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Você já pensou em se reconciliar com seus parentes?

Antes que alguém chegue a conclusões precipitadas somente ao ler o título desse texto, vamos combinar que minhas opiniões dizem respeito a desentendimentos familiares triviais. Se você já sofreu qualquer tipo de agressão séria de seus parentes, saiba que esse texto não é para você. Há casos em que a reconciliação é impossível. Além disso, o ditado diz: cada um sabe onde o seu calo aperta. O intuito desse texto é somente propor uma reflexão a partir de minhas vivências.

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Muitos de meus parentes votaram no Bolsonaro. Muitos são evangélicos e outros reforçam suas escolhas porque acreditam que deve existir um endurecimento contra criminosos. Alguns compram ideias pseudocientíficas, outros acompanham esses gurus que se aproveitam da radicalização.

Eu observei ao longo dos anos que a atitude das pessoas é mais exagerada nas redes sociais. Quero dizer, elas discutem nas redes sociais coisas que não falariam pessoalmente ou nem teriam condições de sustentar uma argumentação em uma conversa presencial. Sabe aquela história de que há discussões que só existem no Twitter? Então.

Já observaram como as pessoas compartilham imagens com textos curtos e vídeos impactantes sem sequer pensar criticamente no conteúdo? O rolar de tela despreocupado desperta sentimentos intensos nas pessoas, que compartilham conteúdos sem checar veracidade, sem pensar criticamente e sem pensar nas consequências. Meus parentes que votaram no Bolsonaro são essas pessoas, como tantas, como somos atualmente. Alguns parentes que votaram no Lula também são assim, como exemplo se apressam em compartilhar coisas como “tranças nagô eram mapas“. A verdade é que lamentavelmente gostamos de conteúdos que fortalecem nossas próprias visões de mundo e que alimentam nossos egos. Eu já caí nessa armadilha várias vezes e é duro aceitar.

Muitas pessoas se afastaram de seus familiares nos últimos anos, como reflexo da polarização política e também como consequência da pandemia. A internet ajuda a manter contato mas também ajuda a separar, já que as pessoas estão cada vez mais radicalizadas. Além disso, cada família já tem suas peculiaridades e motivos particulares para suas tretas. Em muitas das tretas não somos somente vítimas, conversando com minhas primas, por exemplo, elas me lembram de situações no passado em que disse ou fiz coisas cruéis. Penso que não devemos comprar esse discurso vitimista e 100% dualista de que existe somente “nós” e “eles”, “bem” e “mal”, etc.

Portanto, considerando todas essas observações, estive pensando nesses últimos dias que se suas tretas com seus familiares não forem relacionadas com temas sérios e sensíveis (o que mencionei no começo do post), talvez fosse o caso de voltar a ter contato com eles. Com a família compartilhamos histórias da infância, nossos familiares sabem coisas sobre nos das quais não lembramos; eles são um pedaço de nossa história. Deixar de conviver com familiares nos priva de parte de nossa própria história.

Além disso, não é possível viver em um mundo apenas com pessoas que pensam todas da mesma maneira. Falamos tanto em diversidade, mas penso que não empregamos essa palavra de maneira correta. Claro que devemos promover discursos que respeitam os direitos humanos, porém é preciso dialogar e compreender as razões das pessoas, procurando entender as vivências de cada um.

Muita gente se sente sozinha nessa época de festas de fim de ano. Ligue para aquele seu tio ou tia especial, aquele que foi tão importante na sua infância e que agora está afastado de você por razões banais. Faça uma visita. Mande um cartão. Mande uma mensagem. Acredito que todos podem sair ganhando com um gesto genuíno de carinho e atenção. Deixe essas diferenças banais de lado, pois acredito que muitas vezes vale mais a pena ter paz do que ter razão.

Boas festas!

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