| | |

“Vou consultar um especialista”

Se você já assistiu *Trato Feito*, aquele programa do History Channel que mostra o cotidiano de uma famosa loja de penhores em Las Vegas, já deve ter ouvido essa frase:

“Vou consultar um especialista”.

No programa, os donos da casa de penhores falam isso quando recebem algum item cuja autenticidade e valor precisam ser comprovados. Para isso, consulta-se um especialista na área (moedas antigas, obras de arte, autógrafos, etc.) para atestar a veracidade do item.

Outro dia ouvi uma pessoa dizer que hoje em dia não se consultam especialistas, porque as pessoas estão consultando o ChatGPT para tudo. Até contei recentemente de uma pessoa que pedia conselhos amorosos para a inteligência artificial generativa.

Não sou contra a IA, já falei sobre como usá-la no planejamento das aulas, por exemplo. Por outro lado, outro dia demonstrei minha preocupação ao falar que tenho medo da IA me deixar burra. Por se tratar de um recurso novo, acredito que é bem saudável ter esses sentimentos dúbios sobre a IA generativa. Acredito que isso fomenta uma criticidade sobre esse recurso, para pensarmos inclusive nos limites morais e éticos de seu uso.

Essa história de não consultar especialistas me pegou. Já ouvi falar de pessoas que consultam a previsão do tempo pelo ChatGPT. Conselhos médicos, tem de tudo. A questão é que, dessa forma, perdemos a interação com as pessoas e as nuances que uma conversa tem. Quando eu tiro uma dúvida com um especialista, eu realizo uma troca. Troco de ideia, o especialista me corrige, ele aprende a ensinar. Recentemente, eu tive uma dúvida muito específica sobre como o ambiente contribui para as doenças nas plantas e falei com um professor. Eu poderia perguntar ao ChatGPT, mas como eu estou tendo aulas com esse professor, achei melhor interagir com ele. Dessa maneira, ele também soube um pouco mais sobre minha pesquisa e poderá me ajudar em situações futuras. Além disso, sinto que, dessa forma, estou trocando, sabe? Eu sinto que a barra de coraçãozinho e interação (alô, The Sims) está mudando, como em qualquer interação entre seres humanos.

O uso do ChatGPT e de outras IAs pode ser uma ferramenta poderosa e prática, mas é importante manter o equilíbrio. O contato com especialistas e a troca direta com outras pessoas trazem nuances que as máquinas, por mais inteligentes que sejam, não conseguem oferecer. A interação humana, com suas imperfeições e aprendizados, continua sendo insubstituível.

Ao usar o ChatGPT para melhorar seus próprios textos ou para obter informações, é importante lembrar que a IA é uma ferramenta, não um substituto para o raciocínio crítico e o aprendizado. Ela pode ser extremamente útil na geração de ideias ou na revisão de conteúdo, mas sempre deve ser usada como um complemento ao seu próprio conhecimento e criatividade. Quando usada de forma equilibrada, a IA pode te ajudar a aprimorar seu processo de escrita, sem substituir a essência do seu pensamento e esforço pessoal.

Posts Similares

Comente