Como o furacão é formado?

Antes de qualquer coisa cabe destacar que esse post é uma versão simplificada e um pouco modificada desse post aqui que tem exatamente o mesmo título onde também explico como furacões se formam.
Eu decidi revisitar esse assunto porque recebemos a mesma pergunta no Scikids: como o furacão é formado?
Como eu sempre escrevo as minhas respostas antes de gravá-las, decidi que vale a pena transcrever minhas anotações em papel para um post, assim mais gente pode ter acesso a esse conteúdo. Além disso, pode ser que meu registro em papel se perca e eu acho bacana tê-lo em versão digital também. Por que não compartilhar?
Então vamos lá!
***
Furacão, ciclone tropical e tufão são o mesmo fenômeno. É muito importante já começarmos destacando isso porque ouvimos todos esses termos na mídia. Tornado é outro fenômeno completamente diferente (falei sobre isso aqui) e portanto não falaremos dele nesse post
Outra expressão que também é muito utilizada é ciclone extratropical. Bom, ciclone extratropical nada tem a ver com furacões. Você certamente já ouviu esse termo na TV, quando a previsão do tempo fala sobre a chegada de uma frente fria. Ciclones extratropicais acompanham frentes frias e podem causar as famosas ressacas no litoral. No entanto, esse fenômeno não é um furacão e é bastante importante deixar isso claro.
Furacões se formam nas águas quentes dos oceanos tropicais e os cientistas observaram que se a temperatura da superfície do mar for maior que 27ºC, maiores as chances de um furacão se formar. Os cientistas também observaram que o local precisa ter ventos que não variem muito com a altura (ou seja, pouco cisalhamento vertical). Se o local tiver ventos que variem muito com a altura, as nuvens que formam o furacão terão dificuldade de se desenvolver.
Os meteorologistas, que são os cientistas que estudam os furacões e monitoram as áreas onde eles se formam, observam bastante onde esses fenômenos se formam e mantém todos esses registros bem anotados ao longo dos anos. Assim, eles sabem os locais onde o oceano é mais quente e também onde há pouco cisalhamento vertical do vento. No entanto, é preciso dizer que o fenômeno não nasce pronto, já como um furacão: ele se desenvolve aos poucos e todo processo desde o ‘nascimento’ do furacão (quando ele começa como uma perturbação tropical) até sua ‘morte’ (quando ele já é um furacão e se dissipa) pode durar cerca de 10 dias.
Bom, o fenômeno começa como uma área chamada perturbação tropical, área de baixa pressão atmosférica onde uma tempestade começa a se formar. Se essa tempestade ganhar força, ou seja, se ela for ficando com ventos mais fortes, ela evolui para depressão tropical. Se a depressão tropical começar a se organizar e começar a parecer ter um formato mais circular (se a gente olhar de cima, a partir de uma imagem de satélite) teremos uma tempestade tropical. Caso essa tempestade tropical fique ainda mais organizada, com ventos mais fortes e com um formato circular bem definido contendo um ‘olho’ no centro, então teremos um furacão.
Nesse post eu explico em detalhes e como imagens como um furacão se forma e dou especial destaque para o olho do furacão, falando sobre o paredão de nuvens e o ciclo de substituição dessa parede de nuvens. Clique aqui, leia e aprenda mais sobre esse interessante aspecto dos furacões.
Sendo assim é importante deixarmos claro que há quatro estágios de desenvolvimento dos furacões: perturbação tropical (1), depressão tropical (2) , tempestade tropical (3) e finalmente, furacão (4). Coloquei os números em parênteses justamente para dar essa ideia de sequência, mas é importante deixar claro que nem toda perturbação tropical vai chegar a ser furacão. O processo pode ser interrompido no meio, pois o fenômeno se desloca e pode encontrar uma área de águas mais frias ou com cisalhamento do vento e se dissipar.
Se chegar a se desenvolver até o estágio de furacão, o fenômeno “morre” assim que atinge o continente ou caso chegue a uma região de águas mais frias, pois em qualquer uma dessas duas situações perde seu “combustível”, que é o calor latente de evaporação. Lembre-se, o fenômeno não permanece parado: ao longo de seus estágios de desenvolvimento, ele se desloca junto com a rotação da Terra.
Frequentemente recebo perguntas sobre o “grau de destruição” de um furacão. Eu falei sobre a Escala Saffir-Simpson nesse post, onde mostro que as categorias de um furacão tem direta relação com a velocidade máxima dos ventos associados ao fenômeno. Ventos mais fortes causam maior destruição, claro. Só que é importante observar que um furacão categoria 4 ou 5 pode ficar apenas no mar e logo se dissipar ou atingir regiões da costa desabitadas. Nesses casos, apesar de ser um fenômeno com enorme potencial destrutivo, não vai causar danos.
No Brasil, furacões são fenômenos muito raros e há na verdade apenas um registro oficial de furacão. Trata-se do Furacão Catarina, que atingiu o litoral de Santa Catarina em 2004. A literatura muitas vezes trata esse fenômeno apenas como Ciclone Catarina, pois muitas vezes o termo furacão é associado apenas aos ciclones tropicais que acontecem no Golfo do México e no Atlântico Norte.
Eu já falei sobre essa questão dos nomes (furacão, tufão e ciclone tropical, que são sinônimos) em vários posts. Indico esse caso você tenha dúvidas sobre esses termos.
O litoral brasileiro raramente encontra as condições necessárias para o desenvolvimento de um furacão e o Catarina foi um caso raro. A propósito, o fenômeno ficou conhecido por esse nome porque ocorreu na costa de Santa Catarina, porém atualmente ciclones tropicais e subtropicais na costa brasileira também podem ganhar nomes e eu falei sobre isso nesse post, contando que a Marinha Brasileira faz o monitoramento e pode dar nomes aos fenômenos.
Por falar em nomes, muitos de vocês já devem ter reparado que os furacões tem nomes. Bom, essa história é bem longa e convido vocês a lerem esse post onde falo sobre o assunto. No entanto já adianto que não são usados apenas nomes de mulheres (no Atlântico Norte as listas alternam entre nomes femininos e masculinos) e o uso de nomes é no intuito de facilitar a comunicação dos alertas a respeito dos fenômenos.
Para finalizar, é importante destacar que as imagens de satélites meteorológicos e a previsão do tempo ajudam a determinar os locais onde os furacões estão se desenvolvendo e prever quais áreas eles atingirão. Isso é muito importante, pois ajuda a evitar mortes. Ao saber que um furacão vai atingir uma determinada cidade litorânea, as autoridades podem evacuar áreas e preparar abrigos para que as pessoas possam ficar. A previsão do tempo realmente salva vidas.
Bom, espero que tenham gostado do post e toda vez que eu falar sobre alguma coisa para o SciKids eu corro aqui para escrever também. Há quem prefira ouvir a resposta e há quem prefira ler, pois posso usar recursos de hipertexto e indicar os links.
Links:
- Listas de nomes dos furacões (Atlântico)
- Bacias de formação de ciclones tropicais
- Estágios de um furacão (em inglês)
- Dando nomes a ciclones tropicais: história e curiosidades
- Furacão Catarina
Scikids
Eu respondi essa pergunta no Scikids e eu já dei outras contribuições a esse maravilhoso podcast do Portal Deviante. Baixe os episódios do Scikids para ouvir no caminho de casa até a escola, para ouvir no trânsito, para ouvir em casa junto com a família, etc. É um programa super gostoso de ouvir, divertido e muito informativo onde cientistas respondem perguntas dos pequenos ouvintes.
Radar Meteorópole
Seguindo a sugestão do Vinícius, vez ou outra vou procurar indicar links interessantes no final dos meus textos, falando sobre coisas que li e indicando textos que não necessariamente tenham a ver com o post.
- Post da Marrie Ometto sobre organização durante a mudança, com importantes dicas. Eu vou falar desse post de novo mais para frente, pois estou mudando de endereço.
- Dicas de como identificar PANCs comuns. Muitas plantinhas nascem espontaneamente em nossos quintais e muitas delas são comestíveis. A Carla dá várias dicas ótimas lá no Outra Cozinha.
- Eu baixei e estou usando o app PlantNet que vai te ajudar a identificar espécies de plantas. Ou seja, essa dica orna com a dica do link anterior, então você poderá identificar as plantas de seu quintal com mais facilidade.
- Ensinando sobre Mudanças Climáticas para as crianças sem deixá-las assustadas (em inglês). Texto ótimo e que soma ao que escrevi recentemente.
Livro recomendado
Vou falar de um livro em português que é super recomendado para quem está iniciando seus estudos em Meteorologia. Meteorologia: noções básicas conta com um time de autores excelentes (Rita Yuri Ynoue, Michelle S. Reboita, Tércio Ambrizzi, Gyrlene A. M. da Silva), todos professores de cursos de Meteorologia de diversas regiões do Brasil.
Hoje, o jornal em qualquer mídia apresenta e explica a dinâmica meteorológica. Embora façam parte de um sistema complexo, os fenômenos meteorológicos são apresentados nesta obra de forma simples e didática, desde os conceitos básicos de composição e estrutura da atmosfera até a previsão do tempo e do clima e as mudanças climáticas. {x}
Vale muito a pena comprá-lo! Na obra, há material introdutório sobre ciclones tropicais. Um excelente ponto de partida, sem dúvidas. Comprando o livro a partir do meu link, você ajuda na manutenção do Meteorópole, já que eu recebo uma pequena comissão. É uma maneira de ajudar o blog, pois como disse aqui, é através das propagandas que o site se mantém.
Eu recomendo esse livro com bastante frequência porque ele realmente é muito bom. Eu o recebi na versão digital e na versão física e em várias ocasiões ele me serviu como consulta rápida para elaborar um texto aqui para o blog ou para tirar alguma dúvida sobre meu trabalho. Recomendo sempre. E se preferir, pode comprá-lo na Amazon também pois também recebo comissão.
Ajudando o blog de outras formas
Além de comprar os livros e outros produtos que indico a partir dos links daqui do blog, você pode doar pelo PayPal (qualquer quantia já ajuda no café) e para isso basta clicar no link.
Se você está sem grana sobrando e gosta do meu conteúdo, compartilhe meus links com as pessoas que você conhece e que possam se interessar. Por favor, compartilhe os links de coisas que você gosta (não apenas meu blog). Jamais copie e cole todo o conteúdo.
Minha lojinha no Repassa
Se você gosta da proposta de reaproveitamento e economia, sempre pensando no meio ambiente e no bolso, confira minha lojinha no Repassa.
Sobre a imagem que abre o post: Ilustração minimalista de um furacão. É importante destacar que essa imagem também pode ser usada para ilustrar um tornado, porém volto a repetir que tornados são fenômenos diferentes de furacões (falei sobre isso aqui). Ocorre que os dois fenômenos são giratórios, então se não tiver nada comparando a questão do tamanho, podemos usar um mesmo ícone para ilustrar o fenômeno artisticamente. Cortesia de Stock Unlimited


1 Comentário