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Missing the good old days

Acho que é mal de muita gente da minha idade: a gente sente falta da internet de madeira. Se você é early millenial ou genX, ou seja, tem lá os seus mais de 40 anos e começou a usar a internet quando era adolescente, sabe que as coisas mudaram muito.

Lembro que criei meus primeiros sites no finalzinho dos anos 90, no finado Geocities e no .hpg. Eram sites que refletiam o universo de uma adolescente daquela época, onde eu falava sobre minhas músicas favoritas, mencionava sites que eu tinha descoberto e falava sobre livros e RPG. Já no começo dos ano 2000, criei meus primeiros blogs. Eu desabafava anonimamente, deixava indiretas para pessoas que nunca iriam lê-las e outras coisas desse tipo.

Foi só por volta dos anos 2010 que eu realmente quis criar um blog mais sério e mais estruturado, tentando falar inicialmente de minha área de formação (Meteorologia) e depois fui sentindo vontade de falar mais sobre mim, tentando resgatar aquele jeito que eu blogava antigamente. Claro, hoje tenho muito mais filtro e bom senso.

Esses dias vi um post no blog da Lolla onde ela mostrava itens de dentro da bolsa dela, do jeito que a gente fazia uns 20 anos atrás mais ou menos. Posts com o conteúdo “o que tenho na minha bolsa” eram muito comuns. Sim, ali já começava algumas publis (quando a blogueira tinha cacife), mas a primeira iniciativa partia de blogueiras comuns que só queria compartilhar as coisinhas que mais gostavam.

Minha bolsa é meio sem graça, mas meu estojohold my beer. Ele é lindo, tem um monte de coisas que uso para trabalhar e para escrever/colar nos meus journals.

Eu carrego até canivete no estojo porque nunca se sabe o tipo de atividade na qual eu vou me meter, uma vez que moro na roça. Uso uma latinha do que um dia foi uma espécie de pomada para sobrancelhas (que eu gostei mais ou menos) para colocar clipes de papel. Canetas e marcadores coloridos de todo o tipo para agradar minha criança interior e creme para as mãos e hidratante labial, coisas que só quem mora no Cerrado sabe a necessidade.

A foto ficou horrível, com uma iluminação estranha, mas vamos fazer de conta que eu só queria preservar esse clima nostálgico. Eu acho que não sei usar a câmera do meu celular direito e/ou meu celular é muito simplório.

Além do estojo, quero destacar minha mais recente leitura. Depois de ter concluído Morte na Praia (Agatha Christie), Estou lendo Menino Prodígio, de Hermann Hesse, e, mesmo estando apenas no segundo capítulo, o livro já tem me levado a várias reflexões.

Uma delas diz respeito à pressão que sentimos diante das expectativas que os outros depositam em nós. Ao acompanhar a trajetória do protagonista, me vi lembrando de inúmeros momentos da minha própria vida em que também senti o peso de corresponder a expectativas externas, como se meu valor estivesse condicionado ao meu desempenho.

Mas o livro também me fez pensar sobre algo diferente: a busca pela nossa “casa” após períodos de grande estresse. Não me refiro a uma casa física, mas a um estado de acolhimento e pertencimento. Muitas vezes, quando estamos sobrecarregados, sentimos vontade de retornar a uma versão anterior de nós mesmos, a um tempo em que a vida parecia mais simples e as responsabilidades ainda não ocupavam tanto espaço.

Para mim, essa sensação aparece quando escrevo em diários ou faço junk journaling. É como se, por alguns instantes, eu reencontrasse a menina de 12 anos que estudava em uma escola da periferia de Itaquera e passava horas escrevendo, desenhando, colando papéis e decorando aqueles cadernos simples de capa verde com o Hino Nacional na capa. Naquela época, eu não escrevia para cumprir prazos, produzir conhecimento ou atender expectativas. Eu escrevia porque gostava.

Talvez seja por isso que essas práticas ainda me tragam tanto conforto. Elas funcionam como uma espécie de retorno simbólico a um lugar onde eu podia simplesmente existir, criar e registrar o mundo ao meu redor sem a pressão de ser produtiva. Não é exatamente uma tentativa de voltar à infância, mas de reencontrar algo que existia nela: a liberdade de fazer algo apenas pelo prazer de fazê-lo.

Eu sinto falta do prazer de fazer algo apenas por fazer. Quando eu tinha isso, nem imaginava que um dia poderia sentir tanta falta. Vejo um paralelo com a internet de madeira. As pessoas blogavam por blogar. Nesse processo, encontravam sua turma, desabafavam, registravam pequenos acontecimentos do cotidiano e, às vezes, descobriam talentos que acabavam se tornando profissões. Mas isso parecia uma consequência, não o objetivo. O blog podia ser uma janela para aquilo que você queria mostrar ao mundo, sem a sensação de que era preciso estar constantemente visível, acompanhando tendências ou competindo em uma corrida cujas regras ninguém explicava direito. Talvez o que eu sinta falta não seja apenas daquela internet ou da infância em si, mas da existência de espaços onde era possível criar, compartilhar e simplesmente existir sem transformar tudo em desempenho.

I miss the good old days…

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