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Reescrevendo minha mini-biografia do blog: uma reflexão interna e externa

Poster com os dizeres: Keep Calm and Carry On (Tenha calma e siga em frente)

Eu passei por mudanças muito extremas nos últimos anos. Essas mudanças vieram num assustador crescente: o filho mais velho, a redução na jornada de trabalho, o filho mais novo, a saída do trabalho e a mudança para outro Estado.

Foi quando percebi que eu precisava re-escrever minha mini-biografia aqui do blog. Eu decidi fazer isso em um dia que eu não estava muito bem porque eu me sentia extremamente desanimada. O cenário brasileiro não é o mais animador e a maioria das pessoas que eu conheço estão muito decepcionadas. Além desse drama coletivo, vivo meu pequeno universo de incertezas, inseguranças e muitas dúvidas. Eu preciso relembrar todos os dias que eu tenho um propósito muito grande e importante no que estou fazendo e preciso também relembrar diariamente que as decisões que tomei nos últimos anos continham ônus, como qualquer decisão que tomamos. Eu assumi vários riscos, deixei de lado uma carreira profissional no serviço público e isso não é fácil. Eu estou tendo que “recalibrar” meu cérebro para que as coisas façam sentido de um jeito novo.

Bom, daí que escrevi a tal minibiografia. É isso, hoje eu vivo numa cidade muito menor do que São Paulo-SP. Bom, não vou mentir: eu almejava isso. São Paulo ficou algo grande demais e não estava me fazendo bem.

Estou aprendendo muita coisa e reaprendendo tantas outras. Como eu disse, não tem sido fácil. Mas estou caminhando com muita esperança, de verdade. Acho que é isso que me faz viver bem. Veja, eu disse viver bem. Eu não acho que felicidade seja um estado eterno, todos nós passamos por altos e baixos pessoais e de vez em quando há uns baques maiores. Levando essas questões em consideração, posso dizer que vivo bem.

Há alguns dias eu estava conversando com um amigo muito querido, que também é meteorologista. Ele me mandou um link para essa reportagem do El País, que sustenta como os brasileiros estão adoecidos mentalmente. Não posso defender totalmente essa reportagem, uma vez que ela não apresenta dados concretos, indicadores de saúde mental, etc. A reportagem ouviu alguns especialistas (e alguns nem quiseram se identificar) e concluíram, mencionando um monte de notícias nefastas desse governo, que a saúde mental das pessoas piorou.

Apesar de não poder defender a reportagem totalmente, fazendo aqui um comentário meramente anedótico, posso dizer que as pessoas com quem interajo na internet e pessoalmente realmente parecem no mínimo muito desanimadas e desesperançosas. Na internet, principalmente no Twitter, os ânimos parecem mais exaltados. Há muito ódio, raiva e ressentimento. Bom, essas são minhas impressões. Só que quando eu interajo com pessoas pessoalmente, também noto um desânimo, porém as reclamações normalmente tem relação com falta de emprego ou queda nos rendimentos.

Vamos supor que sim, na média as pessoas estão desesperançosas. Bom, se for por aí mesmo, eu posso dizer que eu tenho mais esperança que a média. E essa esperança é o que me faz ter certeza que essa fase mais difícil vai passar. E aqui falo da minha fase pessoal mais difícil (momentos de muitas mudanças) e também falo que tudo vai passar de um modo geral. Vai ser difícil consertar muita coisa, mas vamos conseguir. Eu, você, todas nós, já passamos por cada coisa. Não é um sujeito inculto e seus asseclas que vão nos fazer desistir.

E acho que alguns conselhos eu posso dar. Não fique preso o tempo todo vendo notícias sobre o quanto esse governo é péssimo. Não acompanhe os comentários das notícias, não acompanhe as discussões sobre esses assuntos a todo momento. Faça um detox periódico de redes sociais. Procure hobbies e atividades prazerosas. Ria de piadas boas. Cozinhe. Dance. Veja uma série engraçadinha ou uma novela. Isso não é se alienar. Você precisa tirar um tempo para viver leve e manter sua saúde mental. Você merece e você precisa.

Imagem de abertura do texto: você conhece a história por trás da frase que ganhou várias versões por toda internet nos últimos anos? Conheça aqui a história de Keep Calm and Carry On.

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Conheça também meu trabalho no SciKids (respondo algumas perguntas de vez em quando). Em minha participação mais recente, respondi de onde vem os ventos. Confiram.

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