Zonas Térmicas do Planeta

A Terra tem um formato que se aproxima do esférico e a principal consequência desse fato que pretendo explorar nesse texto é: ela se aquece de maneira desigual.
Aqui não vou levar em consideração que nosso planeta possui diversos tipos de cobertura (oceanos, montanhas, geleiras, florestas, pastagens, etc). Vamos pensar numa Terra toda homogênea, toda coberta por pastagem por exemplo. Sem oceanos e nem nada, apenas uma “quase esfera” toda coberta por pasto, algo bem monótono.
E vamos supor também uma situação típica dos equinócios, com os dois hemisférios recebendo a mesma quantidade de radiação solar.
O que estou propondo é um modelo simplificado da Terra. Conseguem imaginar esse tipo de situação bem simplificada? Imaginar modelos simplificadas assim é ótimo, pois isso nos permite entender um fator de cada vez. A ideia aqui é observar como a latitude influencia no clima.
Basicamente eu propus essa simplificação para falarmos de uma única coisa: radiação solar. Dentro dessas condições que coloquei, penso que podemos visualizar melhor as faixas térmicas. Melhor dizendo, zonas térmicas de nosso planeta, como na imagem que abre a postagem.
A parte próxima a Linha do Equador recebe mais radiação solar. Entre o Trópico de Câncer e o Trópico de Capricórnio temos a Zona Tropical do planeta. É a região que recebe radiação solar o ano todo e não tem aquele efeito das estações do ano bem demarcadinhas (verão quente, outono ameno com folhas caindo, inverno frio e com neve e primavera amena e florida). Nessa região, é calor o ano todo e os climas dentro da zona tropical são geralmente melhor explicados por estação seca e estação chuvosa. Na figura que abre o texto, a Zona Tropical está indicada na cor vermelha.
Na cor laranja temos duas faixas: a Zona Temperada do Norte e a Zona Temperada do Sul. A Zona Temperada do Norte é delimitada pelo Trópico de Câncer e pelo Círculo Polar Ártico. Já a Zona Temperada do Sul é delimitada pelo Trópico de Capricórnio e pelo Círculo Polar Antártico. Nas Zonas Temperadas temos as estações do ano bem demarcadas como “nos filmes de Hollywood”. Nessa faixa encontramos cidades como Nova York, onde realmente há um verão quente, um outono que vai esfriando e com vegetação perdendo as folhas, um inverno rigoroso com neve e uma primavera amena com flores.
Aqui já quero destacar que o Brasil é um país onde a maior parte do território fica em Zona Tropical, no entanto uma pequena faixa que compreende o sul de São Paulo, o sul do Mato Grosso do Sul e a Região Sul estão em Zona Temperada. Apenas estar em Zona Temperada não é determinante para que haja neve na região porque há outros fatores que determinam o clima (continentalidade, altitude, etc) e que podem dizer se há maiores ou menores chances de nevar em uma determinada localidade. Bom, em outra ocasião posso fazer um post só contando sobre esses outros fatores. Quando falamos em Zonas Térmicas, falamos em latitude, em como a latitude influencia no clima.
Considerando as Zonas Temperadas, quanto mais próximo do Círculo Polar (Ártico ou Antártico) for a localidade, mais “demarcadinhas” serão as estações do ano: ou seja, maiores as chances de termos neve no inverno (entretanto, como eu disse, há outros fatores que determinam o clima).
Vamos agora comentar a Zona Polar/Glacial Ártica e a Zona Polar/Glacial Antártica. Na figura que abre o post, essas zonas estão indicadas pela cor verde-clara. Essas são as áreas ao redor do Pólo Norte e do Pólo Sul, respectivamente. Essas áreas são realmente muito frias, e a temperatura sobe bem pouco no verão, quando parte das geleiras derrete. A vegetação dessas regiões se desenvolve apenas no verão, formadas por musgos e líquens.
Por falar em vegetação, a biodiversidade da vegetação aumenta em direção à Linha do Equador. Isso significa que em geral há muito mais espécies de plantas na Zona Tropical quando comparamos com outras regiões. Isso tem um nome: LDG ou gradiente latitudinal de biodiversidade. O naturalista alemão Alexander von Humboldt notou essa variedade e ficou tão surpreso que disse que era “um espetáculo tão variado quanto a abóbada celeste”.
“O tapete frondoso da flora exuberante cobrindo a superfície da Terra não tem uma textura única (…). O desenvolvimento orgânico e a abundância de vitalidade aumentam gradualmente a partir dos pólos em direção à Linha do Equador.”
Alexander von Humboldt em Views of Nature: Or, Contemplations on the Sublime Phenomena of Creation with Scientific Illustrations
De um modo geral, esse aumento de biodiversidade vale também para outras formas de vida (passarinhos, borboletas, fungos, etc), curiosamente, exceto para os afídios. Existem várias teorias para explicar porque a biodiversidade aumenta em direção aos polos. No livro A sexta extinção: Uma história não natural, Elizabeth Kolbert elenca algumas delas. A que chamou mais a minha atenção foi uma teoria proposta por Alfred Russel Wallace (rival de Darwin) que sugere que as Zonas Temperadas ficaram por muito tempo cobertas por uma camada espessa de gelo na última glaciação (uns 20 mil anos atrás). Enquanto isso, havia vegetação na Zona Tropical. Sendo assim, a vegetação da Zona Tropical teve mais tempo do que as Zonas Temperadas para formar sua diversidade.
Curioso, não? Eu ia falar apenas sobre as Zonas Térmicas da Terra e acabei lembrando desses detalhes de dois livros com os quais tive contato recentemente. Eu li o livro da Elizabeth Kolbert e acabei pesquisando em muitos outros livros indicados na bibliografia. Kolbert faz uma excelente revisão bibliográfica das últimas extinções em massa e mostra relatos de trabalhos de campo que ela acompanhou com outros pesquisadores, que indicam que estamos vivendo uma sexta extinção em massa, com as mudanças climáticas provocando uma perda da biodiversidade. Bom, tem muito assunto para outros textos. E espero que você tenha encontrado aqui suas respostas pera perguntas sobre as Zonas Térmicas da Terra.
Se puder, manda um pix: samanthansm@gmail.com.

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