Furacão em São Paulo-SP? Claro que não!

Uma das coisas que sempre tento combater aqui no blog, pelo menos quando tenho tempo e energia para falar sobre isso, é o sensacionalismo na cobertura de informações meteorológicas. Além do sensacionalismo, também me preocupa a informação sendo divulgada sem fundamentação científica ou sem clareza. Bom, geralmente essas problemáticas se mesclam, com certeza meus leitores já devem ter observado coberturas sensacionalistas cheias de informações incorretas, seja na Meteorologia ou em outras áreas.
Eu não sou especializada em comunicação, deixo isso para os jornalistas. No entanto, é inegável que os jornalistas precisam trabalhar de maneira alinhada aos meteorologistas para informar de maneira direta, precisa e respeitosa.
A imagem que abre o post é um print do canal da Band Jornalismo no Youtube. Quem me mandou foi uma amiga meteorologista, evidentemente chocada com o que viu. O título do vídeo do Youtube diz “Vendaval que atingiu São Paulo pode ser considerado furacão”. A reportagem se refere aos ventos intensos registrados no último dia 22/09 em São Paulo-SP e claro, não foi um furacão. Trata-se do início da estação chuvosa, com as clássicas tempestades convectivas de final de tarde. A gente sabe, essas tempestades trazem muitos danos à cidade de São Paulo, que não é uma cidade resiliente, não aplicou o conceito de cidade-esponja e é uma cidade que está abandonada pelo poder público há alguns anos. São Paulo: choveu, f*deu, dizia uma comunidade do extinto Orkut.
Quando chove na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), temos congestionamentos intensos, deslizamentos de terra em áreas de risco, alagamentos extensos que atingem até o interior de estações de metrô e tantos outros problemas. Ventos intensos também são muito comuns, derrubando árvores e estragando a rede elétrica. No caso dos ventos registrados no último dia 22/09, eles atingiram até aproximadamente 140km/h, o que é equivalente a um furacão de categoria 1 na Escala Saffir-Simpson.
Observe, eu disse equivalente a um furacão. No entanto, o fenômeno que aconteceu não foi um furacão. Foi uma tempestade intensa, fenômeno que caracteriza a estação chuvosa da região. O ambiente mais úmido e o calor fazem com que parcelas de ar quente subam, que por sua vez formam nuvens de tempestade. O aquecimento ao longo do dia, portanto, possibilita a formação de tempestades no final da tarde.
Furacões se formam no oceano e mesmo que estivéssemos falando do litoral do estado de São Paulo, estaria provavelmente errado, já que a região não faz parte de nenhuma área onde se costumam formar ciclones tropicais.
Eu entendo que talvez a pessoa que postou o vídeo no canal do Youtube da Band Jornalismo não é um profissional dessa empresa. No entanto, há uma responsabilidade no que se divulga e o título foi provavelmente escrito dessa forma para chamar a atenção e atrair cliques. Só que quando estamos falando de informações meteorológicas, estamos falando de perdas de vidas e danos materiais. Creio que é necessário ter responsabilidade e precisão no que se divulga.
