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Guestpost: o que faz uma bibliotecária?

Fazia mais de um ano que eu não postava um guest post por aqui e eu estava sentindo falta. Adoro ouvir os relatos dos meus convidados, sobre seus hobbies, profissões, interesses, etc. Quem acompanha os guest posts (veja todos aqui) sabe que eu já ouvi geógrafos, professores, colegas meteorologistas, colegas da área de rádio e TV, jornalistas, etc. E todos eles falaram sobre suas profissões ou hobbies. Alguns assuntos tem relação com Meteorologia e outros não, porém tem relação com os interesses da blogueira que vos fala!

Hoje vamos falar sobre uma profissão conhecida, mas pouco compreendida totalmente: a profissão de bibliotecária. Afinal, o que faz um bibliotecária? Muitos de meus leitores são assíduos frequentadores de bibliotecas e nunca pararam para pensar na dimensão do trabalho desses profissionais. Eu ouvi a Izabel Lima e ela escreveu um texto maravilhoso sobre o assunto, contando tudo para a gente, falando dos bastidores dessa incrível profissão. 

Trabalho em feiras de profissões e sempre observo que os alunos tem dificuldade em fugir do tradicional. Eles sempre perguntam sobre direito, administração, psicologia, medicina, engenharia, odontologia, etc. Enfim, sempre perguntam sobre esses cursos mais conhecidos. Como a área que eu represento também é pouco tradicional (Meteorologia, caso você esteja chegando aqui pela primeira vez), gosto de conhecer outras áreas igualmente incomuns e pouco conhecidas pelo público. Acredito que transmitir esse conhecimento possibilita que vestibulandos possam considerar carreiras que tenham tudo a ver com o que eles gostam e que eles nem imaginavam que existiam. 

Sem delongas, vou deixar a Izabel falar! E muito obrigada por compartilhar esse texto informativo e dinâmico, Izabel. Obrigada pela gentileza.

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Prateleiras com livros em uma biblioteca. Photo by Alireza Attari on Unsplash

 

Oi, pessoas!

Meu nome é Izabel Lima, sou bibliotecária e, a convite da Samantha, hoje vim falar com vocês um pouco sobre a minha profissão. Como nós estamos nos conhecendo, vou começar esse texto com um resumo bem curtinho da trajetória da Biblioteconomia no Brasil e depois eu conto para vocês um pouco do meu trabalho.

Era uma vez…

Em 2015 comemoraram-se os 100 anos de início do primeiro curso de Biblioteconomia do Brasil e o terceiro do mundo. Esse curso foi criado pela Biblioteca Nacional para atender sua própria demanda por profissionais capacitados e com uma formação um pouco mais especializada na área.

Antes da criação desse curso, os “bibliotecários” brasileiros eram pessoas com formações variadas. Para se ter uma ideia teve frei, historiador e médico ocupando o cargo de diretor da Biblioteca Nacional brasileira.

A partir da criação desse primeiro curso, a área iniciou o estabelecimento de um currículo de ensino e começou a se estruturar tanto dentro quanto fora do ambiente acadêmico. Em 1962, a profissão de bibliotecário/a teve seu exercício regulamentado pela Lei 4.084. No Brasil, para ser bibliotecário/a é preciso duas coisas: possuir graduação em Biblioteconomia e ser registrado no Conselho Regional de Biblioteconomia que atende a sua região.

Mas o que faz um/a bibliotecário/a?

Aí depende de onde o profissional trabalha e que tipo de bibliotecário/a ele/a é. No momento, estou inserida no mercado de trabalho “tradicional” da minha profissão, ou seja, trabalho numa biblioteca. Porém tenho colegas que trabalham em emissoras de televisão, museus, editoras, agências de publicidade, dentre outros lugares.

E porque eu estou falando isso antes de falar sobre o meu dia a dia?

Porque quero que vocês tenham em mente que apesar de eu trabalhar no local de atuação mais tradicional do/a bibliotecário/a – a biblioteca – existem bibliotecários/as que trabalham com gestão de informação, de conteúdo e de acervos em outros lugares e que por isso podem ter rotinas um pouco ou muito diferentes da minha. Essa é uma das belezas da Biblioteconomia: dependendo de onde a pessoa trabalha a relação dela com a informação, com os documentos e com as pessoas que fazem uso disso vai ser completamente diferente.

Quanto a mim, atualmente, trabalho em uma das bibliotecas da Universidade Federal do Ceará (UFC) e desenvolvo, principalmente, atividades relacionadas a referência e educação de usuários, ou seja, atendo pessoas, auxilio no desenvolvimento de pesquisas, preparo materiais de apoio a pesquisa, ajudo a desenvolver diretrizes para a biblioteca, ministro treinamentos (presenciais e a distância), organizo eventos, administro mídias sociais etc. Notem que essas atividades tem forte relação com comunicação e atendimento a necessidades de informação.

Além disso, também existem as atividades de processo técnico e, em alguns momentos, também as realizo. Essas atividades consistem na seleção de materiais, ou seja, decidir que obras vão ser adquiridas pela biblioteca, quais doações recebidas vão fazer parte ou não do acervo, dentre outras coisas. Depois dessa fase vem a catalogação (descrever um documento como ele é), a classificação (atribuir códigos que permitem localizar as obras no acervo) e a indexação (descrição do conteúdo de uma obra). No caso da instituição em que atuo, todos esses dados são inseridos em um sistema de gerenciamento de acervos e dão origem, dentre outras coisas, ao catálogo online da biblioteca.

Nossa! Simplifiquei bastante as definições. Mas a intenção é só dar uma ideia do que cada uma dessas ações significa, pois elas possuem nuances e englobam diferentes níveis de complexidade dependendo da obra trabalhada.

É muito comum que um/a mesmo/a bibliotecário/a seja responsável por ações diferentes na biblioteca. Mesmo quando a instituição é de maior porte, ainda assim as necessidades do dia a dia fazem com que o trabalho em equipe e o apoio entre setores diferentes seja fundamental para o bom desenvolvimento das atividades.

Eu sei que em uma época de grandes buscadores online algumas pessoas acham que essas coisas são bobagens desnecessárias, porém iniciativas como o Google Acadêmico ou o Microsoft Academic Research – além de claramente inspirados no trabalho de bibliotecas de instituições de pesquisa – só conseguem ser gigantes porque fazem uso de ações desenvolvidas por bibliotecas, como os repositórios institucionais de acesso gratuito, por exemplo.

Além de tudo que já citei, também existem bibliotecários/as que gerenciam revistas acadêmicas, desenvolvem softwares, realizam contação de histórias, lideram equipes, desenvolvem e implementam políticas públicas, prestam serviços de consultoria e assessoria, confeccionam fichas catalográficas, elaboram normas técnicas e etc. Tudo isso tendo como foco as necessidades informacionais do público que visam atender.

Só para finalizar…

Independente do suporte de registro e do quão bagunçada uma informação esteja, um/a bibliotecário/a será capaz de organizá-la e colocá-la a disposição das pessoas para o uso. Acho que é isso o que mais gosto na minha profissão: essa capacidade de colocar ordem no caos de informações em que vivemos. E não é uma ordem pela ordem. É uma ordem para viabilizar o uso qualitativo da informação.

Se você chegou até aqui, muito obrigada pela sua atenção e tempo. Se quiser conhecer um pouco mais sobre a Biblioteconomia, recomendo uma visita ao site do Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB) e/ou ao site da Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições (FEBAB). Neles é possível acompanhar campanhas, como a promovida em torno da universalização das bibliotecas escolares, e demais ações promovidas pela área.

Se quiser continuar lendo as coisas que escrevo sobre Biblioteconomia é só me acompanhar no Blog, Twitter ou Instagram. Ah, e se algo não ficou claro é só perguntar.

 

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Mais uma vez, agradeço a Izabel pela gentileza e não deixe de conferir o Blog, o Twitter e o Instagram da Izabel, para conhecer um pouco mais sobre essa fascinante profissão e também para conhecer um pouco mais sobre essa moça incrivelmente simpática, inteligente e gentil.

Se você pensa em cursar Biblioteconomia, basta buscar pelo curso no e-MEC  para descobrir quais instituições o oferecem. Em uma busca recente descobri cerca de 50 instituições que oferecem o curso e claro que é sempre importante ver como está a situação da instituição perante o MEC.

A consulta que eu fiz no MEC (hoje em 27/08/2018) me retornou as seguintes instituições:

UFMT
UNB
UFAM
UEL
FURG
UCS
PUC-CAMPINAS
UDESC
UDESC
USP
UNESP
CEUCLAR
UNIFAI
USU
PUC MINAS
FABCI
UFMA
UFPA
UFRN
UFES
UFMG
UFAL
UFPB
UFPE
UFRGS
UFC
UFG
UFSC
FAINC
UNIVERSO
UNIRIO
UNIR
FATEA
UESPI
CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIVEL
UNIMES
IESF
CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIC
IMAPES
MULTIVIX SERRA
UNIASSELVI
FAJ
FAED
UNOCHAPECÓ
UNIFORMG
UFCA
UFSCAR
 USP
 UFS
UFBA
UFRJ

São instituições no Brasil todo, algumas com a possibilidade de ensino à distância. Como disse e repito, verifique a situação da instituição perante o MEC (e isso vale para qualquer carreira que você estiver pensando em cursar).

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