A questão da escala planetária: cuidado ao escolher imagens para suas aulas!

A imagem acima é linda, não é? Nós ficamos tentadas a usá-la em uma aula, talvez apenas traduzindo cada uma das palavras e termos, principalmente se estamos ensinando alunos do Ensino Básico. Porém há um problema bem sério na figura acima (que peguei no site FreePik): a questão da escala.
Observe a figura e repare que da superfície da Terra até o núcleo temos 6371km. Por outro lado, da superfície da Terra até o limite superior da exosfera (de acordo com a figura, já falo disso) temos 10.000km.
Só que observando as distâncias usadas no desenho, percebemos que a distância representada de 0 até 6731km (superfície ao núcleo) e de 0 até 10.000km (superfície até exosfera) é praticamente a mesma. Em outras palavras, a figura não teve nenhum compromisso com a escala.
Esse problema com a escala é muito comum quando falamos da Terra. Se estamos falando do Sistema Solar, o problema é ainda maior (trocadilho mais ou menos intencional). Materiais didáticos com conteúdo de Astronomia precisam deixar bem claro se estão ou não usando a escala de distância e/ou tamanho em suas figuras.
A propósito, não dá mesmo para usar a escala de tamanho dos corpos celestes e a escala de distância entre eles quando estamos falando do Sistema Solar. Se fôssemos fazer um modelo do Sistema Solar em que o Sol tivesse o tamanho de uma bola de 16,5cm, Mercúrio teria o tamanho de 0,58mm (pouquinho mais que a metade de 1mm) e estaria a uma distância de 6,9m da bola. Sendo assim, os livros didáticos precisam explicar que aquelas belas imagens representando cada um dos planetas do Sistema Solar estão fora de escala e então usar exemplos descritivos para ilustrar. O uso de vídeos bem produzidos em aulas que abordam esse tema pode ser muito útil para a compreensão dessas distâncias.
Termino esse post dizendo: cuidado com as imagens bonitas. Observe se elas estão em escala e se exibem os conceitos de maneira enriquecedora, com propósito educacional realista. Caso contrário, vai ser apenas uma imagem bonita que pode atrapalhar o processo de aprendizagem, uma perigosa interferência cognitiva.
Sobre a escala do Sistema Solar, leia:
O negócio da exosfera
Eu já ia esquecendo de comentar sobre a questão do limite da atmosfera. Em outras palavras, onde termina a exosfera, a ultima camada da atmosfera? Recentemente escrevi um post que abordava esse assunto (leia aqui) e vou separar um trecho:
Na exosfera, temos uma ‘mistura’ entre o que é atmosfera e o que é espaço. Não dá pra saber muito bem onde está a última molécula que faz parte da atmosfera. A exosfera se estende até 1000km, mas vamos ser francas: não tem quase gás nenhum nessa altura!
Ou seja, a figura ainda apresenta esse problema: 10.000km me parece muita coisa para estipularmos como limite da exosfera. Bom, discuti isso em detalhes nesse post, leiam e deixem suas opiniões.
