Junk journal: como não se tornar acumuladora?

Quando você começa com o hobby de junk journal, começa a passar por uma situação na qual você passa a ver potencial em TUDO, absolutamente TUDO. Aqueles papéis velhos do escritório de antes de seu pai aposentar? Potencial. Aquelas embalagens das lembrancinhas do aniversário de sua sobrinha? Potencial. Partituras velhas do seu primo que é músico? Potencial. Até aquele folheto de pizzaria que entregaram na porta de casa? Potencial. O bilhete do estacionamento de uma visita rápida ao shopping? Potencial. Bom, vocês já entenderam. Quando você vai ver, está com caixas e mais caixas de papéis velhos. É uma mistura de alegria e desespero ao perceber que, de repente, você se transformou na guardiã oficial de qualquer papel que cruze seu caminho. Isso sem contar nas coisas que você de fato compra, como adesivos, papéis especiais, carimbos e tantas outras belezinhas. Ocorre que chega uma hora que você simplesmente não tem mais espaço para guardar tudo e corre o risco de se tornar uma pessoa desorganizada e até meio acumuladora.
Eu entendo que o Transtorno da Acumulação (TA ou TAC) é uma condição séria, que acomete principalmente idosos. Vejam bem, não estou falando necessariamente de TA aqui, até porque é um profissional que diagnostica essas coisas e que vai propor as intervenções. Eu estou falando de acumulação simples, sem rotular como transtorno. Sabe, se empolgar demais com um hobby e quando vai ver, a casa inteira está tomada por “coisas desse hobby”. Então, com junk journaling isso pode acontecer com facilidade.
Eu já passei por essa fase, especialmente durante a pandemia. Acumulei muita coisa e fui perceber isso em minha mudança mais recente. Vou contar a seguir algumas medidas que tomei para controlar o volume de “lixo” no meu escritório:
- Estabeleci um espaço para o hobby. Eu não moro em uma mansão vitoriana, então espaços físicos são escassos. Eu tenho uma mesa no escritório, onde trabalho, então não posso encher com coisas do hobby. Separei uma prateleira no armário apenas para guardar essas coisas e não deixo que o volume cresça.
- Tenha um sistema para arquivar as coisas. Use pastas ou caixas de plástico e separe por assunto (flores, datas comemorativas, animais, nuvens, viagem, etc.), o que pode ser útil se for fazer junk journals temáticos.
- Participe de grupos de junk journal. Já troquei, vendi e doei muito material através dos grupos. Essa é uma maneira de sempre ter acesso a novidades gastando pouco e também de circular material que está com você há bastante tempo.
- Recicle. Bom, chega uma hora que aquele rótulo bonitinho que está guardado há anos não vai mais servir pra você. Nossos gostos e referências mudam. Talvez, se você olhar de novo, aquele papel já não é mais tão bonitinho quanto antes. Dessa maneira, pode ser hora de desapegar e colocar no lixo reciclável.
- Faça uma revisão periódica. De tempos em tempos, faço uma “faxina criativa” no meu acervo. Reviso o que realmente uso e me desfaço daquilo que está só ocupando espaço. Isso ajuda a manter a organização e evita o acúmulo desnecessário.
- Transforme o excesso em projetos de doação. Se você acumulou muito, por que não criar alguns junk journals completos para doar ou presentear? Assim, suas criações ganham um novo propósito e você libera espaço para novas ideias.
- Crie hábitos de manutenção. Sempre que termino um projeto, faço uma mini-organização, recolhendo sobras e descartando o que não será aproveitado. Isso evita que o volume de material cresça de forma incontrolável.
- Diferencie o que é realmente especial. Eu costumo perguntar: “Isso realmente me inspira? É útil para algum projeto em mente?” Se a resposta for não, já sei que é hora de desapegar.
Com essas pequenas medidas, o hobby continua divertido e criativo, mas sem perder o controle do espaço e da organização. Afinal, o prazer está em criar e não em acumular.
