Foi o meu cacto-candelabro que se deu bem no Cerrado

Há dois anos escrevi um post falando de uma das plantas que tenho aqui em casa, a Euphorbia trigona. Comprei essa planta no supermercado, acredito que em 2014. Na ocasião, ela tinha cerca de 10cm (sem contar o vaso). Ela ficou por cerca de 4 anos na janela de um escritório, recebendo pouca luz solar e muita umidade.
Eu saí de São Paulo e a trouxe comigo para o Triângulo Mineiro. Nós duas mudamos de bioma: saímos da Mata Atlântica mais fria e úmida e chegamos ao Cerrado seco e quente. Eu tive e ainda tenho muitas dificuldades para me adaptar aqui, mas a plantinha está se saindo muito bem: em 2021 tinha cerca de 1,0m e atualmente tem 1,5m.
Talvez eu seja uma planta de mais difícil adaptação.
Eu olho para ela e tento aprender alguma coisa, talvez eu esteja crescendo e não perceba, apenas porque eu e a plantinha estamos crescendo juntas de jeitos diferentes.
Quero muito acreditar nisso.
Há muitos anos eu lia blogs de pessoas que em um determinado momento mudavam-se de cidade ou até mesmo de país ou simplesmente mudavam as circunstâncias de suas vidas, porque muitas vezes acontecem coisas que nos deixam sem escolhas. Algumas eram muito sinceras e narravam as dificuldades dessa nova vida. Outras agiam como pollyannas e preferiam dizer que tudo estava indo muito bem e que a vida era cor-de-rosa. Geralmente – e acho que fui treinada para isso – eu procurava ver o lado bom e achava até de mal gosto quando a pessoa reclamava, porque não estava usando aquela dificuldade para crescer.
Era como se eu tivesse a certeza absoluta de que aquela pessoa não estava crescendo, simplesmente por não ver isso com meus olhos míopes, por receber pouca informação (as pessoas não compartilham tudo por aí) e por não conseguir ler nas entrelinhas. Como se a pessoa não tivesse o direito de reclamar da vida e ao mesmo tempo crescer.
O tempo passou e eu compreendi que só conseguimos enxergar as superfície das coisas e isso pode nos tornar pessoas injustas, cruéis e sem empatia.
Quando penso nessas coisas, concluo que também estou crescendo no Cerrado. Também entendi que reclamar faz parte do processo de crescimento e que nos ajuda a observar o que não está bom. Observar a realidade material é o primeiro passo para buscar as mudanças e alternativas.
