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Minha cidade é melhor que a sua. Será?

Céu azul do Cerrado, com algumas nuvens altas do tipo Ci (Cirrus). Acervo pessoal

Desde que me mudei de São Paulo para Minas Gerais, tenho passado por algumas situações que evidenciam bastante o preconceito. Como tenho parentes, amigos e conhecidos em São Paulo (na capital e em cidades do interior), vez ou outra percebo alguma atitude bem sutil de preconceito com relação ao local.

Penso que esse preconceito surge da ideia que o paulistano ama sua cidade e jura que é a melhor do Brasil e talvez até do mundo (vou falar principalmente do paulistano porque eu nasci e vivi por muitos anos em São Paulo-SP). Só paulistano pode falar mal de São Paulo. Se você é de fora da cidade e fala mal, você está sendo ingrato com a oportunidade que a cidade está te dando.

Alguns paulistanos mais velhos ainda se apegam à ideia de São Paulo como a grande locomotiva do país. Esse conceito é tão entranhado nessas pessoas que elas já enxergam qualquer cidade como sendo inferior.

São Paulo tem muitas coisas boas e isso é indiscutível. Oportunidades de emprego, lazer, alimentação, estudos, etc. Mas há coisas boas em outras cidades também. E eu digo mais: há coisas até melhores em outras cidades. Quando eu me mudei para cá, eu perdi algumas coisas, mas saí com a ideia de poder ganhar outras coisas (e nem falo especificamente de coisas materiais). Infelizmente apareceu uma pandemia no meio do caminho e eu fico muito tempo dentro de casa, o que limitou algumas experiências, mas esperançosa que sou, sei que isso vai passar e eu vou poder conquistar o que tanto desejo. Quer saber? Eu já estou no processo de conquista dessas coisas, é que está tudo devagarzinho para assentar bem.

Minha cidade está com a vacinação contra o coronavirus mais atrasada que São Paulo-SP. Eu me vacinei 3 ou 4 semanas depois dos meus amigos que moram em São Paulo. Fiquei chateada com isso, mas sabe? Aqui a agente de saúde conhece a todos pelos seus nomes. Ela sabe que eu vim de São Paulo e tenho 2 filhos. Os agentes foram na casa das pessoas entregar o comprovante de agendamento da vacinação, eles vão nas casas das pessoas para lembrar que os filhos precisam se vacinar. Eu queria que tivesse vacina antes e pra todo mundo da mesma maneira, mas acho que vocês entendem onde quero chegar: aqui há mais acolhimento.

Aqui as pessoas conversam com você e te chamam para as casas delas. Uma pessoa tenta ajudar a outra de alguma maneira, perguntam se você está bem, pedem sal pro vizinho. Meu filho foi convidado para festas de aniversário em nosso primeiro mês aqui (antes da pandemia, claro).

Fofoca? Pessoas assumindo coisas sobre sua vida? Julgamentos? Isso tem em todo lugar. Não ache que em São Paulo você está livre disso, a única coisa é que por lá você é mais anônima (estou falando da capital, claro). Acredito que a gente tem que aprender a viver com essas coisas, não reproduzi-las e observar que a sociedade está em constante mudança.

Eu sinto falta de São Paulo. Sinto nostalgia pelo passado, de todas as experiências que vivi lá. Mas é uma nostalgia que em sua maior parte é boa, sabe? São aquelas lembranças boas que ficam. Sinto falta de minha família de lá e de meus amigos e isso tem sido bem forte durante a pandemia. Mas eu gosto daqui. Quero viver mais aqui, quero atingir meus objetivos ao lado de minha família, quero crescer como ser humano, quero aprender mais sobre o Brasil.

Não sei quanto tempo ficarei por aqui. Podem ser alguns anos. Podem ser décadas. Mas no tempo que eu ficar aqui, quero crescer. E quero isso em qualquer lugar onde eu estiver. Como uma semente. Anyway the wind blows…

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