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Quem é essa muié?

Muitas carinhas em desenho, expressando emoções diversas. A personagem é sempre uma mulher de cabelo comprido, com faixa verde no cabelo, blusa verde e saia verde. Alguns acessórios aparecem para expressar os sentimentos.

Para concluir a licenciatura, eu preciso participar de algumas atividades de observação de aulas de outros professores e isso tem sido muito enriquecedor. Aprende-se muito ao contemplar e ao observar, de maneira que se consegue ligar todos os pontos das disciplinas que cursei ao longo da licenciatura. Eu entrei na escola de uma maneira diferente, observando o trabalho de todos e observando o trabalho docente com as ferramentas que estou aprendendo e me familiarizando.

Ocorreu um episódio muito engraçado enquanto eu assistia uma aula de Geografia. Era a primeira aula. E o professor esqueceu de me apresentar nessa turma do nono ano, eu apenas sentei quietinha e fiquei observando, no maior estilo Joan Didion (jornalista norte-americana que era mestre em observar sem ser vista). Num dado momento da aula, uma aluna levanta a mão e pergunta: “Professor, quem é essa muié?”. Se pudessem ver por baixo de minha máscara, iriam notar que esbocei um sorrisinho. O professor me apresentou e ficou tudo bem. Mas eu não deixei de pensar na pergunta da aluna, porque não sei quem sou. Bom, talvez eu saiba quem sou. Mas é que essa pergunta pode ser respondida de tantas maneiras, pois sou muitas em uma, como todas as mulheres. Primordialmente, essa resposta depende do lugar e de quem está perguntando. E talvez seja por isso que digam que as mulheres misteriosas ou coisas assim. Quando dizem que você é uma caixinha de surpresas, apenas não conhecem essas múltiplas facetas.

Terminei minha observação nessa sala e um aluno disse para eu ser uma professora boazinha quando for professora. Eu lembrei de minha adolescência, achei engraçado também. E também estou pensando sobre isso de ser boazinha…

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