A friendly reminder

Outro dia eu estava pensando numa pessoa que magoei muito, isso há uns 20 anos. A verdade é que nos magoamos mutuamente, enfim, até hoje me sinto mal por algumas coisas que eu disse e por não ter lidado bem com a situação. Depois, passou pela minha cabeça de maneira impulsiva se seria possível entrar em contato com essa pessoa para pedir desculpas. Conversando sobre isso com uma amiga, ela disse algo que me marcou e que me mostrou o quanto minha falta de noção frequentemente é gritante. Realmente, eu preciso de amigos que me dão uma boa sacodida.
A amiga me disse que isso soaria completamente invasivo. Imagine só, aparecer 20 anos depois na vida de uma pessoa só pra pedir desculpas? Talvez essa pessoa nem se lembre mais de mim. Eu não sou protagonista de um grande filme de autorredenção, deixe de ser besta. Minha amiga também reforçou que tem coisas que a gente só consegue resolver dentro da gente e que temos que lidar com a impossibilidade óbvia de que é impossível voltar no tempo. Sim, pois é preciso aprender a deixar para lá.
If I could turn back time
If I could find a way
I’d take back those words that have hurt you
Querida Cher, você tem razão até aqui. Depois quando ela diz and you’d stay, não precisa não, obrigada. Talvez a permanência seria de outra forma. Não física, mas numa lembrança que não envolve mágoa.
Também preciso, estou observando a situação pelo olhar atual. Há 20 anos, eu não via problemas em dizer as coisas que disse e em ter reagido da maneira que reagi. Hoje, dizer o que disse nem passaria pela minha cabeça e isso talvez signifique que eu amadureci e estou aprendendo alguma coisa com essa vida,
Mas eu ainda preciso aprender a deixar para lá.
