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A mulher arrogante

Recentemente precisei do link de um texto que escrevi há alguns anos sobre aqueles colares de âmbar que os pais colocam nos bebês para fins analgésicos (leia aqui), onde digo que não há evidências científicas sobre sua eficácia. Eu fui reler os comentários e então lembrei que me chamaram de arrogante por conta desse texto (está nos comentários).

Não foi a primeira vez que fui chamada de arrogante. Eu me lembro de pelo menos mais umas quatro vezes, inclusive por familiares. Ser chamada de arrogante já me incomodou muito, principalmente no passado. Eu acho que tem a ver com minha criação cristã em que precisamos ser humildes e modestas, principalmente se você for mulher. Eu me sentia atingida porque eu me sentia pecadora e culpada, não queria ser arrogante.

Porém hoje eu já não me incomodo em ser chamada de arrogante porque definitivamente rompi com essas coisas e tenho trabalhado muito a questão da culpa. Espere, eu não acho que ser arrogante é bacana. Qualquer maneira de oprimir ou diminuir o outro não é uma atitude da qual eu compactuo. Sabe aquele professor que usa seu conhecimento para humilhar os alunos? Essa atitude é péssima, já disse Cortella: o conhecimento é para maravilhar.

O que acontece, na maioria das vezes, é que eu me empolgo demais ao falar de temas que domino ou que estão no meu hiperfoco daquele momento. E talvez as pessoas não estejam interessadas em ouvir um grande falatório sobre aquele assunto. Só que quando eu escrevo aqui no blog, as pessoas podem escolher ou não ler o texto. É diferente da sala de aula ou de uma conversa com amigos, quando eu simplesmente desembesto a falar.

Comecei a refletir mais sobre isso e acho que cheguei numa conclusão preliminar: em todas essas vezes que pessoas próximas me chamaram de arrogante para me ofender – quando era claro que não era um comentário amigável sobre minha atitude -, eu na verdade estava sendo assertiva. Ou seja, eu tinha um domínio considerável do assunto e poderia falar sobre ele com alguma propriedade. O que não significa que eu estava acertando em tudo o que eu estava falando. O que não significa que eu não tinha mais nada a aprender sobre aquele assunto. Na verdade, eu só tinha lido ou vivido algo que me permitia dar uma opinião mais contundente e eu gostaria de ouvir o ponto de vista do outro, numa conversa que considero normal. Apenas isso!

Quando eu de fato fui arrogante, foram situações mais particulares e que tinham relação com outro sentimento. Por exemplo, eu tinha algum tipo de desentendimento com uma pessoa, um assunto não resolvido, e eu não queria ouvir o que aquela pessoa tinha a dizer. Ou eu estava sendo teimosa diante de uma situação onde eu não queria dar o braço a torcer. Nessas situações muito específicas e particulares eu estava sendo arrogante e felizmente hoje reconheço e busco não reproduzir.

Portanto, nesse texto quero deixar uma opinião bem breve: não confunda assertividade com arrogância. Quando uma mulher fala com propriedade sobre um assunto e até se empolga ao falar sobre ele, ela não está necessariamente sendo arrogante. Além do mais, eu também acredito que muitas pessoas enfrentam problemas de baixa autoestima (bem-vindas ao clube) e por se acharem inferiores, acabam acreditando que outras pessoas contribuem para isso, mesmo que elas não contribuam.

Há essa cobrança de modéstia e humildade como comportamentos ideais das mulheres, principalmente dentro das igrejas cristãs. Essa postura pode levar à passividade e nossa voz passa a não ser ouvida: eles garantem o sucesso quando conseguem fazer a gente parar de falar.

Sobre a imagem de destaque: fui no Pixabay procurar uma imagem para ilustrar esse texto. Achei essa sapinha curtindo a vida bem garota tomando um martini na frente de sua casa própria (esse aconchegante cogumelo). Como isso pode ser arrogância?

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