Moda para mulheres empoderadas

Outro dia eu estava passando por uma rua de comércio e alto-falantes anunciavam a inauguração de uma nova loja. A mensagem dizia moda para mulheres empoderadas. Quando passei na frente do novo comércio, observei que as manequins exibiam vestidos curtíssimos, tops e outras roupas nessa linha.
Essa história de associar empoderamento com sensualidade não começou semana passada. Lembro de uns 10 anos atrás ter me deparado com um blog escrito por celebridades feministas da internet. Falavam sobre a prática de poledance e assuntos relacionados e diziam o quanto isso tudo era empoderador. Nos últimos anos, há quem abertamente defenda a atividade sexual remunerada como oportunidade de independência financeira. Essas vozes frequentemente têm mais destaque e mais visibilidade do que as de cientistas, professoras e outras comunicadoras que reforçam a importância da educação para as mulheres.
Em outras palavras, observo que sensualidade como sinônimo de empoderamento é uma ideia que vem crescendo nos últimos anos. Quando eu me posiciono contra esse conceito, muitos progressistas me consideram conservadora. A questão é que ao colocar o empoderamento como sinônimo de sensualidade, estamos mantendo as mulheres no mesmo lugar em que sempre estivemos.
Para transformar a sociedade, precisamos colocar mulheres em posições de destaque e de participação social. Isso só é possível estudando e trabalhando duro, garantindo espaços seguros para as crianças (para que mães possam trabalhar tranquilamente) e apoiando outras iniciativas de apoio às mulheres. Precisamos ensinar as meninas a expressarem seus sentimentos, seus desejos e seus posicionamentos. Mulheres vendendo conteúdo erótico em redes sociais que enriquecem homens não é sinônimo de empoderamento e não podemos permitir que isso seja propagandeado como possibilidade de carreira.
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Em 2018 escrevi dois posts sobre o empoderamento através dos estudos:
