Não tenha vergonha de falar

Falar em público pode dar uma sensação de insegurança. A ansiedade sentida muito antes de começar a falar, no preparativo das aulas ou dos slides de uma apresentação, é sentida por muitos. Eu me sinto assim desde sempre, mesmo que eu domine o conteúdo. Para mim é inevitável não sentir aquela sensação do medo antecipado em ouvir uma pergunta que não sei responder ou de falar alguma bobagem que depois será percebida por alguém (e medo maior ainda de esse alguém ser mal educado).
Recentemente eu fiquei pensando que eu não preciso saber tudo e tudo bem se eu não souber responder (mesmo que seja uma pergunta considerada fácil por alguns). Eu estou sempre aprendendo, como qualquer outra pessoa. E é melhor admitir que não sabe do que falar besteira. Também pensei que bobagens todos falamos. Muitas vezes na pressa e na ansiedade em responder apresentamos analogias que não funcionam ou explicações confusas, que geram conclusões completamente erradas. Precisamos de humildade para assumir que erramos e oportunidade de retratação. Bom, e sobre pessoas que apontam os seus erros: se essa pessoa apontar educadamente em privado, tudo bem. Se essa pessoa for grosseira e te ofender, bom, o problema não está em você.
Bom, esses são conselhos que eu daria para uma amiga. Mas por que é difícil colocar tudo isso em prática na minha própria vida? Penso que todos nós somos inseguros e talvez seja até saudável uma pequena dose de incerteza sobre as próprias capacidades, já que não queremos Dunning-Kruger rondando por aqui. No entanto, quando essa insegurança é intensa e o medo de ser julgada toma conta, a paralisia é o resultado.
Conheço muita gente (inclusive eu!) que não dá andamentos a sonhos e projetos porque tem medo de falhar ou porque acham que não estão suficientemente preparadas. Olha, 100% preparados nunca estamos. Mas se você já tem uma boa base, pode começar! Pois comece e aprenda no processo.
Eu faço parte de alguns projetos do Portal Deviante, dentre eles o Spin de Notícias. Já gravei pelo menos 20 Spins, mas eu nunca esqueço das dificuldades do começo. Eu começava a gravar, ficava nervosa e parava. Achava que não teria capacidade de comunicar algo com sucesso. Lembro que gravei muitas vezes quando meus meninos eram bebezinhos e eles choravam no meio da gravação, eu tinha que parar tudo e ficava mais apreensiva. Achava que não daria conta e que ninguém nunca me entenderia. Eu tinha (e às vezes ainda tenho) muito medo de ser criticada de maneira maldosa, porque infelizmente isso é comum. Estou realmente fazendo o meu melhor pela divulgação científica e pela minha carreira como meteorologista, comunicadora científica e professora. E é claro que eu não sou perfeita no que faço, mas tenho alguma experiência e comparando com o comecinho de tudo, melhorei bastante.
Minha mensagem aqui é: se você tem as bases mínimas para algo, faça. Tente. Não espere ficar pronta, porque você nunca vai se sentir 100% preparada. Você vai aprender no caminho. Vai fazer cursos, vai aprender com outras pessoas, vai errar, vai acertar, etc. Chega uma hora que a quantidade de acertos realmente aumenta.
