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Dia Meteorológico Mundial – 2022 – Alerta antecipado, ação antecipada

No dia 23 de março é comemorado o Dia Meteorológico Mundial. Essa data comemora a fundação da Organização Meteorológica Mundial (World Meteorological Organization – WMO), em 23 de março de 1961.

Todos os anos, a WMO estabelece temas diferentes para a comemoração da data. A partir desses temas, Universidades e Institutos de Pesquisa ao redor do mundo comemoram com palestras, workshops, exposições, etc.

O tema de 2022 é Early Warning and Early Action (Alerta Antecipado, Ação Antecipada). No Brasil, cerca de 9,5 milhões de pessoas vivem em 28 mil áreas de risco espalhadas pelo país, de acordo com estimativas do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) em parceria com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). São áreas sujeitas à deslizamentos de terra e inundações, fatores totalmente relacionados com as chuvas.

Para resolver essas questões, são necessárias ações políticas em diversas frentes. Organizar as cidades, proporcionar moradias seguras para a população e reflorestar e proteger as margens dos rios são ações que precisam ser tomadas e exigem um planejamento de médio e longo prazo. Para agir em curto prazo, são necessárias ações integradas de serviços meteorológicos e geológicos aliadas com ações da defesa civil e de assistência social.

Foram mais de 200 mortos pelas chuvas de fevereiro em Petrópolis. No último fim de semana, chuvas intensas na cidade foram responsáveis pela morte de pelo menos 6 pessoas. Eu menciono Petrópolis por ser o caso mais marcante da estação chuvosa 2021/2022, mas tivemos mortes em Minas Gerais, Espirito Santo e Bahia. Acompanhando os noticiários todos os anos, na época das chuvas, vemos casos de mortes, de perdas econômicas e danos à saúde mental das pessoas que moram nessas áreas de risco.

Riscos aumentando a cada ano

Os eventos climáticos extremos não ocorrem somente no Brasil. Nos últimos 50 anos, foram mais de 11 mil desastres relacionados com condições meteorológicas, que resultaram em mais de 2 milhões de mortos e mais de US$ 3,64 trilhões em perdas econômicas. Essas são informações fornecidas pela WMO para a ocasião do Dia Meteorológico Mundial.

De acordo com o WMO’s Atlas of Mortality and Economic Losses from Weather, Climate and Water Extremes 1970-2019, o total de desastres quintuplicaram entre 1970 e 2019 e as perdas econômicas setuplicaram no mesmo período. Entretanto, graças ao aumento de alertas antecipados e estratégias de redução de riscos, o número de mortos é três vezes menor desde 1970.

Anteriormente mencionei os efeitos das chuvas (deslizamentos e enchentes), mas as secas são as maiores responsáveis globais pelas mortes nos últimos 50 anos, principalmente na África. Em 1983, foi feita uma estimativa de 450 mil mortes relacionadas com as secas na Etiópia e no Sudão naquele ano. Tempestades intensas (principalmente associadas aos ciclones tropicais), foram responsáveis pelas mortes de 300 mil pessoas no Bangladesh em 1970 e 140 mil pessoas em 1991.

As pessoas pobres são as mais vulneráveis, principalmente pessoas pobres que vivem em países em desenvolvimento. Nesses países, o investimento para garantir a resiliência das cidades é mínimo.

Quando falamos em furacões nos Estados Unidos, infelizmente ouvimos falar das pessoas que morreram durante as tempestades. Mas também ouvimos falar de monitoramento antecipado, pessoas e cidades com planos de emergência e seguros patrimoniais, etc. Ou seja, países desenvolvidos estão mais preparados e ainda assim, a atmosfera pode ser implacável. O furacão Katrina, que atingiu os EUA em 2005, foi responsável por cerca de 1800 mortes e perdas econômicas de US$163,61 milhões.

É sempre importante lembrar que geralmente há um efeito cascata: um desastre natural pode causar problemas na produção de alimentos, abastecimento de água potável, fornecimento de eletricidade, nos meios de transporte, etc. E isso pode ser exemplificado pelo recente caso da erupção de um vulcão submarino no Oceano Pacífico, em janeiro deste ano. Além da devastação ambiental, o povo de Tonga foi confrontado com ameaças à saúde pelas cinzas e pelos gases vulcânicos. A capacidade de enfrentamento se complicou auge da temporada anual de ciclones tropicais. A pressão e as ondas de maré como resultado da erupção vulcânica viajaram ao redor do mundo, com muitos impactos, incluindo um derramamento de óleo na costa peruana.

O ciclone tropical Batsirai, que atingiu Madagascar em fevereiro de 2022, destacou os perigos em cascata de ventos violentos e chuvas torrenciais, causando vítimas e destruição, provocando inundações costeiras e interiores e deslizamentos de terra.

As ondas de calor são frequentemente associadas à seca, má qualidade do ar e incêndios florestais – o que, por sua vez, pode exacerbar o risco de inundações repentinas durante as chuvas subsequentes, uma vez que o solo muito ressecado acaba facilitando o escoamento superficial da água nas primeiras chuvas.

Podemos também dizer que os impactos das mudanças climáticas tornaram-se os principais contribuintes para crises alimentares, deslocamento e migração e insegurança socioeconômica. A COVID-19 adicionou uma camada extra de complexidade ao gerenciamento de desastres e aumentou muito a carga sobre as instalações de saúde.

Em 2020, cerca de 30 milhões de pessoas foram deslocadas por desastres relacionados ao clima, de acordo com o Escritório das Nações Unidas para Redução de Riscos de Desastres (the UN Office for Disaster Risk Reduction). A pandemia combinada com eventos meteorológicos extremos, incluindo a seca, está tendo efeitos devastadores sobre a fome e a pobreza globais: 2,3 bilhões de pessoas não tinham acesso adequado a alimentos durante todo o ano em 2020. Em outras palavras, a segurança alimentar de todo o mundo está ameaçada e mais uma vez os mais pobres são os mais vulneráveis.

Custos socioeconômicos cada mais mais altos ameaçam o desenvolvimento sustentável, uma vez que os investimentos sempre serão aplicados para remediar os efeitos e não para prevenir outras tragédias e mudar a maneira de se desenvolver.

Dessa maneira, discutir a importância de se investir em monitoramento climático para melhor alertar e para melhor agir é essencial e urgente no mundo atual. É importante que essas discussões frutifiquem em ações para tornar nossas cidades cada vez mais resilientes.

Para mais informações sobre o Dia Meteorológico Mundial de 2022, acesse o site da WMO.

Fonte da imagem de capa: Pixabay

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