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Uma reflexão sobre produtividade

Não sei se com vocês é assim, mas eu sou bombardeada com informações sobre como aumentar a produtividade. Cursos, livros, palestras, seminários, coaches, etc. Tudo sobre como ser mais produtivo, como ter mais tempo para seus projetos, como alcançar o máximo do seu potencial, trabalhe enquanto eles dormem, o que você faz da meia-noite até as seis? etc. Em meio a tantas informações sobre produtividade, fica muitas vezes difícil separar o que é uma informação proveitosa, o que é apenas um aproveitador querendo vender um curso ruim ou um gestor que quer extrair seu trabalho até você ter um burnout.

Quero dizer, claro que há maneiras de melhorar sua produtividade e aprender a manter o seu foco. Existem muitos estudos da psicologia e da neurociência que apresentam possibilidades para que desenvolvamos uma melhor disciplina nos estudos, por exemplo. Mas há muito ruído, muita gente falando demais e falando bobagem. Ruído que deixa as pessoas ainda mais ansiosas e com a sensação de estarem perdendo oportunidades.

Nasci no começo dos anos 80, então vivi boa parte de minha vida offline. Concluí minha primeira graduação em uma época onde os cursos online e o próprio EaD da maneira que conhecemos hoje ainda eram coisas bem no início. Entrávamos na internet para pesquisar e aprender, claro. Mas a internet também era muito ligada ao entretenimento, as pessoas não se levavam tão a sério quanto hoje. Não existiam influencers e as lojas online eram poucas. Não éramos bombardeados com propagandas personalizadas. Não existiam redes sociais. Entrar na internet era um pouco mais sossegado, vamos dizer assim. Também não quero ser daquelas pessoas completamente saudosistas, hoje encontramos livros, artigos científicos e discussões que não encontrávamos antes e isso é incrível: a troca de informações é muito mais dinâmica e precisa.

Bom, mas por que evoquei o passado? Porque eu me peguei lembrando nas coisas que eu fazia quando era uma adolescente e uma adulta de 20 e poucos anos. Eu fiz alguns cursos de idiomas (presenciais), assistia palestras (presenciais), consumia cultura (museus, cinema, shows etc) de maneira presencial, etc. Com a pandemia, a oferta de cursos, eventos, seminários e lives diversas explodiu. E se você gosta de fazer cursos, fica muitas vezes em dúvida e quer se matricular em todos os cursos e oportunidades que o algoritmo te recomenda. Esse monte de informação nos traz uma carga sensorial e de responsabilidade que pode ser avassaladora, talvez até causando um efeito contrário: total paralisia. Com tantas oportunidades, perdemos o foco e ficamos travados, sem saber por onde começar.

Minha singela opinião é que temos que respeitar nosso tempo. E essa opinião vem da experiência própria, depois de ter errado muito e ter ficado muito ansiosa e até doente. Comprometa-se com poucas coisas e dê andamento aos projetos antes de começar novos projetos. Certas oportunidades (como cursos, por exemplo) não são perdidas, sempre há a possibilidade de fazer depois. Termina o que você está fazendo antes de começar algo novo. Dê um tempo também, às vezes é bom refletir sobre o que se aprendeu e esperar esse conteúdo decantar, assentar.

Há cerca de 13 anos tive um ataque de pânico sério e chorei na minha cama porque eu estava trabalhando (inclusive nos fins de semana), aulas adicionais de direção e fazendo dois cursos (uma pós e um curso de idiomas). Eu não conseguia fazer tudo, faltava no curso de idiomas, ficava irritada no trabalho, etc. Na época ninguém me disse que eu poderia me acalmar e esperar, até porque eu era super jovem e teria tempo pra fazer muitas coisas se fizesse uma coisa de cada vez, com foco e esperança. Tive outros ataques de pânico depois disso, mas aquele me marcou. Eu queria tanto ser uma pessoa produtiva e provar isso para os outros que eu deixei minha saúde global (física, mental, social e espiritual) de lado. No fim das contas, as pessoas que me criticavam continuaram me criticando e eu nem fui realmente produtiva.

De uns tempos pra cá tenho tentado focar em uma coisa de cada vez. Eu fico vendo oportunidades de cursos, trabalho e outros e tenho tentado ficar em paz. Tenho muito a fazer agora e preciso me concentrar nessas coisas. Não é fácil ficar em paz, vivemos em uma sociedade onde tudo disputa nosso tempo. Mas precisamos tentar. Caso contrário, ficamos como baratas-tontas que não prestam atenção ao presente e ao que há ao nosso redor.

Imagem em destaque: Pixabay

Manda um pix: samanthansm@gmail.com

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