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Maternagem: Há diversas maneiras de se fazer a coisa certa

Gestante zen praticando ioga. Cortesia de Unsplash.
Gestante zen praticando ioga. Cortesia de Unsplash.

Eu não gosto da abordagem de alguns blogs maternos. Não me levem a mal, eu até leio alguns blogs muito bons nesse nicho e algumas amigas minhas tem ou tiveram blogs nessa área. Eu mesma me aventuro em escrever sobre o tema vez ou outra e estou agora mesmo escrevendo esse texto, não é mesmo?

Bom, fica mais fácil se eu falar para vocês do que eu gosto. Eu gosto de textos bem escritos, com boas pesquisas, com links e recomendações de leitura, sempre escritos com humildade e com responsabilidade. E por que coloquei humildade na equação? Pois bem, nem tudo é um padrão absoluto e muitas mães acabam (até sem querer) acreditando que apenas seu jeito de criar os filhos é o correto.

Quando falamos de Ciências, estamos falando em procedimentos e metodologia. Estamos falando em várias reproduções de um experimento bem descrito e em resultados que levam a conclusões semelhantes. Mas quando falamos na criação dos filhos, não é tão simples assim.

Acredito que muitas variáveis influenciam na criação dos filhos. Não tenho uma vasta experiência no assunto ainda, meus filhos são bem pequenos. Porém penso que algumas coisas podem ser mais ou menos previstas. Por exemplo, se você trata seu filho com carinho é bastante provável que ele se torne uma pessoa carinhosa. Mas ainda assim, haverá outras influências na vida da criança que poderão fazer com que ela se torne um adulto completamente diferente do que você imaginava. O que me faz pensar: será que eu sou aquilo que meus pais imaginaram ao me olharem quando eu era uma bebê indefesa nos braços dele? Provavelmente não.

Sendo assim, quando leio um texto onde a mãe parece garantir ter uma resposta definitiva para um questionamento qualquer sobre a criação dos filhos, eu fico pensando que está faltando humildade. Além de humildade, falta o reconhecimento de que somos cercadas por diversas realidades. E isso faz com que falhemos em reconhecer que existem várias maneiras de fazer o bem, de fazer a coisa certa, de criar bem os filhos. Talvez essa falta de humildade tenha realmente tudo a ver com a ignorância acerca das diversas realidades que nos rodeiam.

Penso que em vários momentos na vida agimos com arrogância e há diversas maneiras de explicar esse comportamento. Pode ser imaturidade da juventude ou até mesmo uma defesa para nos validarmos. Muitas mães por exemplo não tem sua maternagem reconhecida pelo companheiro, por familiares e pela sociedade, então expor suas “verdades” em redes sociais acaba servindo como uma autovalidação ou autodefesa. Acredito que todo mundo já se comportou assim e não necessariamente no quesito maternagem.

Em minha primeira gestação, eu agi assim e eu também fui vitimada pela “espiral da arrogância”. Com muitas dúvidas dentro de mim sobre a melhor maneira de criar meu filho e na sanha pelas melhores respostas para qualquer dilema trivial, acabei participando de grupos de mães. Aprendi algumas coisas interessantes, mas muitas vezes me senti pequena e inadequada. E muito provavelmente fiz alguém se sentir assim também. E eu até já contei para vocês sobre esses grupos maternos e sobre como eles não me fizeram bem (leiam aqui).

Tenho um filho de 3 anos e outro de 2 meses. Tenho dúvidas o tempo todo! Hoje, dependendo da dúvida, pergunto para a pediatra deles ou recorro a sites com uma abordagem científica (que cita artigos ou consulta profissionais). Se for uma dúvida mais subjetiva, que tem a ver com cultura familiar, penso nos meus pais e também sigo minha intuição de mãe. Sei que muitos dos meus leitores são fiéis seguidores do pensamento científico e é estranho ler que alguém que divulga ciências costuma “usar a intuição”. Vamos então chamar de bom senso e talvez a tal intuição seja isso. E penso que o bom senso é construído com a experiência, boas leituras e humildade.

Indicando livros

Hoje vou indicar um livro bem interessante. É “Meu filho não come!”, do Dr Carlos Gonzales:

Eu li esse livro no comecinho da introdução alimentar do meu filho mais velho e eu gostei muito. É aquele tipo de leitura leve, que não faz você se sentir completamente inadequada e nem dita regras rígidas sobre o tipo de alimentação das crianças. O livro propõe estratégias de fácil aplicação para que seu filho aprenda a se alimentar bem e carregue esse hábito para toda a vida.

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