| | |

Quem está na chuva, vai se molhar.

Recentemente eu estava em uma aula e um professor disse que quem chega na pós-graduação, principalmente na pós stricto sensu (mestrado e doutorado) precisa entender que críticas fazem parte do processo.

Não é fácil ouvir críticas, principalmente se você tem a autoestima muito abalada. Esses anos de vida me mostraram que se você tem uma autoestima intelectual muito baixa, você se cobra demais e acaba levando qualquer comentário crítico diretamente pro coração.

Na pós, seu orientador e outros professores vão te criticar porque esse é papel deles. Até alguns colegas vão te criticar. O ideal é que a gente escute essas críticas e as utilize para crescer. Eu entendo que algumas críticas tem ofensas embutidas ou são somente críticas vazias. Acredito que é aí que precisamos realmente filtrar e não permitir que elas se instalem dentro de nós de modo a se misturar com nossa essência.

Estou falando essas coisas porque esse conselho do professor me foi realmente valioso e me fez refletir sobre situações anteriores. Eu lembrei de experiências do passado, coisas de mais de 15 anos atrás de quando eu tentei entrar pro mundo acadêmico pela primeira vez. Eu não tinha nem 10% da maturidade que tenho hoje e eu me sinto muito orgulhosa ao perceber essa evolução.

Eu não sabia ouvir críticas. Eu chorava, levava tudo para o coração. Eu também evitava perguntar e propor ideias, porque eu não tinha confiança nas minhas palavras. Ora, por que perguntar se eu tinha medo de ser uma pergunta idiota? Por que propor ideias, se alguém poderia dizer que as ideias não eram tão boas ou viáveis? Hoje eu acredito em mim, acredito que tenho valor. Sei que posso e devo propor ideias e sugestões, consigo ouvir críticas e interpretá-las para o meu crescimento. Claro que passo por momentos em que minha autoconfiança é abalada, mas eu tenho me recuperado cada vez mais rapidamente dessas situações.

Cheguei até aqui com muita dificuldade, passando por diversas questões de saúde mental e crises pessoais. Houve situações tão dramáticas que enquanto eu as vivia, eu não acreditava que terminariam. Terminaram e eu estou aqui.

Não acho que sou invencível, porque isso seria confundir autoconfiança com arrogância. Mas eu acho que sou capaz de navegar por mares difíceis, sou capaz de pedir ajuda e sou capaz de estabelecer meus limites. Sou capaz de parar um pouquinho pra chorar se precisar e depois recalcular a rota.

Perder colágeno é bem ruim, mas a sabedoria que vem com o tempo tem valido muito a pena.

Posts Similares

Comente