O que você está semeando por aí?

Outro dia fiquei pensando na quantidade de bobagem que já disse, já escrevi, já gravei, etc.
Classifico como bobagem opiniões preconceituosas ou conceitualmente erradas.
Há também opiniões que não tenho mais, acredito que é saudável mudar de opinião. Mas tudo bem, se a minha antiga opinião era apenas diferente (antes eu gostava de azul e hoje gosto de rosa, por exemplo), não tem problema. Todo mundo pode mudar de opinião, a medida que conhece novas coisas. Mas nesse post, me refiro exclusivamente a opiniões preconceituosas ou conceitualmente erradas. Essas sim são vergonhosas! Por outro lado, fico feliz em ter abandonado algumas dessas opiniões. Fico com um misto de vergonha própria e felicidade pela evolução pessoal.
O problema é que muitas vezes essas coisas não são meras lembranças. Eu escrevi, eu disse, alguém leu e alguém se lembra. Isso é muito chato. Acho que ninguém gosta de ser confrontado pela uma estupidez do passado, mas o que fazer? O melhor mesmo é assumir que aquilo foi dito e dizer que mudou de ideia, que não pensa mais daquela maneira. Se aceitarem sua explicação, tudo bem. Se não aceitarem, não há muito o que fazer… A gente é responsável pelo que diz ou faz, mesmo que tenha mudado de ideia. Se fosse assim, pessoas que cometeram crimes, estão presas e se arrependeram de suas atitudes poderiam deixar de responder por esses crimes. Não funciona assim, há toda a questão da responsabilidade. Por isso pergunto: o que você está semeando por aí?
Somos bombardeados por idéias e opiniões o tempo todo. Podemos tomar algum partido e meses depois tomar um partido diametralmente oposto. Meses? Na adolescência, por exemplo, tudo é rápido e as vezes mudamos de opinião em questão de dias.
Hoje as opiniões podem ficar registradas. Elas ficam gravadas em status de redes sociais, em blogs, em fóruns, etc. Quando vejo adolescentes escrevendo mensagens de ódio, comentários preconceituosos disfarçados de “humor politicamente incorreto” (acredite, você está sendo idiota e não engraçado/descolado), comentários preconceituosos disfarçados de “direito a livre expressão”, etc, logo penso que eles vão se arrepender dessas tolices nos anos seguintes. Anos? Talvez menos tempo. Como sou extremamente otimista, acredito que muitos desses adolescentes mudarão de opinião e sentirão vergonha de seus escritos no futuro.
Sendo assim, eu pergunto: o que você anda semeando por aí? Anda semeando palavras boas? Opiniões construtivas? Tomara que sim.
Cuidado para não semear ódio, para não repetir bobagens ditas por “humoristas aclamados”, para não falar bobagens e grosserias, etc.
Claro que a gente se arrepende do que diz e talvez seja esta a função das palavras estúpidas. Talvez elas nos ajudem a evoluir. Vou dar um clássico exemplo de minha vida. Lá por volta de 2004, eu estava desesperada e com muitos problemas pessoais. Comecei a participar de um grupo religioso e passei a acreditar no Criacionismo “científico”. Eu escrevia sobre isso em comunidades no Orkut. Perdi um precioso tempo de minha vida com essas bobagens e repetindo bobagens que me diziam. No entanto, graças a essas bobagens acabei conhecendo mais sobre ciência, me interessando mais e conhecendo pessoas que se dedicavam a divulgar ciência com qualidade. Pouco tempo depois (em 2005, talvez) abandonei esses dogmas e passei a falar sobre assuntos construtivos.
Acho difícil vocês encontrarem qualquer porcaria escrita por mim naquela época, porque deletei meu perfil no Orkut. Vocês não tem provas e eu poderia ter dito que nunca fui Criacionista. :P. Mas eu fui. Foi chato, me envergonho de meus comentários, mas eu cresci e aprendi com tudo isso.
Eu também já fiz comentários sexistas. Já fui bem mais intolerante. Já fui preconceituosa com ESTILO MUSICAL (que é algo tão estúpido e pífio que nem merece comentários). Tenho certeza que afugentei gente muito boa da minha vida com comentários preconceituosos.
Enfim, já tive tantas atitudes ridículas e muito provavelmente meu ego deve ter me feito esquecer de metade delas.
Com o tempo, aprendi que não custa pensar antes de falar. Não custa formular melhor sua opinião, em sua mente, antes de divulgá-la. Acredite, discutindo consigo mesmo você acaba até mudando de opinião. Talvez não mude, mas acaba escrevendo sua opinião de maneira mais ponderada e amigável. Acaba escrevendo de maneira que convida à críticas boas, à troca de idéias, etc. Leia bastante, converse com gente inteligente. Pense muito e fale/escreva bem menos. Não fale quando estiver nervoso, irritado ou cansado. Fuja da internet nessas horas. Desabafe com um amigo ou familiar.
Foquei muitas de minhas observações acima na adolescência, pois foi durante minha adolescência que tive as atitudes mais idiotas de minha vida. Eu duvido que vou repetir ou superar minhas peripécias de estupidez da adolescência. Mas cada pessoa funciona de uma maneira. Há adolescentes mais maduros. Assim como há adultos com comportamento imaturo. Não importa sua idade: cuidado com a semeadura. Semeie coisas boas, sempre.

Muito bonita e construtiva a sua opinião, Samantha. Apenas gostaria de enfatizar algo: Ciência e religião não precisam se confrontar. Muito pelo contrário, o futuro será uma união das duas, à medida em que ambas forem se aperfeiçoando. E elas VÃO se aperfeiçoar cada vez mais, pois assim é a evolução do homem e do mundo…
Criacionismo e Evolucionismo não se confrontam, não mesmo…talvez na mente de um cético radical ou de um religioso radical, mas em verdade eu digo que elas se complementam perfeitamente. Por isso, eu sou criacionista e evolucionista simultaneamente. O problema surgiu devido às interpretações levadas ao pé da letra na Bíblia.
Assim como você, também já fui cético em relação a muitas coisas, Samantha. Cada um escolhe o seu caminho, e o que me deixa feliz é que você está exatamente no caminho certo, usando-se de palavras edificantes e que estão de pleno acordo com as leis da vida…. =)
abraços
Olá Renan
Obrigada pelo comentário.
Quando me refiro a Criacionismo em meu post, não me refiro a crença de que Deus criou o universo e a vida. Isso é uma coisa que não precisa se contrapor ao Evolucionismo, isso é fato.
Eu me refiro àqueles que querem tomar o Criacionismo como algo científico e procuram evidências para dizer que o relato do gênesis é literal. Existe um grupo de pessoas assim, aqui no Brasil mesmo. Há pessoas que não acreditam que os homens e os macacos tem um ancestral comum e ficam repetindo asneiras como “se o homem veio do macaco (sic), pq não vejo macaco se transformar em homem no zoológico”. Isso é comum! Já vi esse tipo de relato em diversos fóruns.
Abraços
Samantha
Ahhh, entendi, rsrs. =)
Mas é justamente por causa dessas pessoas, Samantha, que
alguns perdem sua fé em algo maior, tornam-se céticas.
Ora, é claro e evidente que a Gênese está explicada em
tons não literais, é uma estória com um fundo de reflexão
para se fazer, e nem por isso deixa de ser um legado
importante à humanidade. A passagem de Adão e Eva, por ex.,
possui um valor moral muito significativo, e é isso que
devemos nos ater. O problema é que ainda há muitos que
enxergam só a forma, e não o conteúdo -que é o mais importante-.
Abração