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Não sou boa em tudo e nem preciso ser: exercícios físicos

O título desse post soa bastante óbvio, mas vou mostrar pra vocês quem nem sempre é tão simples assim e acho que será possível entender o que quero dizer.

Num post de alguns meses atrás, citei um poema de Fernando Pessoa que relacionei com nossa atualidade, onde todo mundo quer parecer perfeito nas redes sociais. The sun always shine on TV, um dia também disseram.

Desde o ano passado, decidi treinar na academia. Minha médica disse que era bom, um outro médico disse que eu me sentiria melhor e até minha psicóloga não parava de falar disso. Como pessoa que procura utilizar o conhecimento científico para nortear decisões, também li artigos e consumi conteúdo de divulgação científica que me convenceram de que exercício é mesmo bom pra saúde, independentemente do que minha inclinação à preguiça tente me convencer.

Confesso que não tenho sido muito regular e com sorte consigo ir duas vezes por semana. Nos últimos meses estou com uma constância muito boa, porque tenho aproveitado o horário que meu filho mais velho treina futebol.

Pois bem, alguns obstáculos (além da famigerada preguiça) me fazem detestar academia. Não gosto de barulho, não gosto da maioria das músicas que geralmente tocam nesse ambiente, não gosto de suar, não me sinto confortável com roupas de academia e não gosto de me sentir perdida. Resolvi muitos desses obstáculos: comprei um par de fones de ouvido muito bons e ouço minha playlist, levo uma toalhinha e comprei roupas confortáveis que me deixam confiante. Perceberam que tem uma coisa que não consegui resolver imediatamente? Trata-se da questão de sentir-se perdida, fora da zona de conforto.

Não sei o nome dos equipamentos (estou começando a aprender agora, mais de um ano depois), eu me perco nas repetições, eu demoro para gravar os movimentos corretamente e sou desastrada. Tudo isso tem a ver com estar fora da zona de conforto. Tudo isso tem a ver com o fato de ser neurodivergente, bom, era o que eu supunha e culpava inteiramente. Pois bem, conversando com uma amiga que não é neurodivergente, ela me confessou coisas incríveis. Ela me disse que também começou a treinar há pouco tempo, disse que não reconheceu a palavra halteres quando leu na ficha de exercícios, não sabia o nome dos equipamentos, os nomes dos músculos do corpo, etc. Essa amiga é inteligentíssima, muito culta e sempre demonstra ser muito autoconfiante. Mas assim como eu, ela também tem dificuldades.

Foi bom ouvir essas coisas, porque assimilei o óbvio: quando estamos começando em qualquer atividade, seja ela qual for, a gente não sabe os nomes das coisas, não conhecemos os procedimentos, os detalhes, as regras de etiqueta, etc. As coisas saem todas meio desajeitadas mesmo, nesse começo. Essas coisas todas a gente só aprende com a prática, por isso é preciso ter paciência com a própria evolução e com os próprios limites, além de persistência e constância. Também é preciso compreender que todos erram, errar não deveria ser um tabu. Todos podem cometer uma gafe simples, por isso é necessário ter humildade e consciência também. O professor da academia precisa ter paciência com quem está começando, assim como quem já frequenta o espaço há mais tempo deveria ter paciência também.

Nem sempre encontra-se essa solidariedade por parte dos colegas, muitos riem, debocham, ficam encarando ou fazendo pouco. Portanto, a única coisa que pode nos fazer enfrentar essas situações é o fortalecimento da autoestima que vem junto com um senso de merecimento. Eu mereço cuidar de minha saúde, de minha mente e de minha aparência física. Eu pago a mensalidade e mereço estar ali como qualquer outra pessoa, que também precisou começar do zero em algum momento da vida dela.

Se esse breve desabafo ajudar alguém, fico feliz. Escrever sobre essas coisas me fez muito bem, porque eu acho que esse mundo artificial onde todos querem mostrar perfeição é perverso, é uma máquina de moer pessoas. Antes de falar sobre essas dificuldades com essa amiga, eu já havia comentado com outras pessoas que apenas riram de maneira condescendente. Ouvir que o outro também tem dificuldades ou que teve dificuldades no começo, sempre é alentador. Pra mim, são pessoas que querem ser de verdade.

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Imagem que abre o post: faz parte do mesmo junk journal que mostrei no post anterior. Já mencionei isso em outros posts sobre journaling, mas repito: criar colagens assim me ensinou que não é preciso ser perfeito para criar algo criativo, interessante e com sua marca pessoal.

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