A professora de artes que disse que eu não sabia desenhar
Eu tive uma professora de artes que me ensinou por 2 ou 3 anos durante o Ensino Fundamental. Prof. Eliza era uma mulher rígida e muito presa naquela forma de ensino muito tradicional, centrada no professor. Na primeira semana de aula ela já determinou quem sabia e quem não sabia desenhar através de uma atividade (nem lembro da atividade). Ela então separou a sala em fileiras. Eu fui colocada na fileira dos que não sabiam desenhar. E de maneira muito determinista, eu concluí que não levava jeito para o desenho. Passei toda a minha adolescência sem comprar lápis de cor ou outros materiais de artes, porque eu considerava perda de tempo.
No Ensino Médio, o professor de desenho técnico também disse que eu não sabia desenhar. Prof. Airton era um sujeito desprezível. Machista e racista, fazia comentários ofendendo orientais e mulheres durante as aulas. Eu odiava a aula dele, sentia um enorme mal estar que eu não sabia explicar. Claro, na época eu achava que o problema era comigo. Uma vez cheguei atrasada e tive que entrar escondida na aula, porque ele humilhava quem chegasse atrasado. Passei na matéria com a nota mínima. E eu era super caprichosa nos desenhos, fazia o meu melhor. Tempos depois, fui elogiada por outros professores da mesma área.
Só que a área artística ficou defasada, já que a Prof. Eliza determinou que eu ficaria na fileira dos que não sabiam desenhar e isso me paralisou. E não, ter ficado na fileira dos que não sabiam desenhar não me proporcionou nenhuma atenção especializada para que eu aprendesse a desenhar. Apenas fiquei lá, convicta e conformada de que não tinha essa aptidão. No entanto, sempre gostei de História da Arte e já visitei muitos museus na minha vida. Eu me interesso pelo assunto, mas desenhar não podia ser para mim. Era o que eu acreditava, gravado em pedra.
Até que um dia meu filho mais velho começou a se interessar por desenho. Até curso da Faber Castell ele fez durante a pandemia. Ele gosta de desenhar personagens de desenhos, criar monstros e criaturas, criar histórias, etc. Incentivamos muito, porque aqui em casa Arte e Ciências são muito valorizados. Então ele ganhou dos avós o livro Desenhe 50 animais, de Lee J. Ames. A versão física desse livro chegou ao Brasil pela Editora Sextante com o selo Manual do Mundo.

As figuras do livro mostram o passo a passo para que você consiga desenhar cada um dos animais. Fiquei bem cética quando vi, mas resolvi testar para participar com meu filho. E sim, funciona! Basta seguir direitinho o método proposto. Meus desenhos, na galeria a seguir:
Estou orgulhosa principalmente dos meus elefantes. Eu deveria ter colocado a data nos meus desenhos, para vocês perceberem junto comigo que eu melhorei significativamente desde que comecei a desenhar com a ajuda do livro. Há vídeos no Youtube apresentando tutoriais semelhantes à proposta do livro. No entanto, penso que o livro ajuda a desconectar. Você pode levar seu livro e desenhar numa praça, num parque, no quintal, etc. Arte é terapia!
O método usado no livro pode parecer “bobo” para alguns, mais funciona. Inclusive eu comecei a aplicá-lo em outras situações, meio que inconscientemente. Meu filho mais velho pediu para que eu desenhasse um Pokémon coruja e eu “enxerguei” formas no Pokémon e consegui desenhá-lo.
Descobri então que desenho é talento, mas também é treino. Tenho dois primos que sabem desenhar muito bem e que já tinham me falado isso. Se você treinar bastante, estudar, aprender técnicas e se dedicar, consegue aprender. A Prof. Eliza infelizmente não soube me ensinar ou ao menos me incentivar. Ainda bem que podemos aprender coisas ao longo da vida toda!
Se você gostou do livro e deseja comprá-lo, compre pelo link de meu blog. Comissões da Amazon sempre são bem-vindas por aqui.








