Filme recomendado: Estrelas Além do Tempo

Antes de começar minha resenha, quero dizer que essa semana teremos apenas um post (esse). O bagulho tá louco, como disse o poeta. Quis aproveitar essa resenha que comecei a escrever há cerca de 1 mês, quando assisti esse filme com meus filhos. Eu comecei a ler o livro recentemente, mas ainda não concluí. A ideia era terminar a leitura do livro e voltar aqui para concluir a resenha, mas optei por falar separadamente do filme e do livro.
Bom, vou falar sobre um filme que me tocou profundamente e que todo mundo que se interessa por ciência, história e justiça social deveria assistir: Estrelas Além do Tempo (2016), baseado no livro Hidden Figures, de Margot Lee Shetterly.
A história se passa nos anos 1960, auge da corrida espacial entre Estados Unidos e União Soviética. A NASA está correndo contra o tempo para enviar um astronauta ao espaço, mas nos bastidores dessa missão grandiosa havia um grupo de mulheres negras que foi essencial para que tudo desse certo e que por muito tempo permaneceu invisível.
Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughan (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe) são as protagonistas dessa história real. A propósito, que time de atrizes incríveis! Pois bem, essas estrelas de nossa história eram calculadoras humanas, ou seja, faziam à mão (e com precisão impressionante) os cálculos matemáticos que os engenheiros e astronautas precisavam para planejar os voos espaciais. Isso mesmo: antes dos computadores como conhecemos hoje, eram mulheres como elas que faziam os cálculos orbitais, de reentrada, de trajetória. Sem esse trabalho, os foguetes não sairiam do chão com segurança.
Mas o que torna o filme tão impactante não é apenas a genialidade delas. Destaco principalmente a força de vontade necessária para exercer essa genialidade em um ambiente tão hostil. Katherine, Dorothy e Mary enfrentavam diariamente o racismo institucionalizado, a segregação nos espaços de trabalho, o machismo dentro de uma área dominada por homens brancos. Ainda assim, elas persistiram. Lutaram por respeito, por espaço, por reconhecimento. E mudaram a história da ciência com isso. Eu mencionei rapidamente a história dessas incríveis mulheres quando falei da Dra. Gladys West, cientista importante no desenvolvimento do GPS, que também trabalhou como calculadora humana, mas que não chegou a conhecer as protagonistas dessa outra história.
Um dos momentos mais fortes do filme é quando Katherine Johnson precisa reivindicar algo que deveria ser básico: o direito de assinar um relatório técnico com seu nome. Um relatório no qual ela havia feito os cálculos centrais. A cena é emblemática porque escancara uma prática comum na história da ciência: a exclusão sistemática das mulheres dos créditos oficiais, mesmo quando eram elas que realizavam boa parte do trabalho intelectual. Publicações científicas, relatórios técnicos, patentes e projetos de grande porte foram, durante décadas (e ainda são, em muitos casos), espaços onde o reconhecimento feminino foi negado ou invisibilizado.
Estrelas Além do Tempo me convidou a refletir sobre essas ausências e sobre o custo que foi imposto a tantas mulheres para simplesmente serem vistas como autoras do próprio trabalho. Também nos lembra de algo fundamental: a ciência não é neutra. Ela é feita por pessoas, em contextos sociais específicos. E muitas dessas pessoas foram apagadas da narrativa oficial.
O filme também me fez pensar nas muitas outras calculadoras e cientistas cujos nomes não conhecemos, mas que foram essenciais para o avanço tecnológico do século XX. Quantas mulheres brilhantes foram deixadas de lado na história apenas por causa de seu gênero ou cor de pele? Quantas mulheres foram essenciais na realização de diversos trabalhos e ficaram apagadas na história?
Se você ainda não viu, recomendo fortemente. E se já viu, vale a pena rever com esse olhar atento para os detalhes sociais e históricos que a obra nos apresenta. Eu acredito que é um filme valioso para assistir com seus filhos e com seus aluno.

Vou assistir. Parabéns! Você escreve muito bem, criativa e sempre atenta aos direitos humanos. Não posto comentários mas sempre leio as suas resenhas por e-mail. Continue com o blog. Os blogs dão uma sensação de solidão mas você é como uma estrela que sempre brilha no infinito e nós recebemos a sua luz. Carlos, 65 anos – Serra Grande – Uruçuca/BA.
Olá Carlos
Obrigada pela visita e pelo comentário gentil.
Assista sim, um filme tocante e com muitos ensinamentos. Está disponível na Disney+.
Até mais!