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O que meu novo número de calçado me ensinou

Outro dia eu consumia um conteúdo sobre caminhada e trekking e aprendi que é importante saber com certeza qual número você calça, porque muitas vezes nossos dedos ficam comprimidos dentro dos calçados e isso pode causar calos, desconfortos e até deformidades nos pés. A moça que apresentava o conteúdo dava seu depoimento a respeito do assunto, dizendo que ela acreditava calçar 37 mas que quando entendeu que seu número correto era 38 ou 39, passou a ter mais conforto nos pés.

A ideia de que precisamos usar calçados confortáveis parece muito óbvia e até simples demais. Por ser tão simples, acho que a gente não pensa sobre isso diariamente, simplesmente aceitamos uma ‘verdade’ que aprendemos sobre nossos pés ainda na adolescência.

Observei então que meus dedos são encurvados, ou seja, não ficam saudavelmente esticadinhos. Fiquei um tempo pensando sobre o que a moça disse. Eu precisava comprar um novo par de tênis para exercícios e provei o 36. Senti muito conforto: o tênis não ficava escapando nos calcanhares e os dedos ficaram esticados. Caminhei pela loja e gostei muito da sensação. Comprei, já fiz algumas caminhadas com ele e não me arrependo. Eu não estarei exagerando se disser que foi o tênis mais confortável que já usei na vida.

Acho que com as mulheres, em muitos casos, tem-se a ideia de que pé feminino significa pé pequeno. Além disso, muitas de nós dividimos calçados com irmã, mãe e outros parentes então facilita se todas tiverem o mesmo número. Meninas de pé acima do 39 muitas vezes tem dificuldades para encontrar calçados e acabam aceitando que calçam 39 para conseguir comprar sapatos bonitos.

Então, meu pensamento deixou o mundo dos calçados e se expandiu para outras áreas da vida. Quantas vezes nós nos diminuímos para caber nos lugares. Quantas vezes deixamos de lado o conforto e o bem-estar para garantir uma migalha de aceitação e respeito. Quantas vezes suprimimos nossas subjetividades e nossas essências para ser igual àqueles que nos cercam. Em um primeiro momento a gente consegue, consegue num segundo e num terceiro momento também. Só que quando passam muitos momentos, a gente se perde e se sente distorcida, como os dedinhos dos meus pés.

Eu tenho mais de 40 anos e descobri que eu não calçava o número certo. Quantas coisas ainda posso descobrir sobre mim?

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Enquanto eu caminhava com meus tênis novos e pensava na elaboração desse texto, flagrei essa nuvem Cumulonimbus pileus com irisação. Linda, né?

São as surpresas que encontramos pelo caminho.

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2 Comentários

  1. Tão reconfortante ler um post seu, em um blog, assim como eu fazia lá nos primórdios.

    Também comprei um tênis de corrida num tamanho maior. E quanto a gente se tortura sem necessidade na vida né?

  2. Prig, que gostoso ler um comentário seu <3
    Você usou a palavra certíssima: tortura. A gente se tortura pra tentar se encaixar, achei muito bom entender a materialização disso quando se trata de sapato.
    Abraço <3

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