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Chico Bento e a Goiabeira Maraviósa: a importância e a aplicação dos mapas no cotidiano

O carismático Isaac Amendoim interpreta Chico Bento. Paris Filmes / O Folhetim Cultural

Chico Bento e a Goiabeira Maraviósa é um dos grandes lançamentos desse período de férias escolares. No enredo, Chico Bento e seus amigos se unem para evitar a destruição da goiabeira de Nhô Lau, pois um empreiteiro (pai do personagem Genesinho) quer convencer todos moradores da Vila Abobrinha que uma estrada deve passar por ali.

Um assunto importante no enredo é a criação de mapas. Quero abordar esse tema usando esse filme como motivação. Ao longo do texto, vou revelar alguns detalhes do enredo. Portanto, acredito que o público alvo desse texto são pessoas que já viram o filme e especialmente, docentes de Geografia do Ensino Fundamental.

Cartografia: fazemos mapas desde sempre

Os seres humanos fazem mapas desde sempre. Eu consigo imaginar um caçador, dentro de sua caverna, contando para seu grupo a respeito de um lugar bom para caçar. Para ilustrar o que ele tenta explicar, mostrar o local exato, esse caçador esboça na parede da caverna, usando carvão. Ele indica uma montanha, uma árvore, um lago, etc. Isso é um mapa! Para entender isso melhor, talvez você precise esquecer tudo o que acha que sabia sobre mapas.

Muitas vezes se pensa que mapas são coisas elaboradas, cuja criação envolve necessariamente softwares complicados e muita técnica. Na verdade, quando você esboçava aquele desenho explicando onde fica o local da festa, você fez um mapa. A propósito, já repararam que a gente quase não faz mais isso porque simplesmente mandamos a localização por WhatsApp?

Mapas são coisas tão antigas que fica difícil dizer qual o mapa mais antigo já feito. Geralmente considera-se o Imago Mundi como o mapa mais antigo. Esse mapa, feito em argila, foi descoberto no Iraque no final do século XIX e mostra a Babilônia no centro do mapa.

Se você pedir para uma criança desenhar um mapa dos arredores de sua escola, ela certamente colocará a escola no centro do mapa. Mapas antigos do Império Romano, como a famosa Tabula Peutingeriana. faziam o mesmo. Já até comentei essa questão em um post, onde mostro o mapa do IBGE com o Brasil no centro.

Além do Imago Mundi, temos o mapa gravado em presa de mamute encontrado na Ucrânia, temos o Mapa de Bedolina (na Lombardia, Itália) e tantos outros. O mapa parece ter surgido como parte da necessidade de nos comunicarmos, como algo natural e necessário, que é o de ilustrar coisas que estão sendo contadas.

Portanto, é difícil saber qual foi o primeiro mapa já feito. Mapas são formas de comunicação, são tão antigos quanto os desenhos ou quanto o desenvolvimento da linguagem.

O mapa no filme do Chico Bento

No começo do filme, a professora Dona Marocas fala sobre a elaboração de mapas. Ao longo da história, Genesinho narra com orgulho o caminho da estrada que seu pai planeja construir. Rosinha, sempre atenta, sugere a elaboração de um mapa com base nas palavras de Genesinho, mas sua ideia é inicialmente ignorada por Chico Bento e pelos demais amigos.

Quando finalmente decidem ouvir Rosinha e colocam a ideia em prática, percebem que o traçado da estrada era extremamente complicado e não fazia sentido prático. Ao analisarem o mapa, compreendem que o trajeto foi definido de forma proposital para que o empreiteiro envolvido no projeto pudesse lucrar mais com a venda de asfalto.

O uso do mapa é essencial para ilustrar e esclarecer o que Genesinho repetiu várias vezes, mas que não havia sido devidamente compreendido. Em nosso dia a dia, o mesmo princípio se aplica a infográficos, diagramas e outros desenhos esquemáticos, que muitas vezes tornam mais acessíveis temas complexos abordados em textos.

Assim, o filme destaca a importância dos mapas e recursos visuais em situações cotidianas, mostrando que ferramentas simples, como um desenho ou esquema, podem ser determinantes para a análise crítica e a tomada de decisões mais conscientes.

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