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Minha pilha de diários

Vi uma hashtag no Instagram chamada #journalstack e resolvi participar. Postei minha pilha de diários lá no Instagram e fiquei refletindo um pouco sobre aqueles vários cadernos com capas decoradas, cheios de sonhos e muitos desabafos. Preciso destacar que essa pilha conta somente com os diários, onde escrevo quase que diariamente e eventualmente coloco alguma foto, adesivo e outras lembranças. Ou seja, são diários tradicionais, bem ao estilo Doug Funnie. Eu não empilhei minhas agendas e planners, que são coisas mais operacionais. Também não empilhei meus junk journals, que são coisas mais artísticas. Há também muito de mim nas agendas e junk journals.

Esses são diários dos últimos 4-5 anos. Escrevi muito durante a pandemia e isso me ajudou bastante. No entanto, eu poderia ter uma pilha gigantesca que deixaria Margaret Hamilton impressionada, só que eu joguei fora todos aqueles diários que também fizeram parte do código da minha vida do passado.

Desde que me alfabetizei anos 4 anos, descobri um mundo novo. Sempre gostei de escrever e mesmo antes de frequentar a escola, eu pedia para que meus pais me comprassem itens de papelaria. Durante a adolescência esse desejo de escrever foi só aumentando, mas infelizmente alguns familiares não respeitavam minha privacidade e segredos meus foram expostos e eu me senti ridicularizada. Eu me sentia muito sozinha, já que ninguém me apoiava dizendo que escrever sobre meus sentimentos não era motivo de vergonha. Eu achava que escrever essas coisinhas sobre mim era uma grande futilidade, como muitas outras coisas consideradas femininas que também me disseram que eram futilidades. Eu me senti envergonhada e fui parando de escrever. Com isso, também joguei fora muitos diários e agendas.

Hoje penso que se eu tivesse escrito mais e se tivessem me incentivado, minha vida teria sido um pouco mais suave e minha saúde mental estaria bem melhor. Não me levem a mal, eu já fiz as pazes com meu passado, mas eu consigo enxergar todas os problemas que certas situações me causaram. A cada dia consigo perceber melhor os traumas e gatilhos.

Se você gosta de escrever, escreva. Mesmo que você “escreva feio”, porque a habilidade não importa quando você está fazendo algo para fazer uma faxina em sua alma. Além disso, a escrita melhora com a prática. Permita que seus filhos escrevam, já que a escrita pode ser uma excelente ferramenta terapêutica.

Respeite a privacidade das pessoas, não leiam seus diários. Claro, há situações muito específicas em que a privacidade de uma pessoa pode ser violada (depressão profunda, envolvimento com drogas, etc). Caso não sejam esses os casos, não invada a privacidade alheia.

Pessoas que escrevem em diários muitas vezes desabafam coisas em momentos de intensa emoção e páginas depois mudam de opinião. Diário serve para isso também, para desabafar e escrever aquilo que você não diria pois está sob forte emoção. Quem não entende isso pode fazer interpretações equivocadas. O diário é a impressão de um momento em tintas que podem ser muito intensas e carregadas. Refletem parte da realidade de uma pessoa, mas não sua vida toda.

Escrever, pintar, dançar e outras atividades são terapêuticas. Você não precisa ser profissional e fazer super bem a ponto de ganhar dinheiro com isso. Apenas faça e permita que essas atividades melhorem sua vida. Estou muito feliz por ter superado algumas situações e por ter voltado a escrever. A escrita para mim é uma ótima ferramenta de apoio e espero que você encontre uma ferramenta para você também.

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2 Comentários

  1. Parabéns! É muito legal a sua escrita. Gosto muito. Continue!

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