Gone insane but the memory remains

Eu estava organizando alguns arquivos antigos e encontrei essa colagem de uns 15 anos atrás, pelo menos. Era um tempo em que eu tinha mais tempo para mim e em alguns aspectos, eu tinha mais conforto. A colagem reflete uma pessoa em busca de amor próprio e identidade. Bom, ao menos é o que observo hoje e sinto um certo orgulho de mim. No entanto, minha saúde mental não era boa nesse tempo e eu não sabia nem formular o que havia errado. Essa falta de cuidado com minha mente me custou muito caro e eu só fui ter esclarecimento sobre o assunto e só consegui dar o nome certo ao que sentia muito tempo depois.
Hoje entendo que se você começa a notar algo errado com você (ou caso seus amigos ou familiares falem algo), procurem ajuda o quanto antes. As questões mentais vão se acumulando e se tornando mais difíceis de resolver, como a casa de uma pessoa acumuladora. Creio que hoje eu consiga cuidar mais de mim nesse sentido. Existem recaídas, existem dias mais difíceis e eu sei lidar melhor com essas situações. A terapia me ajudou a forjar minhas próprias ferramentas e também me ajudou a adaptar ferramentas existentes. Por exemplo, eu consigo ouvir um discurso de motivação e tirar muito proveito dele. Vejam, estou me referindo a discursos de motivação encorajadores e realistas, que levam em conta a realidade material. Não me refiro àquelas balelas vazias de autoajuda que não levam em conta as complexas desigualdades desse mundo.
No fim, vendo essa colagem concluo que a arte ajuda muito em minha expressão. Quando eu leio um texto mais antigo de um diário, quando vejo uma colagem ou até mesmo quando ouço uma música que eu ouvia tempos atrás consigo me lembrar e entender o que eu sentia. A arte desperta minha memória e me ajuda na autocompreensão.
