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Peirópolis, distrito rural de Uberaba: história natural e turismo rural

Eu estava lendo os artigos mais recentes do periódico Terrae didática e vi um sobre o Geoparque de Uberaba-MG. Ao final do meu texto, vou referenciá-lo devidamente. No artigo, as cientistas Debora Gabriele dos Santos Pinto e Carina Mara de Souza, respectivamente da Universidade de Uberaba e da Universidade de Campinas (UNICAMP), falam da percepção do conceito de geodiversidade sob o ponto de vista de alunos de ensino médio que visitaram o Geoparque Uberaba, que é um dos seis geoparques brasileiros, sendo os demais em Araripe (entre CE, PE e PI), Seridó (RN), Caminhos dos Cânions do Sul (SC e RS), Caçapava do Sul (RS) e Quarta Colônia (RS).

Um geoparque, conforme citado pelas autoras é “um território, bem delimitado geograficamente, com uma estratégia de desenvolvimento sustentado baseada na conservação do patrimônio geológico, em associação com os restantes elementos do patrimônio natural e cultural, com vista à melhoria das condições de vida das populações que habitam no seu interior”.

Se você quiser saber mais detalhes técnicos sobre o Geoparque Uberaba, leia o artigo das pesquisadoras, onde elas avaliaram também a percepção de alunos de ensino médio sobre o conceito de geodiversidade. O geoparque recebe escolas de toda a região, o que direcionou e possibilitou a pesquisa.

Pela definição, vocês já podem supor que geoparque é um local onde o patrimônio cultural se sobrepõe ao natural, com a presença de elementos da história geológica do planeta. Uberaba é o lar do Uberabatitan, um gigantesco dinossauro que habitou aquelas terras há milhões de anos. Muitos brasileiros não sabem, mas dinossauros incríveis habitaram nosso país. Além dos dinossauros, bem posteriormente, vários grandes mamíferos como a preguiça-gigante. Também destaco os impressionantes fósseis de dinossauros encontrados na Argentina, como o Argentinossauro. Muitos leitores talvez acreditassem que dinossauros eram “coisa de estadounidense” provavelmente devido ao grande sucesso da franquia Jurassic Park. Antes de ter um filho que adora dinossauros, eu também pensava assim. Entretanto, foram encontrados muitos fósseis de diversas espécies de dinossauros no Brasil e em outros locais do sul global, fósseis esses que são estudados por paleontólogos do mundo tudo, inclusive paleontólogos brasileiros. Compreender essas coisas também é uma forma de aplicar o conceito de decolonização: coisas legais são descobertas no Brasil que também são pesquisadas e divulgadas por brasileiros.

A verdade é que os dinos habitaram o mundo todo, como destaca de maneira muito divertida Luiz Eduardo Anelli e Celina Bodenmüller no livro Dinossauros: o cotidiano dos dinos como você nunca viu. O livro infanto-juvenil conta com ilustrações muito divertidas de Biry Sarkis e procura mostrar como os dinossauros eram animais incríveis, que viveram em todos os lugares do planeta e faziam as coisas que todos os animaizinhos de hoje também fazem. Anelli é um renomado paleontólogo, divulgador científico e professor do Instituto de Geociências da USP. Em seus livros e jogos didáticos, ele sempre se preocupa em divulgar os dinossauros, sobretudo a respeito dos fósseis descobertos no Brasil.

A partir de agora, vou contar para vocês como é visitar o Geoparque Uberaba em família e a questão da definição de um geoparque, acredito eu, vai ficar muito clara. Inclusive foi o artigo científico das pesquisadoras que me fez lembrar dos passeios que fiz até esse lugar, onde pretendo voltar.

Turismo em família

Após esses breves detalhes técnicos, vou falar rapidamente sobre minhas duas visitas à Peirópolis, o distrito rural de Uberaba que faz parte do geoparque e onde há dois museus que contam com fósseis e réplicas desses impressionantes animais que lá viviam. O passeio por Peirópolis não consiste somente em ver dinossauros. Com certeza os dinossauros são o maior chamariz, digamos assim. As crianças e adultos ficam encantados quando observam as enormes estátuas de Abelissauro, Uberabatitan e outros animais bem no centro da área gramada do distrito. Essa área gramada é linda, onde é possível brincar e fazer piqueniques.

Na parte logo acima dessa área há lanchonetes e outros comércios. Por ser uma rua maior, é por lá que os ônibus estacionam quando as excursões chegam. Há uma infraestrutura com pousadas muito agradáveis e restaurantes com comida típica mineira deliciosa. A pousada onde me hospedei nas duas vezes que fui lá funciona em um casarão antigo muito agradável, onde também funciona uma chopperia e uma pizzaria (que fecham cedo). Ali na região tem também uma lojinha de doces e queijos regionais, cuja visita recomendo muito. Fui muito bem atendida em todos os lugares que fui, com todo acolhimento que é próprio da maioria dos mineiros.

Todos os lugares são muito próximos nesse ‘centrinho’ de Peirópolis e você consegue visitar os museus a pé mesmo. Outros lugares precisam de carro ou de uma caminhada maior, como a cachoeira. Eu obtive a maior parte das informações sobre a região nesse site da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). No link há inclusive os contados das pousadas e restaurantes. Se eu não me engano, havia também um link dentro do site da Prefeitura de Uberaba, que parece não estar mais funcionando. Aconselho a ligar e agendar hospedagem antes de ir até lá, porque infelizmente esse site parece um pouco desatualizado. Procure também pelo Instagram, porque há páginas das pousadas e outros comércios do lugar que geralmente são atualizadas com mais frequência.

Como vocês podem perceber, minhas fotos não estão muito boas. Eu as tirei em 2019 e 2022, com meu celular antigo. Quando fiz minhas viagens também não tinha a intenção de criar conteúdo para o blog, então a maior parte das minhas fotos contam com imagens de meus filhos, que prefiro não postar. Vamos torcer para em breve eu poder visitar o geoparque novamente :).

Acredito que meu relato e minhas dicas deixam mais claro o conceito de geoparque. Em Peirópolis, você pode vivenciar a parte cultural e também pode aproveitar os aspectos naturais, conhecendo tanto os elementos naturais atuais e antigos da paisagem. Tudo isso, dentro de um contexto de turismo sustentável e desenvolvimento da comunidade.

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PINTO, Debora Gabriele dos Santos; SOUZA, Carina Mara de. Avaliação Formativa e Geodiversidade: uma abordagem integrada no contexto escolar do Geoparque Uberaba (MG). Terrae Didatica, Campinas, SP, v. 22, n. 00, p. e026009, 2026. DOI: 10.20396/td.v22i00.8681844. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/td/article/view/8681844. Acesso em: 4 maio. 2026.

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