A meteorologia e a Segunda Guerra Mundial

Quando pensamos em operações de guerra, pensamos em ações ao ar livre. E para o sucesso ações assim, bom tempo e boa visibilidade são essenciais. O conforto dos soldados depende de boas condições meteorológicas, já que calor extremo ou frio extremo podem dificultar a locomoção e a eficiência dos combatentes. Eu sei que falar em conforto quando falamos da vida de um soldado em ação é estranho, mas aqui eu me refiro às condições mínimas;
Podemos então dizer que a Meteorologia tem um papel super importante no planejamento de uma operação de guerra. Tem um bom serviço meteorológico, que conte com uma boa rede de observação, que faça uma boa previsão do tempo e que tenha um eficiente serviço de comunicação das informações é fundamental.
Há alguns anos contei para vocês sobre o papel da Meteorologia no chamado “Dia D” (ou desembarque na Normandia, que deu início à Batalha da Normandia). O Dia D é provavelmente a operação mais famosa da Segunda Guerra Mundial, tendo sido tema de muitos filmes e livros. Nessa operação, a qualidade superior da previsão do tempo dos aliados foi essencial para que fosse encontrado um intervalo de tempo com condições meteorológicas melhores para que o desembarque acontecesse com sucesso. Dados meteorológicos da Alemanha Nazista foram interceptados pelos aliados, o que melhorou a qualidade dos mapas sinóticos para a Europa. Para vocês terem uma ideia, o Eixo tinha estação meteorológica até no Ártico! Um mapa sinótico bem constrúido é possível usando bons dados observados e quanto mais, melhor.
O Dia D é bem famoso, mas vou dar mais 2 exemplos de situações em que as condições meteorológicas tiveram um papel especialmente importante nas operações: Batalha de Moscou e a Batalha de Ardenas.
Batalha de Moscou
Os nazistas queriam invadir a União Soviética de qualquer jeito. E claro, chegar em Moscou seria o ápice dessa invasão, o grande objetivo. Isso começou a ser planejado em 1940, dentro de uma operação gigantesca chamada Operação Barbarrossa. Ao longo de toda a Operação Barbarrossa, cerca de 4 milhões de soldados do Eixo foram convocados para formar o maior front da história: 2900km. Ao lado dos soldados, chegaram cavalos e veículos. Era um negócio realmente colossal, compatível com as dimensões do território soviético. A Operação Barbarrossa começou no verão de 1941 e depois de muitas (muitas!) mortes do lado soviético e alemão, em outubro de 1941 os alemães chegaram perto de Moscou e então começaram a bolar a Operação Tufão, que culminaria na Batalha de Moscou. Foram trazidos caças, munições e muitos equipamentos. Parecia que tudo daria muito certo para o Eixo.
O que os nazistas não contavam era com o inverno rigoroso e esse foi um erro enorme. Os soviéticos eram mais preparados e mais treinados para lidar com as condições de frio extremo. O inverno europeu de 1941-1942 foi o mais frio do século XX, de acordo com Lejenäs (1989). Esse autor destaca a intensa atividade ciclônica nesse inverno, responsável pelos varios episódios de transporte da massa de ar polar.
Em 30 de Novembro, a temperatura em Moscou era de -45ºC. O general nazista Erhard Raus anotou em seu diário de guerra que o período entre 4 e 7 de dezembro registrou temperaturas de -36ºC a -38ºC e os registros do Serviço Meteorológico Oficial Soviético mostram que as temperaturas mais baixas de Dezembro chegaram aos -28,8ºC. A diferença entre os registros podem ter relação com a maneira que as temperaturas foram medidas (com termômetros abrigados ou não, altura do termômetro com relação ao solo, qualidade do termômetro, etc). Fato é que o frio extremo ajudou a destruir os planos dos nazistas e Moscou não foi tomada. Essa vitória (se é que podemos chamar assim) não foi fácil para os soviéticos, pois algumas estimativas falam em 1 milhão de mortes.
Batalha de Ardenas
A Floresta de Ardenas fica localizada entre as fronteiras da França, Bélgica e Luxemburgo. O conflito aconteceu entre 16 de dezembro de 1944 e 25 de janeiro de 1945, ou seja, bem no começo do inverno. No começo do conflito, a superioridade bélica do Eixo era maior. No entanto, reforços norte-americanos chegaram. Apesar do sucesso dos aliádos, esse foi o conflito com mais baixas norte-americanas.
Imagens dos soldados lutando em meio a neve, o que dificultou as ofensivas, se tornaram muito famosas. Um exemplo é a imagem que abre esse post, que mostra soldados norte-americanos agachados em um buraco cavado na neve acumulada.
Importante destacar que a Batalha das Ardenas também é conhecida como Batalha do Bulge ou Ofensiva das Ardenas para que não se confunda com uma batalha da Primeira Guerra Mundial que aconteceu no mesmo lugar. Por se tratar de uma área de tríplice fronteira, foi uma área estratégica nos dois armistícios.
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Esses foram dois exemplos de situações em que a Meteorologia teve um papel de maior destaque durante a Segunda Guerra Mundial. Se você se lembrar de outro exemplo, deixe nos comentários. Uma dica para quem quer começar a ler sobre Segunda Guerra Mundial e não quer ficar no celular ou no computador é o fascículo 2º Guerra Mundial. É uma daquelas publicações bem básicas que tem “um pouco de tudo” e depois você pode ir se aprofundando, através de outros livros.
E eu estou lendo Maus, graphic novel vencedora do Pulitzer de autoria de Art Spiegelman. O autor narra a história de seu pai, Vladek, que vivia na Polônia durante a Guerra. A graphic novel se destaca por retratar os personagens como animais humanizados. Ainda não acabei de ler e se eu me animar, resenho pra vocês.
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