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Supercomputador Tupã pode ser desligado por falta de dinheiro pra pagar conta de luz

Não se parece com um computador desses residenciais! Tratam-se de 2 fileiras de torres alinhadas. Cada torre lembra uma geladeira em termos de tamanho (talvez um pouco mais alta e mais profunda). São ao todo 7 torres alinhadas em cada fileira. 

Na imagem há uma pintura nessa torres, compondo a palavra tupã e raios.

NAs torres temos processadores e outros equipamentos eletrônicos que compõe os computadores.

Se alguém precisar acessar os dados do computador, precisa fazer isso a partir de seus próprios computadores, dentro e fora do próprio INPE, mediante autorização.
upã, supercomputador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) – Foto: Reprodução – sct.ce.gov.br

O Tupã, supercomputador do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), poderá ser desligado até agosto de 2021. O motivo parece inacreditável: falta de dinheiro para pagar seu consumo de energia elétrica.

O INPE tem enfrentado sérios problemas de falta de recursos. Em 2021, o INPE recebeu R$ 44,7 milhões, frente a um total previsto de R$ 76 milhões, junto ao Ministério da Ciência e Tecnologia, de acordo com informações do Jornal da USP.

E um texto de 2018 eu contei da importância da Tupã para a previsão do tempo e do clima (leia aqui). Na ocasião, contei um pouco da história da Tupã e de como a máquina se tornou obsoleta, uma vez que não houve recursos para sua melhoria ou para a aquisição de um novo supercomputador mais avançado. Também ouvi um colega que usou o supercomputador em sua pesquisa de pós-graduação (leia aqui).

O provável desligamento da Tupã demonstra falta de planejamento do Governo Federal, pois o dinheiro para a manutenção e o funcionamento da Tupã deveria estar garantido em todos os orçamentos anuais, levando em conta inclusive os esperados aumentos na tarifa de energia elétrica que acontecem na estação seca.

Considerando que a atmosfera está em constante mudança, não ter os dados simulados pela Tupã faz com que fiquemos com um “buraco” na série de dados simulados. Isso vai prejudicar muitas pesquisas de pós-graduação, atividades acadêmicas e atividades operacionais de previsão do tempo.

Ouvido pela Rádio USP, o Prof. Dr. Pedro Luiz Côrtes, do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente da USP, destaca:

“Ficaremos com um ‘buraco’ nessas informações e isso, obviamente, vai deixar o governo desguarnecido a respeito do que vai acontecer, de quais são as possibilidades para o próximo semestre”

O pesquisador ainda destacou possíveis consequências imediatas do desligamento, que estariam relacionadas ao funcionamento do Operador Nacional do Sistema Elétrico, que coordena as atividades das usinas hidrelétricas, termelétricas e plantas eólicas:

“Isso tem um impacto muito grande na inflação: o IPCA já vem crescendo também em função do aumento das tarifas elétricas”, adiciona. O planejamento do governo em relação à agricultura e à avaliação da qualidade das safras em função dessas questões hídricas poderia afetar, por exemplo, a balança de pagamentos e as exportações. Também haveria implicação na saúde pública, segundo o professor, porque há aumento de temperatura em locais onde chove muito, contribuindo para crescimento de doenças como dengue, zika e chikungunya — que poderiam ser contidas com políticas de prevenção amparadas em dados do monitoramento.

A fala do professor nos mostra como uma boa previsão do tempo e do clima influencia diversas áreas do conhecimento e tem consequências diretas nas nossas atividades. Ao negligenciar a área de supercomputadores, o governo está deixando de investir em setores estratégicos da economia. Com planejamento, podemos antever soluções diante de cenários futuros que não são favoráveis. A previsão do tempo possibilita essa visão do futuro que poderia nos ajudar, se investimentos fossem feitos.

Com informações de Jornal da USP.

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