Um cacto de mentira: Euphorbia trigona
Eu adoro cactos e suculentas e talvez eu deveria falar mais sobre isso aqui no blog. Eu não falo tanto porque na verdade não tenho muitas dicas de cuidados para comentar. Eu simplesmente coloco as plantas num lugar onde bate sol apenas de manhã, troco os vasos de lugar na estação chuvosa e acompanho a umidade do substrato de cada vaso para observar quais precisam ser regados. Também pesquiso sobre as necessidades individuais de cada planta e cubro o substrato com cascalho ou pedrinhas para evitar ressecamento rápido.

No texto de hoje vou falar de um ‘cacto falso’ que é a Euphorbia trigona, esse da foto acima. Antes de falar sobre essa planta, vamos entender o que afinal de contas é um cacto.
O que é um cacto?
Cactos são nomes genéricos dados a plantas da família Cactaceae. Dentro dessa família, são 142 gêneros totalizando 1793 espécies (de acordo com catálogos mais recentes). Os cactos possuem tamanhos variados: o mais alto é o Pachycereus pringlei, cuja altura máxima registrada foi 19,20 m, e o menor é Blossfeldia liliputiana, quando adulta medindo cerca de 0,011m (11mm) de diâmetros {x}.
Em comum, os cactos são plantas que apresentam folhas modificadas em espinhos. Esses espinhos são uma estratégia evolutiva da planta, para que ela não chame a atenção dos herbívoros. Mas nós seres humanos somos muito teimosos e nós consumimos por exemplo os filocládios com os espinhos removidos da Opuntia cochenillifera (palma) e da Opuntia ficus-indica (figo da índia) e consumimos também os frutos (figo da índia, mandacaru, pitaia, etc).
Os espinhos também são importantes porque possuem uma área menor do que a de uma folha comum. Sendo assim, a perda por evapotranspiração é menor. Considerando que cactos são plantas de ambientes áridos, essa estratégia é muito boa.
Bom, tem vários mitos sobre cactos. Há quem pense que eles não precisam ser regados, justamente por serem de ambientes secos, um equívoco muito comum. Por isso, se você gosta bastante de cactos e quer aprender mais sobre essas adoráveis plantinhas, deixo uma dica maravilhosa: siga o conteúdo do Entre Cactus e Suculentas, um podcast que ensina muitas coisas sobre essas plantas.
As plantas da família Euphorbiaceae
Agora a gente vai falar de outra família, uma família cujos membros normalmente são plantas bem tóxicas e completamente impróprias para o consumo humano. A família é a Euphorbiaceae e alguns membros dessa família podem ser confundidos com Cactaceae porque também possuem espinhos. É o caso da minha Euphorbia trigona, que eu jurava que era um cacto, quando adquiri a muda há uns 7 anos. Ela era pequena na época, tinha cerca de 10cm e hoje é uma planta linda e enorme de quase 1m. Quando era pequena ela se parecia mais com um cacto porque só possuía espinhos, não possuía folhas “tradicionais”. Conforme ela foi crescendo, folhas “tradicionais” foram aparecendo junto com os espinhos.

E quando a gente quebra essas folhas, é possível notar que elas soltam uma seiva.

Essa seiva esbranquiçada é uma característica de muitas plantas da família Euphorbiaceae: Euphorbia maculata, Euphorbia milii (coroa-de-cristo) e Euphorbia tirucalli (avelós) são alguns exemplos de plantas da família Euphorbiaceae que apresentam essa seiva. Em geral essa seiva é tóxica e algumas podem provocar cegueira.
Há plantas da família Euphorbiaceae que podem ser consumidas, porém não são do gênero Euphorbia. A Aulerites moluccana (nogueira) e o Cnidoscolus aconitifolius (espinafre-selvagem) são alguns exemplos de plantas da família Euphorbiaceae que possuem partes que podem ser consumidas.
Além da Euphorbia trigona, a coroa-de-cristo (Euphorbia milii) é outra Euphorbiaceae que é confundida com Cactaceae. Isso acontece porque ela é meio retorcida e possui espinhos, então muita gente faz a confusão. Quando eu era criança, coroa-de-cristo era o tipo de planta que todos colocavam perto dos muros, na calçada, para evitar que a molecada pulasse no quintal para pegar bola ou pipa que caiam.
Sendo assim, aprendi que a planta que eu jurava ser um cacto na verdade não era. É aquela história, as vezes alguém se parece muito com você e vocês não são aparentados, é apenas uma coincidência. É um acontecimento botânico meio Natalie Portman e Keira Knightley, duas mulheres lindas e excelentes atrizes, que são muito parecidas mas nem são parentes.
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