Links e posts estranhos nos blogs: as coisas que a gente faz por dinheiro

Estou lendo o livro Realismo Capitalista e em um certo capítulo o autor menciona que a gente precisa criar realidades para conviver com o que é real. O autor fala também sobre a criação de realidades para conviver com as contradições cada vez mais evidentes no capitalismo tardio.
Pois bem, você já reparou que na internet agora aparece muita coisa sobre aposta e jogos de azar? Cassinos são proibidos no Brasil, mas a legislação até o presente momento não diz nada sobre sites de aposta que são hospedados em servidores de outros países. Esses sites começaram a ganhar popularidade com a pandemia e aparentemente agora se multiplicaram. Parece um negócio bilionário e que consegue se manter assim explorando as fraquezas das pessoas.
Você pode argumentar – e uma pequena parte de mim pensa assim – que cada um escolhe o que quer para sua vida e se o sujeito quiser gastar 100 reais em um site para passar o tempo, ninguém tem nada a ver com isso. Esse negócio de apostas movimenta tanto dinheiro a ponto de atualmente serem os principais patrocinadores das equipes brasileiras de futebol, vemos os nomes das empresas nas camisas dos jogadores e na publicidade nos estádios.
Soube que pessoas com alguma notoriedade no Instagram ou no Youtube, falo de canais de cerca de 100 mil inscritos, estão ganhando quantias consideráveis para fazer publicidade dos sites de apostas e joguinhos. Eu estou falando de valores como 30 mil reais, coisas assim. Muitos aceitam porque é uma quantia considerável que não normalmente oferecida para esse tipo de trabalho. Se esses canais relativamente pequenos ganham tanto dinheiro, imaginem só canais grandes!
Semanalmente eu recebo e-mails estranhos, escritos em inglês ou em português capenga, perguntando se eu posso publicar posts com links para sites desse tipo. Essas ofertas tem aumentado em quantidade e eu vou confessar para vocês que já fiz esse tipo de publicidade, mesmo me sentindo culpada. Afinal, eles me ofereceram entre 50 e 100 dólares para publicar cada post e eu não tenho qualquer tipo de patrocinador no blog (vez ou outra muito rara recebo um pix de um leitor). Aceitei ofertas assim 3 vezes pois com esse valor eu consigo pagar a hospedagem e o domínio, ajudando a manter o site no ar. Na primeira vez, pediram para inserir o link em um post que eu já tinha escrito e estava no ar. Na segunda vez, escreveram um post de qualidade razoável e pediram que eu publicasse. Na terceira vez foi um post horrível e nada a ver com o blog.
Eu quase aceitei uma quarta vez, mas os textos que me mandaram eram pavorosos! Pareciam ter sido escritos por um ChatGPT delirando em febre e drogado. Não aceitei e provavelmente não vou aceitar mais propostas desse tipo. Porque conviver com uma situação que fere minhas convicções apenas pelo dinheiro não me faz bem, eu sei disso.
Além disso, penso na qualidade do que ofereço para as pessoas que chegam ao meu blog pelos mecanismos de busca. Elas chegam até aqui procurando algo e mesmo que não encontrem, espero que aprendam alguma coisa com o que eu escrevi, que foi escrito por uma pessoa de verdade. Quero que as pessoas se identifiquem comigo, troquem ideias. Em minhas buscas pela internet eu odeio chegar em blogs sem sentido e meramente caça-cliques e eu tenho certeza que outras pessoas também detestam essa experiência.
Como farei para pagar a anuidade? Confio na Providência e no meu planejamento financeiro. Confio também em doações (pix: samanthansm@gmail.com). Apenas não gostaria mais de ficar tentada a aceitar esses trocados estranhos para publicar links e textos esquisitos no meu blog pois isso não me faz bem (já são tantas contradições para conviver) e ao meu ver também danifica a identidade do blog.
