olha só! Isso não acontece IMEDIATAMENTE. Isso demora umas semanas. Faltou nas aulas de biologia do ensino médio, hein?

    Como disse a Sam, seu comentário, além de irrelevante, de machista, de vazio, de rude e desrespeitoso, estimula a morte de mulheres, já que você acha muito bom que a gente MORRA por interromper uma gestação.

  5. Claro, porque uma gestação de 3 meses = um bebê.
    Não seja tacanho, leia e aprenda mais.

  6. Machista SIM!

    E EMPATIA é um conceito TOTALMENTE desconhecido para sua pessoa, já que você acha MUITO BOM que mulheres que abortam morram.

    Vai estudar, cara.

  7. “Porque se fosse o homem que engravidasse, vocês fariam aborto no caixa-eletrônico”

    Homem ou mulher, os direitos e deveres são iguais. Seja menos emocional e se atenha a argumentos, por gentileza.

  8. Cara, to te bloqueando, pq ninguém merece machista no meu bloguinho. Nem é questão de “opinião diferente” no caso. È questão de troll machista mesmo.
    Então tchau, teve seus 5min de fama.

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