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Temporada de furacões de 2018 – Alberto, a primeira tempestade da temporada

Feito com o Canva

As previsões da quinta-feira (23/05) apontavam alta probabilidade de desenvolvimento de tempestades o Golfo do México para o fim de semana. E foi de fato o que ocorreu, com o desenvolvimento da tempestade tropical Alberto (que agora é tempestade subtropical, devido sua atual localização).

Figura 1: Informações do site do NHC para a manhã do dia 28/05/2018 (4:44 EDT) – região do Golfo do México + Atlântico Norte
Figura 2: Imagem do satélite GoesEast de 28 de maio de 2018 (11:57 UTC ou 8:00 EDT) mostrando que Alberto tem uma ligeira organização ciclônica (veja o giro), porém não exibe a estrutura clássica de um furacão (mais organizado e com a presença de olho – região central sem nebulosidade)

Aproveitando a tempestade subtropical Alberto, vamos falar dos estágios de desenvolvimento de um furacão e é por isso que destaco a Figura 2 acima. Observem que nela podemos ver que Alberto apresenta um giro ciclônico, como uma tentativa de se organizar como um furacão (que é aquela estrutura clássica mais organizada e com a presença de olho – região central sem nebulosidade – que os furacões exibem).

Alberto chegou ao estado de tempestade tropical (e depois, tempestade subtropical) apenas, com ventos máximos de até 100 km/h. São ventos consideráveis, que podem quebrar galhos de árvores e até estragar telhados. Dentro da Escala Beaufort, essa velocidade enquadra-se em tempestade ou quase tempestade violenta (veja na tabela correspondente nesse post).

Quais os estágios de desenvolvimento até chegar em um furacão?

Eu falei sobre o assunto nesse post, mas vou tentar resumir por aqui também. São basicamente 4 estágios, seguindo a seguinte sequência: distúrbio ou perturbação tropical (1), depressão tropical (2), tempestade tropical (3) e furacão (4). 

Primeiro estágio: distúrbio ou perturbação tropical. 

De acordo com as definições do NHC, se uma área de tempestade já tem mais de 24h de duração, já pode ganhar o status de perturbação tropical. Repare na imagem abaixo que a perturbação tropical já começa a ter um aspecto de furacão, mas ainda não tem o olho característico.

Figura 3: Primeiro Estágio – Perturbação Tropical. Imagem mostrando uma típica pertubação tropical. Fonte: NOAA

Nem toda perturbação tropical torna-se furacão. Muitas vezes ela se desloca para o continente e perde força ou se desloca para águas mais frias. No entanto, as chuvas torrenciais associadas a ela podem ser motivo de transtorno.

É necessário perceber que as ondas de leste se deslocam (lembrem, a Terra faz o movimento de rotação e carrega tudo com ela) e o distúrbio provocado por elas se desloca junto. Assim, a perturbação tropical, a tempestade tropical ou o furacão vão se deslocando com as ondas de leste. Usando modelos computacionais que descrevem a física da atmosfera é possível prever a trajetória dos furacões usando como base o deslocamento das ondas de leste (falo sobre ondas de leste nesse post).

Segundo estágio: Depressão tropical

Conforme os ventos vão se fortalecendo e uma rotação vai se desenvolvendo, uma perturbação tropical pode se tornar uma depressão tropical. Os ventos precisam estar acima de 37 km/h para que ganhe o status de depressão tropical. A depressão tropical ganha um número e só vai ganhar o famoso nome se tornar-se tempestade tropical, como veremos as seguir.

Lembrando que o termo depressão significa baixa pressão. Em outras palavras, uma área de pressão mais baixa já fica mais nítida, com isóbaras (linhas de mesma pressão) em superfície reduzindo seu valor em direção ao centro.  Isso fica ainda mais marcado quando ganha o status de furacão (quarto estágio).

Terceiro estágio: Tempestade tropical (ou Tempestade Subtropical, se ela se deslocar para fora dos trópicos)

Se os ventos se fortalecerem e conseguirem manter-se a uma velocidade superior a 63km/h, o NHC promove a depressão tropical e ela passa a se chamar tempestade tropical. Tempestades tropicais já tem um nome, de acordo com as listas estabelecidas pelo NHC (eu falei sobre os nomes nesse post).

Falei sobre os nomes das tempestades tropicais e furacões especificamente para a temporada de 2018 nesse post.

Analisando apenas as imagens de satélite muitas vezes não dá para distinguir entre uma perturbação tropical, depressão tropical e uma tempestade tropical, o que vai nos ajudar a determinar o estágio de desenvolvimento são informações sobre a velocidade do vento, obtidas a partir de radares meteorológicos, por exemplo, além das cartas sinóticas. Claro que meteorologistas operacionais treinados poderão ter uma boa ideia apenas vendo a imagem de satélite, pois vão observar indícios da organização da tempestade. Um furacão é bem característico e bem organizado, possuindo um “olho” (mencionarei adiante). E quanto mais próximo desse formato que apresenta um “olho”, mais adiantada e mais próximo do status de furacão o fenômeno está.

Um atual exemplo de tempestade tropical é Alberto (Figura 2), conforme destacamos anteriormente.

Quarto estágio: Tempestade tropical (ou Tempestade Subtropical, se ela se deslocar para fora dos trópicos)

Depois de todos os estágios mencionados, temos finalmente o furacão.

O furacão é o mais fácil de ser identificado a partir de uma imagem de satélite: basta ter o olho característico. O olho é uma região aproximadamente circular, com diâmetro entre 20km e 60km. No caso do recente Furacão Irma, chamou a atenção a imagem de satélite que indicava o momento em que o olho do furacão passava sobre a Ilha de Barbuda: o olho do Furacão Irma tinha tamanho comparável ao da Ilha de Barbuda:

Figura 4: Ilha de Barbado dentro do olho do Furacão Irma. Imagem de 6 de setembro de 2017. UNIVERSITY OF WISCONSIN/CIMSS. Mashable

Eu apenas destaquei o Furacão Irma porque evidentemente ainda não temos nenhum exemplo de furacão para a temporada de furacões de 2018.

O olho do furacão é o centro da tempestade: é onde a pressão atmosférica é menor, podendo ser até 15% menor do que nas extremidades da tempestade e em termos de pressão, essa variação é muito considerável.

Em furacões intensos, o olho é caracterizado por céu claro (ou quase claro, com poucas nuvens) e ventos moderados, todo rodeado por uma parede de nuvens muito alta e simétrica.

Normalmente, quanto mais intenso o furacão, mais circular será o seu olho. O olho poderá ser oblongo e irregular em furacões de categoria 1 ou 2. Lembrando que falei sobre as categorias que definem a intensidade do furacão (Escala Saffir-Simpson) nesse post. Ou seja, um olho menos regular ou longo poderá significar um furacão fraco ou em processo de enfraquecimento.

Não vou dar muitos detalhes sobre essa parte interessante do furacão, que é seu olho. Se quiser saber mais sobre como é a estrutura do olho de um furacão, leia esse post onde explico isso em mais detalhes. Dependendo das coisas que a gente ver ao longo da temporada de furacões de 2018, pode ser que eu volte a falar mais sobre o olho dos furacões.

Concluindo

Bom, acho que fica bastante claro que tempestades tropicais (e subtropicais) são bem menos intensas que os furacões. Tempestades tropicais também fazem seu landfall no continente. Quando atingem o continente, assim como os furacões, elas perdem sua fonte de energia (evaporação da água do mar). A tempestade subtropical Alberto está no momento atuando na região de Florida Panhandle, parte mais a oeste do Estado da Florida. É provável que as chuvas e ventos também atinjam os Estados vizinhos do Alabama e da Georgia. As pessoas poderão ter alguns transtornos (ventos, árvores que podem quebrar-se, etc), mas nada comparado a um furacão.

Uma tempestade tropical não se tornou um furacão porque não encontrou condições perfeitas para esse desenvolvimento. O meteorologista Michael Ventrice, em sua conta no Twitter, destacou que a temperatura da superfície do mar na região do Golfo do México e do Atlântico está um pouco baixa quando comparamos com o usual da época e temperaturas mais baixas não favorecem o desenvolvimento de furacões.

Sendo assim, pode ser que não tenhamos uma temporada de furacões muito ativa quando comparamos com a média (outros anos). Alguns meteorologistas já falam em uma temporada de furacões dentro da média. Vamos continuar acompanhando e aguardando, sempre torcendo para que os trabalhos de aviso à população sejam eficientes.

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