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Araucárias, cerejeiras e Minecraft

Uma fileira de araucárias e um lindo bosque de cerejeira imediatamente morro acima. Eu acabo de fazer uma descrição simples do Bosque das Cerejeiras lá do Parque do Carmo. Não consegui tirar uma fotografia que mostrasse exatamente o que vi, então para abrir o post eu coloquei essa imagem que mostra uma imponente araucária, com algumas árvores ao fundo dela e algumas cerejeiras logo à sua frente.

Essas cerejeiras foram plantadas para celebrar a amizade e as relações históricas entre o Brasil e o Japão, evidentemente não são nativas de qualquer um dos biomas brasileiros. A araucária por outro lado faz parte do Domínio Morfoclimático das Araucárias que é característico de grandes áreas da Região Sul do Brasil (principalmente do Paraná).

A vegetação precisou ser removida para que as cerejeiras fossem plantadas no parque. No entanto, as araucárias são árvores ameaçadas de extinção (o Domínio Morfoclimático das Araucárias já teve área maior) e felizmente não podem ser removidas. Dessa maneira, a decisão que certamente os biólogos, engenheiros florestais e outros profissionais envolvidos no plantio das cerejeiras tomaram foi a de manter as duas espécies próximas, espécies que nunca se encontrariam naturalmente, mas o ser humano foi lá e deu um jeito de forçar a amizade. Bom, funcionou, já que o bosque é lindo e esse contraste é muito interessante.

Sendo assim, a partir dessa constatação temos que pontuar algo muito importante para a Geografia: a paisagem da foto que abre o post não é uma paisagem natural. Além das evidentes cerquinhas feitas por mãos humanas que aparecem na foto, temos também esse encontro entre uma espécie originária da Ásia e outra originária da América do Sul. Esse encontro de titãs foi orquestrado por mãos humanas, pelo trabalho de seres humanos. Portanto, trata-se de uma paisagem antrópica.

Só tem araucária na Região Sul?

Em Os Domínios de Natureza no Brasil, Aziz Ab’Sáber menciona os encraves distantes de araucárias que são as áreas de mais altitude no sul de Minas Gerais e São Paulo onde também podemos encontrar essas majestosas árvores. Por exemplo, é comum encontrarmos araucárias em Monte Verde-MG ou em Campos do Jordão-SP. Eu já vi algumas árvores em parques de São Paulo (como o Parque Estadual das Fontes do Ipiranga e o Parque do Carmo como mencionei) e também já encontrei algumas em algumas cidades do interior de São Paulo ao redor de Campinas.

Quando falamos em Domínios Morfoclimáticos, nos referimos a um tipo de paisagem que predomina em uma região, algo que caracteriza essa região. Há araucárias aos montes em várias cidades do Paraná, caracterizando a paisagem. Já nesses encraves mencionados, há uma ou outra ou um pequeno grupo em meio a muitas outras árvores de diversas espécies.

Mulher, e o Minecraft?

Como fã do jogo, ao observar essa foto que tirei e ao passar algum tempo lá no Bosque das Cerejeiras, pensei em Minecraft.

Quem já jogou Minecraft observou como a transição entre os biomas do jogo pode ser abrupta e muito engraçada. Por exemplo, existem situações como transição entre floresta tropical e Tundra, com blocos de gelo se misturando em meio aos blocos com bambu plantado.

A floresta de cerejeiras (ou cerejal) foi adicionado recentemente no Minecraft. Infelizmente não temos bioma com araucárias no jogo, mas temos a taiga que conta com pinheiros. Fiquei olhando a paisagem e imaginei algo semelhante acontecendo em mapas que joguei.

Na vida real, temos as faixas de transição entre os Domínios Morfoclimáticos. A faixa de transição mais notável no Brasil é a Mata dos Cocais, que fica na transição entre os domínios Caatinga, Amazônico e Cerrado. As palmeiras que se destacam na Mata dos Cocais são a carnaúba, o babaçu e o buriti.

Em outras palavras, a transição entre os Domínios Morfoclimáticos é gradual (como tudo na natureza) e também oferece paisagens únicas. O Minecraft não consegue oferecer essa mesma experiência, mas ajuda os estudantes a compreenderem o que é paisagem e o que são biomas.

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