“É apenas um monte de papel velho picado”

Outro dia, num grupo sobre junk journal, li algumas mulheres relatarem que alguns familiares e amigos menosprezavam o seu hobby. Felizmente eu não tenho esse problema na minha casa e nem meus pais ou amigos fizeram algum comentário sobre isso. As poucas pessoas que me perguntaram sobre esse hobby fizeram isso com ar de curiosidade mesmo, muitos com gentileza e elogios. Inclusive também compartilharam comigo seus hobbies, que para mim são atividades tão importantes que reorganizam nosso cérebro. Além disso, vejo no junk journal (e em journaling e diários de um modo geral) um lugar seguro para onde minha mente pode ir quando estou cansada ou quando preciso passar um tempo sozinha. Tenho um grande amigo que gosta de Astronomia, mergulho, História e ferroramas e em nossas conversas, percebo que os passatempos dele também tem essa função de lugares seguros onde ele pode se refugiar.
Acho que estou numa idade em que cada dia que passa, eu me importo menos com essas coisas que as pessoas falam. Como cientista, eu já preciso me importar com os feedbacks dos meus pares, pois esses sim vão me enriquecer e me ajudar a atingir meus objetivos. Também me importo com a opinião sincera sobre atitudes e falas minhas, vindas de meu companheiro, alguns familiares próximos, filhos e amigos. A verdade é que eu finalmente aprendi a filtrar o que ouço, tem coisa que eu nem ligo.
Dessa maneira, não me importo mais com coisas banais e meramente julgadoras, com aquelas coisas que dizem mais sobre quem está criticando do que sobre mim. Não gosta da minha roupa, de minhas opiniões sobre política ou do que faço em meu tempo livre? Enfia o dedo no cu e rasga, perdão pelo francês arcaico. Bom, quem já conhece o blog sabe que falei sobre isso quando comentei o caso das bonecas reborn.
Para finalizar com um exemplo de colecionismo bem diferente, recentemente soube de um rapaz que colecionava luminárias. Alguns comentários sugeriam que ele pudesse ser neurodivergente, o que sinceramente é uma especulação boba, porque, bom, e daí se ele for? Outros comentários eram péssimos mesmo, falando que o garoto não tinha o que fazer. Sempre que vejo essas coisas penso que a expressão viva e deixe viver é muito verdadeira, quero dizer, gostaria que essas pessoas segurassem a mão e não comentassem. Talvez elas estejam tempo demais no feed, deveriam procurar o que fazer fora das telas.
