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Por que as mães estão tão cansadas?

Esse texto poderia ter muitos e muitos parágrafos já que são inúmeros os motivos que deixam as mães cansadas. Muitas de nós trabalhamos fora, cuidamos da casa, cuidamos dos filhos e cuidamos de nós mesmas. Não conseguimos dar conta de tudo do jeito que esperamos, porque nos foi introjetada desde meninas a ideia de perfeição (que não existe). Bom, vocês já sacaram e já sabem que é o tipo de assunto que dá “pano pra manga”.

Minha amiga Marrie uma vez escreveu um post bem legal: “com penso” ou “sem penso”? Esse texto nos dá a dimensão do quanto o trabalho de o tempo todo ter que pensar nas coisas, planejar e antecipar é trabalhoso. É de certo modo é sobre esse trabalho de pensar que eu quero falar.

Quando nos recusamos a fazer as coisas de maneira automática, penso que nosso cérebro custa a acostumar. Minha criação foi muito autoritária. Meus pais diziam não e eu tinha que aceitar. Se eu não aceitasse, havia alguns gritos, ameaças e até surras e então eu acabava aceitando. Era assim na escola também. E era assim na maioria dos lares dos meus familiares e amiguinhos. O adulto falava e a criança obedecia. E claro, havia as crianças “problemáticas” e “rebeldes” que não obedeciam porque não apanharam o suficiente. Era comum ouvir todas essas coisas. Naturalmente, fui absorvendo esses procedimentos até o momento em que tive meus filhos e decidi que iria fazer de maneira diferente. Li livros, ouvi especialistas e fiz minicursos. Decidi que minha primeira resposta não seria autoritária: seria uma resposta compassiva, que levasse em consideração os sentimentos dos meus filhos e uma maneira de ajudá-los. A resposta que eu gostaria de ter ouvido. A resposta que eu gosto de ouvir quando interajo com outras pessoas e há algum tipo de conflito ou discussão,

Só que não é fácil mudar esse ajuste do cérebro. Eu cresci em um ambiente autoritário e em um macrossistema autoritário. Quando nasci, ainda havia ditadura no país. A escola era autoritária, lembro que sofri muito quando deixei a Educação Infantil. Erundina era prefeita de São Paulo e Cortella era seu Secretário da Educação, então meu pré-escolar foi muito bom. Quando entrei no Ensino Fundamental (na época, Primeiro Grau) em uma escola estadual suja, com uma sala de aula sem graça e sem parquinho, fiquei bem triste. A professora era autoritária, nunca sorriu para os alunos. A escola parecia uma caixa de concreto, uma prisão. Naquele tempo, os idosos falavam e a gente tinha que considerar tudo pois, afinal, eram a voz da experiência. Psicólogos eram para gente doida e se você precisasse fazer um trabalho escolar, era só copiar tudo da enciclopédia.

Eu sou fruto desse mundo que narrei.

Quando as crianças estão brigando por alguma disputa comum, não tem como minha primeira resposta, aquela automática, não ser um grito ou um apelo à minha autoridade. Ignorar essa resposta automática, alterar a programação do meu cérebro, é custoso demais pra mim. Mas eu faço porque eu sei que vale a pena. Hoje mesmo as crianças estavam brigando muito e bastante irritadas e eu respirei fundo e dei a resposta mais elaborada, o investimento. Sentei, ajudei, colaborei e abracei. Repetidamente. Sem gritar. Ao final do longo processo, meu cérebro parecia esvaziado mas minha consciência estava alegre. Sinceramente acredito que fiz várias conexões novas no meu cérebro, alterando uns circuitos aqui e outros ali, e nas próximas vezes vai ser mais fácil (como já é mais fácil agora do que antes).

E então concluí que é por isso que tem dias que eu fico tão cansada. Fico cansada porque eu amo meus filhos e acredito neles. Acredito tanto que sei que vale a pena quebrar ciclos e fazer diferente. E provavelmente é por isso, querida mãe que me lê, que você se sente cansada também. Não é cansativo estudar e aprender novos conceitos? Não é cansativo mudar de hábitos? É o “penso”, como disse minha amiga em seu texto. É o esforço mental necessário para que aquela tarefa tenha êxito. Tenho orgulho disso, embora esse esforço deva ser compartilhado por outras pessoas que cuidam da criança. Mas a gente não pode dar paciência para os outros e nem ensinar para quem não quer aprender, então contamos somente com nossa parte. E isso é muito!

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