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Apresentando em inglês pela primeira vez

Hoje mais cedo participei do 15° EUMETNET Data management workshop. Fiz uma participação online, em uma apresentação de 15min sobre minha pesquisa. Eu gostaria de falar um pouco sobre o que senti e algumas reflexões que fiz a respeito de minhas dificuldades e de minha superação.

Acordei mais cedo do que o necessário para esse evento, porque tinha muito medo de perder a hora da apresentação. Tinha a questão do fuso horário, então eu precisava estar atenta. Eu não consegui dormir direito. Embora atualmente eu me sinta muito mais tranquila do que no passado (antes eu choraria e me desesperaria), eu ainda fico ansiosa diante de situações assim, o que vejo como algo absolutamente normal. Imagine só, eu me propus a fazer uma apresentação em uma língua que eu domino muito a escrita e a compressão, porém falar inglês tem a ver com prática e oportunidade para praticar. Estou até considerando fazer algumas aulas de conversação em um desses serviços que contam com professores nativos. Agora estou pensando que eu deveria ter feito essas aulas antes, mas tudo bem.

Comecei assistindo as apresentações dos demais participantes e fiquei com uma sensação estranha de que minha apresentação não tinha nada a ver com o evento. Bom, mas meu resumo foi aceito, não é? Fiquei o tempo todo pensando nisso pra ficar mais calma.

Quando finalmente chegou minha vez de apresentar, tive algumas dificuldades técnicas (uma parte de minha apresentação levava a um html e tive problemas na hora de compartilhá-lo). Isso me deixou um pouco nervosa, mas eu continuei e concluí a apresentação da melhor forma que eu pude.

Ao longo de todo esse processo (antes, durante e depois da apresentação) fiquei pensando no quanto a gente se diminui diante dos gringos. Embora eu esteja tentando desconstruir isso para compreender que há muito talento e produções (artísticas e científicas) na América Latina, uma pequena parte de mim ainda não consegue ter isso interiorizado. Creio que por tantos anos ouvir que as coisas na América do Norte e na Europa são melhores, parte de mim se quebrou. Eu nem sei se quebrou, talvez parte de mim nem tenha se formado, essa parte relacionada ao orgulho e identidade. Eu tenho tentado me consertar, mas é extremamente difícil.

Fiquei pensando que eu falo inglês muito mal e que poderiam pensar que eu sou uma selvagem. Pensei também sobre os estereótipos a respeito da mulher brasileira. Essas coisas mexeram com minha cabeça, embora bem menos do que em outras situações nas quais precisei interagir com gringos. Em um certo momento de minha apresentação, simplesmente respirei e fui. Pensei em toda minha história e em todas as dificuldades que enfrentei para chegar até aquele momento. Eu consegui.

Depois fiquei pensando que a maior parte dos outros participantes também não falam inglês como língua materna. Eram pessoas da Hungria, Itália, Noruega e tantos outros países. Elas também tinham seus sotaques e também estavam ali, apresentando. Fiquei refletindo sobre isso, vi que meu nervosismo com relação ao inglês era um pouco exagerado e reflexo de uma ideia de inferioridade.

Também refleti que cada país tem suas peculiaridades e cada participante tem uma vivência diferente. Eu não posso comparar minha infância com a de uma pessoa que viveu a vida inteira no mundo desenvolvido e teve acessos que eu não tive. Eu consegui chegar até aqui, apesar das dificuldades.

Sonho que as próximas gerações consigam ir em um evento científico, falar inglês e participar das discussões com menos insegurança do que eu. Que brotem neles um sentimento de orgulho de serem brasileiros, para que possam trabalhar por um país melhor e para que possam ter autoestima para participar de todos os espaços em qualquer lugar do mundo.

Imagem que abre o post: Imagem de Manfred Steger por Pixabay

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