Como você adquire informação?

Quando eu estava escrevendo sobre threads no Twitter, fiquei pensando em como nós adquirimos informação atualmente. Não quero chegar a nenhuma conclusão com esse post, eu quero apenas escrever meus pensamentos sobre o assunto.
Bom, nos anos 80 e 90, período que vivi minha infância e adolescência e que por isso menciono, as pessoas se informavam comprando jornais e revistas. Se você era da classe média, ter assinatura de jornais e de revistas era algo comum. Valia até pegar emprestado revistas lidas por amigos mais abonados. Lembro que meu pai sempre chegava em casa com alguma revista dada por algum colega que já havia lido. Quem gostava de divulgação científica, lia Super Interessante ou outra revista mais específica de alguma área. Os adultos assinavam jornal ou ao menos tinham aquela rotina matinal de ao menos uma vez por semana ir à banca de jornal depois de ter passado na padaria. Isso acontecia geralmente aos domingos, quando o jornal englobava os destaques da semana. Alguns jornais inclusive traziam consigo fascículos ou livros colecionáveis.
Leia também:
Naquele tempo, se você precisasse fazer um trabalho escolar, teria dificuldades. Certamente consultaria uma enciclopédia em casa (se sua família ou alguém conhecido tivesse condições de adquirir uma enciclopédia, pois era bem caro) ou teria que ir até uma biblioteca. Bom, isso se você morasse em um bairro bacana que contasse com uma biblioteca ou se sua escola tivesse uma. A realidade das instalações culturais públicas no Brasil era e ainda é muito precária. Eu contei para vocês como era difícil fazer um trabalho escolar antes da internet nesse post. Conto tudo isso com um certo saudosismo, mas é óbvio que eu prefiro o oceano de conhecimento e possibilidades que a internet proporciona atualmente para um estudante.
Logo que a internet começou a virar algo popular, as pessoas obtinham a informação disponibilizada através dos buscadores (que não eram eficientes como os de hoje) e através de trocas de links (eu conto para você o que eu descobri e vice-versa). Algumas revistas especializadas, vendidas em bancas, vinham com dicas de sites para visitar.
Entre graduação e mestrado na área de Meteorologia, fiquei na Universidade de 2002 até 2008. Como as coisas mudaram na internet em apenas 6 anos! A quantidade de conteúdo da minha área aumentou muito, várias Universidades brasileiras e estrangeiras passaram a disponibilizar conteúdo. Nesse tempo, o Google se aperfeiçoou bastante e foi ficando cada vez mais fácil buscar o conteúdo desejado. Esse é um pequeno exemplo mostrando o quanto a internet mudou rapidamente e eu imagino que isso foi sentido também em outras áreas do conhecimento.
O que quero dizer é que antes você tinha que “correr atrás” da informação. Hoje também, é verdade, principalmente se você quer informação de qualidade e quer pesquisar mais aprofundadamente para não ser enganado por fake news. Só que o que eu quero dizer é que hoje muitas informações caem no seu colo. De repente, sem procurar nada a respeito, você sabe quem é o ator global que traiu a esposa e qual arquipélago da costa brasileira supostamente sedia certas festas secretas. Você entra em seu perfil de rede social e tem alguém falando do assunto: o assunto simplesmente aparece em sua timeline. Você pode silenciar palavras chaves, hashtags e até pessoas, mas outros assuntos dos quais você não tem o menor interesse aparecerão.
A rede social que mais utilizo é o Twitter. Muitas vezes acabo tendo acesso a informações que eu não tenho interesse e acabo sabendo de coisas que não gostaria de saber ou não procuraria saber. Em muitas ocasiões, tenho surpresas positivas, porque procuro seguir pessoas que postam coisas que normalmente eu considero interessantes. Em outras ocasiões, fico sabendo de coisas que eu não queria saber porque simplesmente não são de meu interesse ou porque são desagradáveis. Quem tem ansiedade, depressão e outros transtornos ou doenças da mente infelizmente sofre ainda mais e o tipo de informação que acaba “caindo em seu colo” pode ser potencialmente perigosa. Se você tem algum trauma sério na vida, certos assuntos, tweets, fotos ou vídeos podem ser gatilhos para relembrar aquela situação que ocasionou o trauma e você não procurou por esse material, uma vez que ele simplesmente “pulou” na sua cara. Quem publicou também nem tem culpa, na maioria dos casos.
Apesar de ser bom manter-se informado a respeito dos acontecimentos, acredito que a forma que estamos usando a internet está agravando nossos problemas de saúde mental. Penso eu – conversa de boteco aqui – que há uma quantidade adequada de informação com a qual nosso cérebro possa lidar de maneira saudável. As redes sociais simplesmente injetam uma quantidade enorme de informação rapidamente e nem temos tempo de refletir sobre o que consumimos. Correndo o risco de ser saudosista, acredito que além de um certo charme, a maneira que consumíamos informação na internet antes era mais saudável. Acho que desse jeito até aprendíamos melhor, uma vez que íamos direto ao foco.
Como disse, esse post contém apenas algumas reflexões. Se você quiser contribuir com suas opiniões, escreva comentários e participe da discussão.
