Cada uma com seu estilo

Outro dia fiquei pensando como é fácil sermos pegas em nossas próprias contradições e hipocrisias. Em uma conversa, um colega estava tecendo comentários super ácidos sobre as ‘madames daqui da cidade’, que usam roupas muito elegantes e exageradas para ir ao supermercado ou pra buscar os filhos na escola. O que tenho a ver com isso, não é mesmo?
Eu só ouvi e fiquei quieta, constatei a realidade de maneira neutra (sim, há madames) e vida que segue. Eu sou uma mulher que não gosta de fazer as unhas, pois não gosto de ter pessoas mexendo em mim por muito tempo. Além disso, eu mexo com terra, mexo nas minhas colagens e junk journals, arrumo a casa e as unhas frequentemente se estragam. Eu até gosto de fazer as unhas do pé, porque gosto do efeito bonito ao vestir uma sandália. Eu não gosto muito de mexer no cabelo, mas gosto de cortes diferentes. Entretanto, procedimentos como pintar e alisar são coisas que evito bastante. Até mesmo uma hidratação, eu prefiro fazer em casa. Esses procedimentos mais elaborados de salão de beleza também são mais demorados e tempo sobrando não me é abundante, prefiro usá-lo de outras maneiras. Também não sou uma mulher muito ligada ao mundo da moda, mas gosto de roupas e acessórios de qualidade. Gosto também de peças artesanais.
Pode parecer meio “besta” essa breve descrição sobre algumas de minhas preferências, mas acho que vocês vão entender meu ponto. Eu não posso impor que as pessoas pensem como eu e façam as coisas do jeito que eu faço. Eu advogo muito a causa do consumo consciente, isso é verdade. Mas consumir de maneira consciente não significa que todos devem ser como eu sou, não sou nenhum padrão ou modelo. Eu acredito realmente na diversidade em todas suas manifestações.
Portanto, se uma pessoa chegar até mim e disser que sou desleixada porque não faço as unhas, ela estará sendo inconveniente e mal educada. Da mesma maneira, ao criticar uma mulher que vai super arrumada no supermercado, também estou sendo inconveniente e mal educada. Há coisas que a gente guarda dentro e meio que ignora, porque não são coisas interessantes ou importantes. Eu quero ser bem tratada de camiseta de banda e bermuda jeans rasgada, assim como tenho como obrigação tratar com cortesia uma mulher no maior estilo mob wife ou uma senhora com roupas simples.
Essas conversas me fazem enxergar minhas próprias hipocrisias e refletir a respeito delas. Frequentemente falo para meus filhos que devemos respeitar as pessoas independentemente do que elas vestem, de como é o corte de cabelo delas, do material escolar que elas tem, etc. Essas coisas que acontecem me fazem lembrar que minha fala precisa refletir em minhas atitudes, como disse Pepe Mujica uma vez “é bom viver como você pensa, caso contrário você pensará como vive”.
