Testemunhando o crescimento de uma cidade e de um campus

Há alguns meses contei para vocês que eu estava envolvida no treinamento de alunos de IC Jr. Esse envolvimento prosseguiu e na sexta passada eu pude passar alguns conhecimentos sobre R e análise de dados para esses queridos meninos e meninas que se destacam nos estudos.
Durante esse treinamento, meu orientador me chamou pela janela da sala. Ele estava participando de uma reportagem da Monte FM sobre os 15 anos do campus da UFU em Monte Carmelo. Um dos temas abordados foi o Programa de Pós-Graduação em Agricultura e Informações Geoespaciais, do qual eu faço parte como aluna. Ele sugeriu que eu desse uma entrevista falando de minha vivência no campus e também queria mostrar um pouco da aula. Eu estava um pouco enferrujada de entrevista (quem tá aqui há mais tempo sabe que já andei falando por aí, além dos vários episódios do Scicast e outros podcasts que participei), porém topei participar pois eu realmente gosto de aparecer (quando o motivo é nobre) e também acredito que qualquer iniciativa que tenha o intuito de valorizar a Universidade pública é muito bem-vinda. Além disso, falei sobre como é viver em Monte Carmelo sob o ponto de vista de uma pessoa que veio de uma cidade tão grande.
Eu estou morando em Monte Carmelo-MG há 6 anos. No começo não foi fácil e pra piorar logo veio a pandemia. Tive dificuldades em encontrar o meu lugar, eu não tinha uma sensação de pertencimento e consequentemente tive um começo de depressão. Eu me arrependi de ter vindo para cá e não tinha como voltar atrás sem abrir mão de outras coisas. São as tais escolhas da vida, não conseguimos ter tudo.
Hoje posso dizer com toda certeza que me sinto muito melhor. Fiz novas amizades, sem abrir mão dos amigos antigos que eu tento ver quando volto para São Paulo. Estou vivendo minha vida da melhor maneira possível, aprendendo a cuidar de mim. Não é fácil, eu realmente tenho muita coisa para fazer e tenho muitas responsabilidades. No entanto, tenho certeza que estou fazendo o melhor que eu posso.
Agora que minha mente melhorou e que me sinto mais adaptada, posso dizer com clareza sobre o quanto é agradável ser parte da história de um campus jovem, que tem 15 anos de idade. Eu também sou testemunha do crescimento da própria cidade. Desde que cheguei aqui, observo melhorias no município. Agora há um parque lindo com infraestrutura, pista de caminhada e nascentes. Temos também praças bem cuidadas, restaurantes com comida gostosa. Tem até shopping com boliche e cinema! Não tinha nada disso quando eu cheguei aqui há apenas 6 anos. Como professora de Geografia, gosto de observar esses fluxos dentro da cidade e as mudanças na paisagem.
Uma coisa que nunca mudou aqui é que em geral as pessoas são muito amigáveis e acolhedoras. Os carmelitanos não tem o mesmo medo de gente que cultivamos em São Paulo. A criminalidade aqui é bem baixa, a cidade tem poucos habitantes e todos se conhecem. Eu acho que até minhas habilidades sociais melhoraram, depois que a pandemia acabou.
Participar dessa reportagem me fez refletir sobre esse balanço dos 6 anos que vivo aqui. Não é sempre fácil, eu estaria mentindo para vocês se dissesse que tudo é maravilhoso. Sinto falta dos meus pais, primas, tias e amigos de São Paulo. Minha neurodivergência e as diferenças culturais muitas vezes me deixam confusa, sem saber se agi corretamente numa relação social. Porém a idade também me trouxe mais serenidade e maturidade, entendo que sempre estou tentando fazendo o melhor que posso. Sei que sou uma pessoa boa e aprendi a confiar nos processos da vida.
Imagem que abre o post: Ilustração de Luky Triohandoko na Unsplash

Sam, tudo o que vc narra eu vivi aqui na Alemanha! Uma coisa que agora tem me ajudado muito é parar de pensar “eles” e “eu”. Eu sou parte daqui, me integrei, estou criando uma filha, sou ativa como voluntária… então eu sou parte. Com sotaque! E se eu sinto que alguém me trata com desdém, já não me incomoda tanto quanto antes. Eu apenas sei que essa pessoa não faz parte da minha bolha. Eu encontrei contentamento e tranquilidade por aqui. Demorou! Foram uns 7 anos até chegar aqui.
Jaque, eu fico só imaginando como teria sido se eu tivesse mudado para outro país. Se mudando de estado eu já senti tanta diferença… Por isso sempre digo e repito: você é uma vencedora, um exemplo de resiliência e muita inspiração.
Obrigada pela visita e pelo novo blog, ficou lindo <3
Realmente qualquer mudança grande de local é bem complicado… Eu não me imagino mudando de estado com minha família.
O blog ficou muito bonito! Tomei até um susto quando entrei, mas aí lembrei da newsletter e veio o “ah, é mesmo” na sequência.
Oi Vinícius, obrigada pelas visitas de sempre.
Então, eu ia avisar sobre as mudanças no layout na newsletter de Fevereiro, mas eu não tinha certeza se daria para lançar essas modificações em março. Que bom que gostou! A ideia era mesmo deixar mais bonito e mais atual.
Mudar é um desafio. Eu realmente tiro o chapéu e aplaudo de pé quem muda de país, porque se mudar de estado já é complicado…