A mãe que nunca grita

Eu conheço uma mulher que tem 3 filhos. São 3 crianças bem levadas e ela faz o possível para criá-los bem, com uma rede de apoio limitada. Ela já tinha dois desses filhos antes de eu ser mãe e uma coisa que eu ouvia muito nas rodas de fofoca é que a mulher em questão era uma mãe frouxa porque nunca gritava ou falava alto com as crianças. Além disso, ela nunca nem batia nas crianças e o maiorzinho era bem bagunceiro e talvez merecesse levar uns tapas. Como eu ainda não tinha filhos, ignorei a profundidade dessa observação. Só ouvi e fiquei quieta, não pensei muito sobre isso.
Hoje eu também sou essa mãe que não grita com os filhos. Também não bato, não acredito em castigos físicos. Acredito que crianças são pessoas que merecem ser respeitadas e que eu preciso trabalhar minha inteligência emocional para criá-los com respeito e amor. Não é fácil, eu erro muito, mas eu tenho aprendido muito nessa caminhada com o apoio de muita leitura, autoconhecimento e terapia. Quebrar ciclos é muito difícil e eu me sinto muito contente por conseguir fazer isso.
Muitos talvez digam que eu sou uma mãe frouxa, como falaram a respeito de minha conhecida. Eu também tenho aprendido a ignorar o povo que fala (termo usado por um casal de amigos e que acho ótimo). Se o que a pessoa está falando não me acrescenta em nada e diz mais respeito a ela mesma do que a mim, simplesmente é descartado. Há vários anos eu usei o termo filtro, o seja, que as falas são filtradas. Porém filtrar também significa reter, a sujeira fica presa no filtro. Hoje eu simplesmente jogo fora para que me afete o mínimo possível.
Uma vez li que a maneira com que falamos com nossos filhos será a maneira com que suas vozes interiores falarão com eles quando eles forem mais velhos. Claro, pois o que acontece na infância impacta a vida toda. Mas colocado dessa maneira, como voz interior, me fez pensar que provavelmente ninguém quer uma voz escandalosa gritando em sua mente a vida inteira. Quero que para meus filhos gritar signifique pedir socorro ou auxílio imediato, ou seja, um recurso que deve ser usado em situações extremas de perigo e necessidade.
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- Eu estou tentando usar o Substack e já adianto que acho que irei abandonar essa ideia. Acho que não funcionou para mim. Quem me lê são algumas pessoas que já me conhecem e outros que me acham pelos mecanismos de busca, portanto ainda não entendi se o Substack pode me ajudar, mas se você usa o serviço, me acompanhe por lá.
- Recentemente eu participei do SciCast comentando que nos últimos 12 meses (período de fevereiro/2023 a janeiro/2024) a temperatura média do planeta esteve 1,52ºC acima da média da era pré-industrial (meados do século XIX). Foi a primeira vez que ficamos um ano inteiro acima de 1,5ºC, que é o primeiro limite estabelecido pelo Acordo de Paris.
- Também gravei um maravilhoso episódio do SciKids, meu formato favorito do Portal Deviante. Respondemos perguntas ótimas dos pequenos ouvintes em um formato bem leve e descontraído para toda família.
