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Sobre escolhas meio burras: apropriar-se da tecnologia para saber usar

Frequentemente penso na época que considero ter sido a era de outro da internet. Pra mim essa era rolou até mais ou menos o ano de 2012, eu já nem sei mais especificar datas. Nessa época, o texto era o elemento mais importante da internet, embora boas fotos e boas imagens já existiam dando um suporte ao texto. Era muito comum termos bons blogs de temas variados, muitos com ótimas fotos ilustrando os assuntos discutidos.

Comecei a escrever em blogs no começo dos anos 2000, mas foi somente em 2011 que passei a ter condições de pagar por hospedagem e domínio. Foi quando nasceu o Meteorópole. Ele nasceu nessa época boa, quando a gente ganhava realmente algum dinheiro com o AdSense. Se você pensa em criar um blog hoje e acha que vai ganhar dinheiro com publicidade, certamente vai se frustrar. Com os LLM (large language models, como os GPTs), as pessoas pararam de pesquisar coisas nos blogs. Até sobre receitas culinárias – comer é uma coisa muito humana – as pessoas estão pesquisando nas IA por aí. Bom, mas avancei muito no tempo.

Pois bem, a partir de 2012 a coisa começou a mudar bastante. O Facebook se torna super popular, daí tem Instagram, Twitter e todo o resto que a gente já conhece. Eu também criei perfil em todas essas redes, tentei levar o conteúdo do blog pra elas e hoje percebi que isso foi um grande erro. Eu estava apenas tentando fazer o que muitos blogueiros estavam fazendo, porém percebi que por muitas vezes eu coloquei muito empenho em levar as coisas para as redes e deixei de produzir aqui no blog, onde posso escrever com mais cuidado e com curadoria, posso editar o texto depois, posso acrescentar imagens, gráficos, enfim, aqui o conteúdo fica todo organizado. Na verdade, o blog permite que eu seja autêntica porque o blog me dá essa liberdade. Aqui eu sou dona do meu conteúdo, que não pertence a uma empresa enorme de tecnologia que privilegia quem paga mais ou quem engaja mais. Sabemos que “engajar mais” não significa qualidade ou inovação, pode apenas ser um conteúdo mais controverso ou até mesmo um conteúdo criminoso.

Por exemplo, lembrei que eu escrevia muitos fios no Twitter com curiosidades sobre Meteorologia. Até falei sobre isso aqui no blog. Grande erro! Eu deveria escrever as curiosidades aqui no blog, para quem já era meu leitor ou para atrair visitantes (na época eu recebia muitas visitas por buscas no Google). Hoje eu entendo que eu era muito levada pela maré, eu não pensava com cuidado sobre como usar as redes ao meu favor. Se eu tivesse pensado melhor, talvez nem as usasse.

Hoje estou no BlueSky e todos os dias penso sobre apagar o Instagram. Só não apago porque algumas pessoas que conheço interagem comigo por lá. Na verdade, eu preferiria a comunicação através do bom e velho e-mail (que é por onde você pode me mandar um pix também – samanthansm@gmail.com).

Acho que todas essas coisas que escrevi são fruto de um descontentamento com a Internet. A Sybylla disse recentemente que no passado a internet era um refúgio para quem não se encaixava no mundo real. Hoje o mundo real é um refúgio para se proteger dos males da internet.

Deve ter a ver com a idade também. Eu tenho mais de 40 anos, sinto saudades da época que eu tinha meus 20 e poucos anos. Eu enxergo nesse sentimento uma saudade positiva, sobre boas lembranças e tal. Não é um sentimento que me impede de viver no presente e desfrutá-lo, mas eu me lembro bem de trocar links com amigos. Era como se cada um tivesse sua própria internet, sua própria experiência. Hoje é tudo muito igual, digo, tudo igual quando você está na rede social. Deve ser por isso que gosto tanto do blog, esse lugar me traz essa lembrança boa do passado que eu ainda posso manter viva e atualizada.

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A própria atitude das pessoas no passado, ao interagir com o conteúdo de um blog, era diferente. Não estou falando de trolls, esses sempre existiram. Mas as pessoas tinham que ler um texto logo (como esse aqui que estou escrevendo) e se empenhavam em fazer um comentário pertinente. As pessoas trocavam visitas, essa interação era bem legal. Agora, em redes como X ou BlueSky, noto há anos um comportamento blasé de quem só quer ter seguidores e não quer seguir ninguém. Gente que quer aparecer com assuntos da moda ou temas polêmicos, mas que não te agradece quando você faz uma correção ou observação relevante.

Enfim, agora no final é só um desabafo. Sinto que estou procurando por coisas que não existem mais, coisas que eu gostava, como aquele chocolate Lancy da Lacta, que não fabricam mais.

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Imagem em destaque: Imagem de dlsd cgl por Pixabay

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4 Comentários

  1. Eu vivo nessa de deletar ou não, apenas porque tenho alguns contatos lá. Uso muito o recurso de DMs. Se não fosse por isso…
    Concordo com vc sobre a ansiedade e insegurança.

  2. Olha, o seu texto refletiu meu sentimento de que quando a internet era descentralizada era muito melhor. Sinto que hoje nós perdemos o poder de escolha sobre o que queremos ver: isso nos é empurrado goela abaixo pelos algoritmos, controlados por empresas gigantescas. Com as IAs então, o conceito de “pesquisa” está se tornando obsoleto. Eu não imagino como é isso em sala de aula (vou sentir na pele isso daqui a alguns anos).

  3. Nossa, sim!
    Essa descentralização era muito melhor. A troca de ideias assíncrona, em comentários de blogs e fóruns, era tão boa. Eu sinto falta disso, sinto falta do tanto que eu aprendia dessa forma.
    Obrigada pelo comentário.

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